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Alagoas passa em branco anivers�rio de Mestre Gra�a
| CARLA SERQUEIRA Repórter Mesmo sem programação oficial do governo, admiradores da obra e da vida do escritor alagoano Graciliano Ramos se reuniram ontem para lembrar mais um aniversário de seu nascimento. No dia 27 de outubro de 1892 - há 113 anos -, na cidade de Quebrangulo, ganhou vida o autor de Vidas Secas para, mais tarde, tornar-se um imortal da literatura mundial. No Conjunto Graciliano Ramos, Tabuleiro do Martins, a data não passou em branco. Na sede da Organização Não-Governamental (ONG) Graciliano é uma Graça, jovens fizeram leituras em grupo de diversos trechos dos livros do autor. ?Ler na companhia de amigos se torna divertido. Ninguém fica cansado. Nem dá vontade de parar?, diz a estudante da 8ª série, Aline Pimentel. Por volta das 20h, a comunidade inteira do conjunto foi presenteada com um clássico. O filme São Bernardo, baseado no livro de Graciliano Ramos, publicado em 1934, foi exibido na praça batizada com o seu nome e atraiu dezenas de pessoas, entre elas crianças, idosos e jovens. Para o presidente da organização não-governamental, Nilson Júnior, a exibição aproximou ainda mais o povo da obra de Graciliano Ramos. ?Muitos moradores sequer sabiam que ele foi um escritor famoso?, conta ele, explicando que o desafio da ONG é transformar o conjunto em um Ecomuseu, um museu ao ar livre. De acordo com Nilson Júnior, 120 jovens estão difundindo as histórias de Graciliano Ramos entre os moradores que vão incrementar o bairro com esculturas, painéis e outras manifestações, com o intuito de gerar, a longo prazo, um grande movimento cultural?, revela. ### Exposição conta a trajetória política e literária do escritor No Colégio São José, instalado no Centro de Maceió, o 113º aniversário de Graciliano Ramos também foi comemorado. Cerca de 80 alunos criaram uma exposição de painéis que conta a trajetória política e literária do escritor. A iniciativa aguçou a curiosidade dos alunos, muitos deles já iniciados na produção poética. ?É muito importante mantermos viva a memória sobre as realizações de Graciliano Ramos. Muitas destas crianças podem, inclusive, desenvolver dotes literários a partir das leituras de suas obras?, comenta a diretora-geral do colégio, irmã Ione Vilar, anunciando o VII Festival Graciliano Ramos de Poemas que vai acontecer no próximo sábado, entre os alunos da unidade. ?Há crianças que desde a 5ª série produzem poesias. Isso nos faz acreditar que introduzi-las cada vez mais cedo no mundo literário ajuda neste processo criativo?, diz a diretora. Graciliano Ramos foi ainda prefeito de Palmeira dos Índios (1927) e diretor da Imprensa Oficial (1932). Entre suas obras estão Caetés (1933), Angústia (1937) e Vidas Secas (1938). |CS