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MLST diz que governo emperra reforma

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| MARCOS RODRIGUES Repórter O feriado de finados, em Maceió, será marcado por mais um acampamento de famílias do Movimento pela Libertação dos Sem Terra (MLST). Ontem, cerca de mil integrantes chegaram à capital depois de dois dias de caminhada vindos de fazendas nos municípios de Flexeiras e Joaquim Gomes. O objetivo dos integrantes do movimento é pressionar o governo do Estado e o governo federal pelo atraso na conclusão dos processos de Reforma Agrária em Alagoas. Hoje está prevista a chegada de mais 2 mil famílias que irão integrar o acampamento na Praça Barão de Sinimbu, no Centro, defronte da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). As famílias iniciaram a caminhada na segunda-feira, quando chegaram à cidade de Messias. Ontem eles se alojaram no Ginásio da Universidade Federal de Alagoas. Protesto O feriado de finados não deixará de ser utilizado politicamente pelo movimento, que já perdeu militantes nos confrontos com fazendeiros. ?Quando descermos em direção à praça, já iremos caracterizados para lembrarmos os companheiros que tombaram na luta?, adiantou Heleno Marques da Silva, membro da Direção Estadual do MLST. Marques diz ainda que a primeira audiência que o movimento terá na capital será com o governo do Estado, que em sua avaliação também tem ?emperrado? os processos de desapropriação. ?Não posso dizer que estamos tendo apoio do governo, no que se refere aos processos, porque a coisa está muito parada e tem deixado os trabalhadores ansiosos?, observou Heleno. Uma das áreas que ele citou como exemplo de tensão no campo envolvem as terras da Usina Agrisa. Em sua avaliação como são terras que poderiam assentar várias famílias, o próprio executivo poderia intervir com mais objetividade. ?São sete anos que estamos nessa luta e até agora só conversa e reunião?, desabafou Heleno. Prevendo que as negociações possam não avançar ele disse que os trabalhadores estão dispostos a ficar acampados no centro da capital por tempo indeterminado. Esforço Enquanto as lideranças mobilizam e articulam encontros com autoridades, os integrantes acreditam que vão conseguir um pedaço de terra. Essa é a realidade da agricultora Maria Cícera de Lima, 50. Com três filhos, um neto e a nora, ela não escondeu o cansaço. ?O corpo sente a caminhada, mas é pela nossa terra que estamos lutando e por isso vale a pena?, ensinou a agricultora, enquanto arrumava as coisas para dormir. Para compensar o esforço da caminhada o jantar dos sem terra foi reforçado. No cardápio batata, arroz, feijão, macaxeira, mortadela e farinha.

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