Cidades
Passeata diz n�o a reajuste de tarifa
| REGINA CARVALHO Repórter A manifestação contra o reajuste da tarifa de ônibus em Maceió realizada ontem começou no início da manhã, com a concentração no Centro de Estudos Aplicados de Alagoas - Cepa, no Farol. No local, palavras de ordem e revolta dos estudantes que não aceitam o novo valor de R$1,70, aprovado pela Câmara Municipal, e que vai para sanção do prefeito Cícero Almeida (PTB). ?Na verdade nós queremos a redução do valor e fomos surpreendidos com o possível aumento. A saída seria abrir novas licitações para o transporte público e assim diminuir o preço da passagem de ônibus?, lamenta Indira Xavier, da comissão gestora da Uesa. Depois da panfletagem e dos discursos, estudantes, representantes de várias entidades, lideranças comunitárias e sindicatos saíram em caminhada, às 9h30, pela Avenida Fernandes Lima, no Farol, em direção à prefeitura, no Centro. O trânsito, que foi fechado pelos manifestantes, provocou congestionamento e motoristas tiveram de desviar pela Rua Barão José Miguel, no mesmo bairro. Adesão Pouco mais de uma hora depois de deixarem o Cepa, os manifestantes se aproximaram da prefeitura, na Rua Melo Moraes. Os ânimos ficavam cada vez mais exaltados e com a adesão de mais integrantes, os estudantes resolveram atear fogo em vários pneus, bloqueando trecho do Centro. A aproximação deles fez com que pelo menos trinta guardas municipais cercassem o prédio da Prefeitura para impedir qualquer tipo de avanço. Enquanto isso o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PTB), permaneceu dentro do seu gabinete. ?A nossa intenção é sensibilizar o prefeito para que não aprove o reajuste?, lembrou Indira Xavier. Pechincha Os assessores da Prefeitura avisaram que Almeida estava disposto a receber uma comissão de estudantes. Defronte do prédio, gritos e palavras de ordem pediam que o aumento não fosse aprovado. O secretário municipal de Comunicação, Marcelo Firmino, avisou que Cícero Almeida despachou normalmente ontem e poderia conversar com os estudantes, caso eles procurassem. ?Ninguém procurou o prefeito para conversar?, declarou o secretário, afirmando que o prefeito vai continuar pechinchando. ?Ele não aceita a tarifa de R$ 1,70. Será um novo valor?, garantiu. O secretário municipal de Comunicação confirmou que na próxima terça-feira, às 9 horas, haverá uma reunião de Cícero Almeida com empresários, técnicos da SMTT e uma comissão de estudantes para discutir a nova tarifa de ônibus. Com o protesto, o trânsito no Centro ficou lento. Fiscais da SMTT improvisaram desvios na tentativa de diminuir o congestionamento. ### Estudante faz ato público contra Bush Mesmo sabendo que o prefeito estava no gabinete, os manifestantes preferiram dar continuidade à caminhada com destino à Câmara Municipal de Maceió, onde pediram uma sessão pública. Nenhum vereador estava no prédio e nem apareceu para conversar com o grupo. ?Nós somos radicalmente contra esse aumento. É um desrespeito com os pais de família e os estudantes?, destacou Carlos Roberto da Silva, presidente da Uesa. Concentrados em frente a Câmara, mais guardas municipais e o reforço de policiais militares impediram o acesso dos estudantes. Ednando de Araújo, da direção da Uesa, é um dos membros do conselho consultivo da SMTT que definiu o novo valor da passagem. ?Queremos uma tarifa zero. Como não pode, que pelo menos permaneça o mesmo valor?, disse. Maria Cícera Melo, 17 anos, estuda na Escola Estadual Margarez Lacet, no Tabuleiro. Ela participou da manifestação e caminhada. ?Com esse valor atual já falta dinheiro para o estudante pagar a passagem. Imagine se aumentar. O reajuste é um absurdo. Já fui a pé para a escola porque não tinha dinheiro?, lamentou. Professores da rede pública resolveram aderir ao movimento e criticaram o aumento do preço da passagem, acusando o prefeito de estar fazendo o ?jogo? de empresários do setor. FORA BUSH No período da tarde, no centro da capital, uma parte do grupo ainda teve fôlego para protestar contra a presença do presidente norte-americano George Bush, que deverá chegar hoje ao País. Ao todo pouco mais de 50 estudantes ligados à UNE, UJS e partidos políticos como o PT tentavam chamar a atenção da população, mas nem sempre eram compreendidos. Ainda assim o ato foi interpretado pelo estudante Gabriel Neto, da Escola Maria José Loureiro, como uma resistência. ?O protesto é para deixar claro que somos contra a presença do inimigo da humanidade. Quanto a pouca presença, penso que os estudantes devem ter mais responsabilidade com os movimentos?, defendeu Gabriel. RC/MR