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Fam�lias relembram seus mortos

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BLEINE OLIVEIRA Repórter Pintura na fachada e limpeza interna foram as ações que a Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) adotou para que hoje, Dia de Finados, os familiares possam relembrar seus mortos num ambiente mais agradável. Os cemitérios públicos estão prontos e devem receber milhares de visitantes. Além das providências adotadas pelo poder público municipal, os próprios familiares passaram os últimos dias limpando túmulos e covas para o dia da tradicional visita aos mortos. Oportunidades Nos dois principais cemitérios de Maceió a movimentação foi intensa durante toda a semana. Muita gente antecipou a visita para evitar o lufa-lufa de hoje, mas teve quem aproveitasse para ganhar dinheiro. São adultos desempregados, adolescentes e crianças que se oferecem para fazer uma faxina geral nos túmulos e covas. ?Há seis anos venho aqui na semana antes de Finados para ganhar algum dinheiro?, diz a adolescente Cristiane Cândido dos Santos, 17 anos, residente na favela Sururu de Capote, no Dique Estrada. Junto com elas vários amigos que, perfilados na entrada, abordavam cada pessoa que entrava no cemitério de Nossa Senhora da Piedade, no Trapiche da Barra. ?É melhor do que ficar em casa, e a gente ainda ganha um trocado?, acrescenta Cristiane. O ?trocado? a que ela se refere é uma quantia que varia entre R$ 5,00 e R$ 20,00 por dia. ?Mas tem muitas pessoas pechincheiras, que dão só um real?, reclama a adolescente. A oportunidade de um dinheiro extra moveu também a faxineira Eliane Menezes a sair de Bebedouro, onde mora, até o Trapiche. Há vários anos ela cuida de túmulos no Cemitério da Piedade, o que lhe rende cerca de R$ 30,00 por dia. Eliane diz que o trabalho começa cerca de um mês antes do Dia de Finados, gerando uma renda razoável. Queixa de coveiro No cemitério de São José, no Trapiche da Barra, que também é público, o movimento foi ainda maior. Dezenas de pessoas circulavam de um lado a outro, levando velas e flores. Aquele logradouro deve ficar lotado no dia de hoje. Mas enquanto alguns choram seus mortos, os nove coveiros que ali atuam reclamam da falta de contrato de trabalho. Eles dizem que não recebem um centavo da Prefeitura para sepultar. O que ganham vem de familiares dos mortos. No único cemitério particular de Maceió, o Parque das Flores, também são esperadas milhares de pessoas, especialmente nos horários das 9h30 e 16h30, quando ali serão celebradas missas.

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