Cidades
Sem-terra homenageiam seus mortos
As três mil famílias ligadas ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) que chegaram ontem ao centro da capital alagoana, depois de dois dias de marcha, realizaram um ato simbólico em homenagem aos trabalhadores que tombaram em defesa da reforma agrária. O objetivo era denunciar o clima de violência que tem marcado as disputas entre trabalhadores e fazendeiros na região dos municípios alagoanos de Flexeiras e Joaquim Gomes. O ato ocorreu na Igreja dos Martírios, no centro de Maceió. Cada um dos trabalhadores acedeu uma vela nas calçadas em torno do prédio. O acampamento, que inicialmente seria mantido em frente ao Palácio Marechal Floriano Peixoto, foi suspenso depois que a assessoria do governador Ronaldo Lessa (PDT), informou que o grupo poderia não ser recebido devido ao feriado de Finados. Ontem, o próprio Lessa acompanhou a movimentação das famílias, a distância, enquanto passou num carro oficial, em companhia de assessores. A retirada das famílias aconteceu de forma pacífica. Apenas policiais da guarda observaram o desmonte das barracas. Ainda assim, entre os trabalhadores o clima era de enfrentamento. ?Vamos deixar a praça porque ao invés de ser do povo ela é do governador. Aqui ele é quem manda?, desabafou Cosmo José da Silva. Ele é uma das lideranças do MLST em Flexeiras e mora no acampamento Sebastião Gomes na região. Enquanto conduzia o grupo sob seu comando, ele alertou: ?O governador será o responsável por qualquer prejuízo que venhamos a provocar enquanto estivermos na capital?. Mais uma vez, com palavras de ordem em defesa da reforma agrária, os trabalhadores disseram que só deixarão a cidade depois que todas as reivindicações forem atendidas. Entre os pontos polêmicos que serão negociados nos próximos dias está a defesa da permanência das famílias em áreas da Grupo Agrisa, em Flexeiras. |MR