Cidades
V�tima de cilada tem �rg�os doados
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A decisão dos pais do estudante José Alfredo Raposo Tenório, vítima de uma emboscada na Durval de Góes Monteiro, de doar os órgãos do filho após uma morte trágica não é a primeira a ser tomada em Alagoas. O jovem morreu ontem após três dias internado na Unidade de Emergência Armando Lages. Em janeiro deste ano, a família do estudante Israel Sampaio - vítima de uma bala perdida em Jaraguá - decidiu fazer a doação dos órgãos do jovem. O próprio Israel expressou numa carta que desejaria fazer a doação de seus órgãos quando morresse. O mesmo gesto teve a família do estudante Davi Hora, 18 anos, também vítima de uma arma de fogo, em junho deste ano. O coordenador da Central de Transplantes de Alagoas, Marcos Seabra, disse que os gestos dessas famílias servem como exemplo para outras que passem pela mesma experiência, apesar da dor provocada pela morte de uma pessoa querida. Segundo Seabra, em 1998 quando a Central de Transplantes começou a funcionar no Estado, foram realizados apenas cinco transplantes em Alagoas. Em 2004, a Central fechou o ano com 50 transplantes. Apesar desse crescimento, ele disse que a proporção do número de doadores é muito menor do que das pessoas que estão na lista de espera para os transplantes. Em Alagoas, são realizados transplantes de coração, córnea e rins. Hoje, a maior fila de espera é por rim. São 702 alagoanos, que aguardam uma doação para transplante desse órgão. Em segundo lugar, vem a de córnea com 270 pessoas na lista. Segundo Seabra, na lista de espera por um coração existe hoje uma pessoa. Ele disse que isso ocorre porque muitos morrem por causa da demora para fazer o transplante. Ele salienta que uma pessoa que precisa de um rim ou uma córnea ainda pode sobreviver por algum tempo, o que não ocorre quando a pessoa tem um problema grave no coração. Para o médico, a maior dificuldade para conseguir doadores é a resistência da família em autorizar a retirada dos órgãos, muitas vezes por questões culturais e crenças religiosas. Ele explicou que a Central de Transplantes possui uma equipe para fazer a busca ativa nos hospitais de possíveis doadores.