Cidades
Fogo em barraco queima cinco crian�as
MARCOS RODRIGUES GILVAN FERREIRA Repórteres A favela Sururu de Capote no Dique Estrada foi cenário de mais um acidente doméstico ontem. Cinco crianças se queimaram depois que uma garrafa de álcool explodiu, enquanto uma delas tentava acender um fogão improvisado para esquentar comida, dentro do barraco de lona e madeira compensada. No momento da explosão as crianças estavam sozinhas e foram socorridas por vizinhos. A menor E.S.S, 12, que brincava com as outras quatro crianças, foi a mais atingida pelas chamas. Ela teve 76% do corpo queimado e corre risco de morte. ?Eu já acordei com os gritos das crianças pedindo socorro em minha porta com os corpos em chamas?, revelou Ana Lúcia Tenório, mãe de E.S.S. As primeiras informações colhidas no local da ocorrência apontam para negligência da mãe das crianças que moravam no barraco onde ocorreu o incêndio. Ela só chegou em casa depois que as chamas já haviam sido debeladas e não sabia explicar detalhes da ocorrência. Até a tarde de ontem nenhum parente das crianças havia comparecido à Unidade de Emergência, onde estão internadas, para saber do estado de saúde delas. Na Delegacia da Mulher a desempregada Eline Rute Lopes Leite, 23, negou a versão de que tivesse abandonado os filhos para participar de uma farra, informação veiculada no bairro onde mora. Segundo ela, o acidente aconteceu na residência da sua mãe, enquanto ela estava dormindo em seu barraco. Porém, não soube dizer por que as crianças estavam sozinhas. ?A vizinha que está me acusando é mãe de Elisângela, que foi acender o fogo e acabou provocando o incêndio. Não fui eu quem deu o fósforo para ela, a polícia tinha que investigar isso. Eu estou com minhas filhas no pronto-socorro e não tem ninguém para cuidar?, disse. A polícia recebeu informações de que há cerca de seis meses outro filho de Eline, André Vitor Lopes de Souza, 2, também teria sofrido queimaduras depois que uma vela, colocada próximo ao local que dormia, provocou um incêndio dentro do barraco de Eline. A criança, que ainda faz tratamento no pronto-socorro, teve parte do corpo queimada. ?O Vitor se queimou num acidente com uma vela que eu tinha colocado para evitar que os ratos chegassem perto dele, enquanto eu ia pegar a sopa que o pessoal da Soprobem distribuía na favela?, justificou Eline. Risco de morte O caso mais grave é o da garota E.S.S, 12, que teve 76% do corpo queimado. Ela sofreu queimaduras de 2º e 3º graus e, até ontem à tarde, estava respirando com ajuda de aparelhos, de acordo com o diretor-geral da unidade hospitalar, Tadeu Muritiba. ?As queimaduras atingiram 76% de seu corpo e comprometem o sistema respiratório. Nesse momento ela se encontra sob cuidados na UTI?, explicou Muritiba. Os irmãos da garota, que também estão internados, apresentam queimaduras parciais na face, nas costas e nos braços. Os quatro poderão ser liberados nos próximos dias, já que o restante do tratamento inclui a aplicação tópica de medicamentos e renovação de curativos. ?Como envolve crianças e a mãe se encontra detida entraremos em contato com o Conselho Tutelar para que eles dêem encaminhamento?, acrescentou Tadeu Muritiba. Se confirmada a negligência, a mãe das crianças poderá ser processada, além de perder a guarda dos filhos.