Cidades
Mar� desencalha baleia, que � enterrada
FERNANDO VINÍCIUS Repórter Maragogi - A população de Porto da Rua, povoado que fica em São Miguel dos Milagres, litoral norte de Alagoas, voltou a respirar aliviada. A baleia que estava morta e encalhada desde sábado, 22, nos arrecifes de corais a cerca de 50 metros da praia, foi enterrada domingo. A maré forte jogou o animal de 17 metros e 20 toneladas para a beira-mar na madrugada de sexta para sábado. A possibilidade de arrastar a baleia para alto-mar foi descartada por falta de um rebocador. O custo - R$ 1 mil/hora - inviabilizou o aluguel da embarcação que trabalha no Porto de Maceió. A maré seca permitiu que dois tratores, sendo uma máquina retroescavadeira, emprestados pela Petrobras, fossem usados na operação que começou por volta das 7 horas. A baleia foi separada em três pedaços pelas máquinas para facilitar o deslocamento do animal que já se encontrava em avançado estado de putrefação. Mesmo usando uma máscara durante os trabalhos, o operador do trator passou mal por conta do mau cheiro. Curiosos acompanharam toda a operação que durou cerca de cinco horas. Um buraco com 15 metros de comprimento e 2,5 de profundidade foi aberto próximo a foz de um riacho que passa entre o manguezal, local que deve ser isolado pela prefeitura a pedido da chefia da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais. Segundo os pescadores, o terreno onde os pedaços da baleia foram enterrados pode ter a areia retirada durante as marés altas registradas em agosto. A profundidade ficou menor do que a recomendável - 8m - por conta do alcance do braço da retroescavadeira. Para se identificar a provável causa da morte da baleia macho da espécie cachalote, técnicos do Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA) removeram parte da mandíbula para análises na sede da entidade que funciona em Itamaracá-PE. Somente a força da natureza foi capaz de desencalhar a baleia. Durante a semana, duas tentativas foram realizadas usando barcos de pescadores, a última fracassou porque na noite anterior roubaram as cordas que ficaram amarradas à baleia para facilitar o arrasto na maré cheia.