Cidades
Vereadores v�o decidir sobre nova tarifa
REGINA CARVALHO Repórter A decisão sobre o reajuste da tarifa de ônibus em Maceió - dos atuais R$ 1,45 para R$ 1,70 - está nas mãos dos 21 vereadores da capital. Na reunião de ontem, entre os 12 membros do Conselho Consultivo da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), a proposta tirada foi consensual, e se a Câmara aprovar terá que ser sancionada pelo prefeito Cícero Almeida (PTB). ?Acho errado esse aumento. A população de baixa renda terá problemas para pagar a passagem, que já era cara. Isso vai complicar ainda mais a minha vida?, lamenta o pedreiro Marcos Vinícius Diamar, que já contabiliza um gasto de quase R$ 90 por mês com passagens de ônibus. O reajuste não agradou aos empresários que queriam R$ 1,86 e prometem voltar a pedir um novo aumento caso o acesso aos ônibus não receba fiscalização mais ostensiva pelos órgãos públicos. Gratuidade falsa ?Tem muita gratuidade falsa. Tem falso estudante e falso deficiente. Muita gente usa o ônibus de forma gratuita e não deveria. É preciso que isso não aconteça. Por causa disso o consumidor final é quem paga. Quase 30% do pessoal que anda de ônibus não paga?, alertou o administrador da viação Piedade e representante do Sindicato dos Transportadores Urbanos de Maceió, Rubens José Simões Pimenta. A SMTT propôs que a tarifa de ônibus ficasse em R$ 1,65 (em Aracaju, a tarifa é de R$ 1,45; em Natal R$ 1,45 e Salvador 1,70). Por sua vez, os estudantes queriam que o valor permanecesse o mesmo. É um absurdo! O pedreiro Marcos Vinícius conta que há dois anos recebe a mesma diária de trabalho no valor de R$ 25 e por isso não entende o aumento da passagem. ?Não tenho aumento, mesmo assim vou ter que pagar mais. É um absurdo!?, reclama. O último reajuste aconteceu em dezembro do ano passado. De R$ 1,25 a tarifa passou para R$ 1,45, valor que prevalece até hoje. ?Se não houver ação para consertar o que está acontecendo, em dois meses estou pedindo reajuste de novo?, informou o administrador da empresa Piedade, Rubens José. A reunião teve a participação da Transpal, taxistas, União Estadual dos Estudantes, OAB/AL, CDL e prefeitura. ### Vale-transporte preocupa comerciantes Representando a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Luís Antônio Jardim participou da reunião e discordou do reajuste da passagem. ?Pelo lado empresarial nos preocupa o reajuste por causa dos vale-transportes, que acabam aumentando nossos gastos?, disse. Ele denuncia que algumas empresas não estão contratando funcionários que precisam pegar vários ônibus para chegar ao local de trabalho. ?A idéia é criar um patamar máximo de gratuidade. As empresas não estão contratando gente que pega dois ônibus. Pior ainda será para quem mora em locais distantes?, acrescenta o representante da CDL. O representante dos estudantes, José Luís da Silva, reclama que a prefeitura não está ouvindo os estudantes. ?Prometeram que não iam aumentar passagem, mas fazem o contrário e acabam prejudicando quem ainda não tem renda e estuda em escola pública?, acrescentou. O vigilante Marcos dos Santos não estava sabendo que haveria reajuste no preço da passagem. Insatisfeito, ele conta que receberá aumento salarial nos próximos dias, mas que não vai mais comemorar. ?Vai aumentar mais a passagem? Já está difícil pagar esse valor. Eu pensei que sobraria um pouco de dinheiro do meu salário, mas vejo que isso não vai acontecer?, destacou. Para José Torquato, líder comunitário, o que deveria estar sendo discutido nesse momento seria a diminuição da tarifa e não o reajuste. ?Estou pagando a passagem de outras pessoas. Não aceito que um estudante de escola particular pague menos do que eu. A população não agüenta mais tanto aumento?, destacou. |RC ### Professores podem ter meia-passagem BLEINE OLIVEIRA Os problemas que envolvem tarifa e gratuidade, junto a categorias como os comerciários e estudantes, também devem chegar aos professores. É que um projeto de lei, apresentado pelo vereador Diogo Gaia (PFL), garante aos professores das redes públicas municipal e estadual, e privada de Maceió, o direito à meia-passagem nos ônibus urbanos. A proposta está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Vereadores. A idéia do vereador é assegurar condições de transporte para os professores, a exemplo do que já é assegurado aos estudantes na capital, considerando principalmente os baixos salários pagos à categoria. Na sua proposta, Diogo Gaia sugere que o projeto seja discutido com os órgãos públicos do setor, com especialistas e com representantes dos sindicatos de professores. A presidente do Sinteal, por exemplo, Girlene Lázaro, disse que o projeto é positivo e descartou as críticas feitas por representantes da Transpal, que representa os empresários de ônibus, de que a medida é assistencialista. ?Nos interessa discutir políticas públicas que garantam melhores condições de trabalho e de salários, para as demais categorias da área de educação?, disse ela. Já os empresários acham que a iniciativa é polêmica, cabendo ao vereador dizer quem vai arcar com o custo do desconto de 50% na tarifa para professores. Em defesa de sua proposta, Diogo Gaia explicou que cabe ao poder público analisar e encontrar formas de viabilizar o benefício, à uma categoria cujo papel ?na construção da sociedade é de vital importância?.