Cidades
Flores de AL conquistam novo mercado na Europa
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter Atalaia - A vida, num mar de rosas. Ou melhor, num mar de flores tropicais cheias de cores e formas que atraem cada vez mais o mercado brasileiro e o europeu. Desde que decidiu transformar o gosto pelo cultivo de flores em um negócio e extrapolar os limites do jardim da casa onde morava em Coruripe, a floricultora Maria Emília Acioly não quis saber de outra coisa. Hoje ela se diz mais realizada do que na profissão de assistente social, para a qual estudou. Emília comanda uma equipe de 30 pessoas, a maioria do sexo masculino, entre flores que são colhidas nas primeiras horas do dia, lavadas, tratadas, hidratadas, embaladas e entregues para o mercado interno, ou exportadas em hastes ou buquês para a Europa. No dia da visita da reportagem, Emília e sua equipe trabalhavam duro (mas entusiasmadas) desde às 5h da manhã, numa área de produção de 22 hectares, na divisa entre os municípios de Atalaia e Maribondo. Faziam a sua parte para garantir a remessa de 1.500 buquês (cerca de 10 mil hastes de flores e folhas tropicais) para a Suíça, o mais novo mercado conquistado pela cooperativa de produtores de flores tropicais de Alagoas (Comflora), da qual Emília é membro. A Suíça não é apenas um novo cliente das flores produzidas em Alagoas. Com ela, os produtores comemoram ?um grande contrato?, que vai dobrar, com 1.500 buquês semanais, as remessas de buquês prontos já feitas para Portugal e França. Nasce um novo nicho para o mercado das flores tropicais produzidas em Alagoas. Um caso de paixão Há 11 anos a assistente social Emília Acioly abandonou a profissão e passou a dedicar-se, de corpo e alma, a um novo aprendizado: a produção comercial de flores tropicais. No novo currículo, conhecimentos sobre como lidar com a terra, plantio e colheita de flores, comercialização, mercado nacional e internacional, exportação, gerenciamento de recursos humanos, produção de buquês, contabilidade e cooperativismo são disciplinas obrigatórias. ### Agilidade é o ingrediente para garantir bons negócios A nova empresária teve que aprender, também, a lidar com o tempo, para estar sempre presente nos negócios, sem abrir mão do acompanhamento da família, que inclui sete filhos, entre cinco e 21 anos. ?Tenho uma boa equipe em casa e no trabalho. Isso é fundamental. E como tudo foi acontecendo aos poucos, deu para conciliar a vida de mãe, dona-de-casa e empresária, sem traumas nem perdas?, diz Emília. O dinamismo também é ingrediente indispensável na receita de sucesso da empresária das flores. Ela mantém um ?escritório? sempre ao alcance das mãos. Seja em casa (na Jatiúca), na sede comercial da empresa (no Benedito Bentes), ou no plantio de flores, na Fazenda Serra Azul, em Atalaia: uma pasta com documentos, e-mails, catálogos e uma foto da família. Caso de paixão Mas para quem pensa que a vida de uma produtora de flores tropicais é sempre um mar de rosas, pode se enganar. No preparo para exportação do produto, o dia de Emília e de sua equipe começa às 5 da manhã e só termina por volta da meia-noite. O intervalo para o almoço é entre um buquê e outro. ?Todos nós nos transformamos em bóias-frias, pelo menos uma vez por semana?, diz a empresária. ?Precisamos fazer tudo no mesmo dia, quando é para exportação. Assim ganhamos mais tempo de vida útil para as flores?, explica. Tudo significa fazer a colheita entre às 5 e 10 horas da manhã, evitando o sol, que desidrata a flor; lavá-las, uma a uma; fazer o tratamento fitossanitário com inseticida e fungicida; e fazer a hidratação. As plantas passam três horas em baldes, ?bebendo água? para agüentar a viagem para o exterior. Depois recebem uma camada de cera de carnaúba para manter a hidratação e acentuar o brilho e são levadas para a mesa de buquês, onde são arrumadas, colocadas em sacolas especiais, enroladas em mantas térmicas e encaixotadas. |FAL ### Cultivar flores exige profissionalismo Daí, o caminho é o aeroporto, de onde seguem para a carreira nacional ou internacional, quase sempre culminando com a decoração de ambientes. ?Tudo isso exige mão-de-obra especializada e sensibilidade, até mesmo no campo. Não é qualquer flor que serve para exportação?, diz Emília. Ela acredita que o novo nicho da importação de buquês prontos abre uma perspectiva de mão-de-obra feminina. Mas por enquanto, os próprios homens, que são maioria absoluta nos campos de colheita, fazem o trabalho com a habilidade de quem aprendeu a lição e a dedicação de quem gosta do que faz. ?Quem entra nesse mercado se identifica. Todo mundo que começou a trabalhar comigo permanece até hoje. A equipe só fez crescer ao longo desses anos?, diz Emília. Uma das mais novas aquisições da equipe é a ex-professora Tarcila Costa. Ela ensinava crianças e adultos em Pindoba. Foi atraída por um salário menor, mas hoje ?não trocaria as flores por uma sala de aula?, diz ela. dedicação e trabalho Viver entre as flores pode ser uma terapia, mas quando se torna uma atividade profissional, exige dedicação e trabalho intensos. Segundo Emília, que sempre gostou de lidar com flores, viver entre elas continua sendo gratificante e apaixonante. Mas a minha vida tornou-se uma gincana permanente. ?Não dá para arriscar com amadorismo. O que antes era terapia, hoje tem que fechar a contabilidade. É um negócio, tem funcionários e investimentos e precisa ter retorno para se manter?, diz. Entre baldes, tesouras, caixas de papelão, mantas térmicas e muitas flores, ela dá a principal receita: É preciso ter identidade com o negócio e se apaixonar perdidamente. ?Eu dormia e acordava pensando nisso?. Mas ela alerta, no entanto, que a floricultura é uma cultura nova, com um mercado se abrindo, mas exige muita capacitação e profissionalismo. ?Só se transforma em negócio quando deixa de ser fundo de quintal?. E o retorno, segundo Emília, só vem depois de 5 anos de investimento. Por ter sido pioneira, ela diz que apanhou muito no começo, mas aprendeu com os próprios erros. Hoje ela dá lições sobre ?irrigação de gotejo?, tecnologia israelense que adotou nos plantios de flores; sobre colheita; hidratação e tudo o que diz respeito ao cultivo e à comercialização do produto. |FAL ### Negócio atrai mais de 40 produtores no Estado Emília foi uma das pioneiras da comercialização de flores tropicais em Alagoas. Começou há 11 anos. Mas a afinidade com a floricultura ela ?herdou? da sogra, com quem morou algum tempo, em Coruripe. ?Ela tinha um jardim, onde colecionava espécies. Um dia chamei um arquiteto para fazer um projeto de paisagismo e ele ficou admirado de ver tantas espécies raras. Nem nós sabíamos disso. Depois, quando mudei para minha própria casa, acabei herdando o jardim da minha sogra?. Não demorou muito para a assistente social Emília Acioly descobrir o filão. O jardim de Emília, com dois hectares plantados, tornou-se fornecedor desse mercado emergente. Hoje, em Alagoas, já são cerca de 40 produtores, dos quais 20 fazem parte da Comflora. |FAL