Cidades
Enfermeiros receitam partos normais
| MARCOS RODRIGUES Repórter A realização de partos normais - em detrimento ao grande número de partos cesarianos no país - é uma das grandes lutas dos profissionais de enfermagem. A categoria, que está organizada em Conselhos Estaduais, tem enfrentado uma verdadeira ?batalha? para instituir as chamadas ?Casas de Parto?, mantidas por profissinais de enfermagem de níveis técnico e superior. Segundo a presidente do Conselho Nacional de Enfermagem, Carmem Almeida, desde 2002 os profissionais têm o direito de realizar partos normais, reconhecidos através de uma resolução do Ministério da Saúde. ?O próprio ministério apóia e defende que os partos, desde que não ofereçam riscos, possam ser realizados pelo enfermeiro obstetra?, explicou Carmem. A presidente do Conselho Nacional participa, em Maceió, da oitava edição do Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem (CBCENF). O evento discute, entre outros temas, a perspectiva de uma intervenção social, principalmente, no que se refere ao segmento obstetrício. Enfrentamento ?Nossa luta é por uma postura mais social e humanizada do atendimento das parturientes, já que o contato da mãe com a criança é maior, além do fato de ela ser liberada da unidade em menor tempo, por conta da recuperação?, afirmou Carmem. O principal enfrentamento dos conselhos de Enfermagem é, justamente, com a categoria médica. São eles quem mais rejeitam a idéia de que o pré-natal possa ser feito numa ?Casa de Parto?, ao invés dos hospitais. Em geral, os profissionais médicos defendem ou indicam, para suas pacientes, o parto cesária, por conta dos aspectos operacionais da intervenção. O principal deles é ausência de dor e a possibilidade de programação da cirurgia. Essas comodidadades, entretanto, escondem os custos do hospital, medicamentos e a parte dos profissinais médicos. Em alguns casos, a depender da recuperação, tem pacientes que chegam a ficar internados por até cinco dias após o parto. ### Profissionais buscam melhor formação Os enfermeiros vêm agindo politicamente para conquistar ainda mais espaço. A luta institucional também é para garantir uma melhor formação dos futuros profissionais, que já contam com pós-graduações, incluindo cursos de doutorado. Em Alagoas, até o dia 28, a categoria se reúne com uma pauta extensa, que pretende articular novas estratégias de mobilização em defesa de mais espaços profissionais. As ?Casas de Parto?, que já existem com sucesso em São Paulo, serão difundidas como espaços de resistência e de atendimento à população. ?Como o nosso maior problema é a falta de vontade política, só com organização vamos conquistar mais espaço?, sentenciou a presidente do CNE, Carmem Almeida, uma das 7 mil inscritas para o evento. Com 31 anos de profissão ela sabe que sem mobilização o quadro não muda. Quando se formou em 1973, Carmem integrou a primeira turma que teve a formação reconhecida pelo Ministério da Educação e da Saúde. ?Hoje continuamos lutando para que os auxiliares de enfermagem possam se profissionalizar ainda mais, porque essa é uma necessidade dos dias de hoje?, alertou Carmem. Câncer E só a formação vai garantir espaço no mercado de trabalho. Atualmente, conforme decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), os profissionais de enfermagem, com nível superior, podem administrar medicamentos para o tratamento quimioterápico, aplicado a pacientes com câncer. A conquista na Justiça também representou um enfrentamento com a área médica. Na contestação que faziam, os profissionais argumentaram que os colegas enfermeiros não seriam capazes de realizar o planejamento para o tratamento da enfermidade.|MR