Cidades
Fertiliza��o de proveta chega a Alagoas ap�s 27 anos
| NIVIANE RODRIGUES Repórter Aos 39 anos, mãe de três filhos - de 21, 19 e 16 anos, a costureira Lindinalva dos Santos Félix sentiu o desejo de ser mãe novamente. Viúva e casada pela segunda vez, ela tinha as trompas obstruídas e uma gravidez pelo método natural era impossível. Com o apoio do marido, que trabalha como cobrador de ônibus, e tem 51 anos, ela não pensou duas vezes: decidiu apelar para a reprodução assistida e hoje exibe a barriga de três meses de uma gravidez de proveta. Lindinalva faz parte de um grupo de sete mulheres que recorreram ao primeiro laboratório de reprodução humana de Alagoas, instalado em Maceió no último mês de junho e que trabalha com fertilização in vitro. Das sete mulheres, cinco conseguiram produzir embriões e engravidaram. O grupo de gestantes fertilizadas em laboratório e seus respectivos companheiros passaram por um processo de seleção, que incluiu vários exames, mas uma delas acabou abortando. As outras quatro seguem o processo normal de gestação e serão assistidas até o sexto mês pelo médico sergipano Marco Cavalcanti, especialista em reprodução humana pelo South Florida Institute for Reproductive Medicine, nos Estados Unidos, e que trouxe para Alagoas a técnica utilizada desde 1978 na Inglaterra, o primeiro país a gerar um bebê de proveta, Louise Brown, hoje com 27 anos. No Brasil, a técnica é usada desde a década de 80. Marco Cavalcanti trabalha com fertilização in vitro há dez anos em Aracaju (SE), onde possui laboratório. Os equipamentos, de última geração, foram adquiridos nos Estados Unidos e na França. O médico revela que um total de 26 óvulos foi fertilizado, produzindo-se 24 embriões. Dezoito embriões foram transferidos para o útero das cinco pacientes; seis evoluíram para gestação e um foi abortado. ### Gravidez ocorre em 60% das mulheres abaixo de 30 anos A reprodução humana se dá quando os óvulos encontram os espermatozóides e são fertilizados nas trompas, gerando embriões que após cinco dias migram para o útero, onde se desenvolverão. Quando esse processo não ocorre espontaneamente, a gravidez só será possível por meio da reprodução assistida, que hoje dispõe de várias técnicas para ajudar as mulheres que sonham ser mães, mas não conseguem. Uma das técnicas é a proveta ou reprodução in vitro, que consiste em retirar óvulos da mulher e colocá-los em uma proveta (uma placa de cultura que se assemelha a uma caixinha), onde também serão colocados os espermatozóides. É nessa caixinha, onde óvulos e espermatozóides se encontram, que se dará a fertilização. Três dias após a fertilização, acompanhamento e tratamento diários, os embriões serão transferidos da proveta para o útero. Segundo o médico Marco Cavalcanti, são colocados de três a quatro embriões no útero e a chance de fertilização é de 60% para mulheres com menos de 30 anos; 50% entre 30 a 35 anos; 40% de 36 a 40 anos e de 20% para mulheres entre 40 a 43 anos de idade. Escolha do sexo Pela técnica da proveta, que custa R$ 7 mil, há probabilidade de escolher o sexo da criança, mas por questões éticas o médico Marco Cavalcanti diz que não concorda com a exclusão de embriões por sexagem. Quanto às chances de uma gravidez de gêmeos, o médico revela que são de 20% a 30%. Já os trigêmeos ficam entre 3% a 5%. O índice de aborto de uma mulher fertilizada em laboratório é menor do que na gestão espontânea, onde em cada 100 grávidas, 25 abortam. No laboratório, segundo o cientista Marco Cavalcanti, ?o principal critério é o da biossegurança, onde qualquer possibilidade de troca do material coletado está totalmente afastada?. Mas e o que determina se uma mulher pode ou não engravidar espontaneamente? O médico Marco Cavalcanti cita entre os principais fatores a endometriose (que provoca cólicas menstruais muito fortes); infecções; problemas na ovulação e nos espermatozóides e esterilização feminina voluntária, a conhecida ligadura de trompas. |NR ### Infertilidade atinge quase 20% de casais A infertilidade atinge aproximadamente 20% dos casais em idade reprodutiva. Algumas situações, segundo ressalta o médico Marco Cavalcanti, podem piorar a viagem dos espermatozóides até as trompas, como anticorpos maternos que matam ou engolem esses gametas e muco cervical que varia sua viscosidade, facilitando ou dificultando o nado dos espermatozóides. Segundo o médico, pesquisas recentes relatam que ?o DNA dos óvulos e espermatozóides, principal matéria para formar os seres humanos, envelhece mais rapidamente quando exposto ao fumo. Este risco dobra com a obesidade. Além dos problemas de doenças crônicas associadas ao fumo e ao excesso de peso, a fertilidade diminui, reduzindo como conseqüência a taxa de nascimentos. Marco Cavalcanti desenvolveu um software inédito de inteligência artificial computadorizada que imita o raciocínio lógico de um especialista em reprodução humana e endometriose (Sistema de Auxílio ao Diagnóstico da Infertilidade). A partir do site (www.proveta.com.br) é possível conhecer se o casal é fértil ou não. |NR ### Mulheres fazem inseminação e realizam sonho da gravidez A costureira Lindinalva dos Santos mora no município de Porto da Folha (SE). Desde que ficou viúva e casou novamente, ela e o atual marido, o cobrador de ônibus Divanel, 51, pai de cinco filhos, desejavam ter outra criança. Não pensaram duas vezes. Pediram dinheiro emprestado ao irmão dela e decidiram apostar na fertilização em laboratório que Lindinalva conheceu através de conversa com um amiga. Com as trompas obstruídas, Lindinalva pagou R$ 3 mil para engravidar. Mas ainda assim diz que valeu a pena, já que o custo normalmente é de R$ 7 mil. Lindinalva sonha ter uma menina e reclama dos enjôos. M.E.N., 37, que prefere não se identificar, também é casada pela segunda vez e não vê a hora de poder pegar o filho no colo. Mãe de três mulheres, de 18, 14 e 8 anos, ela conta que o atual marido era solteiro e não tem filhos. ?Na terceira menina liguei as trompas, mas quando casei de novo queria ter outro filho. Tenho uma anemia muito forte, que me fazia desmaiar na gravidez, por isso minha mãe não queria mais que engravidasse. Tudo o que desejo agora é ter um menino?, diz M.E.N., comerciante em Arapiraca e grávida de três meses. João Gabriel e George Henrique vão completar um ano no próximo dia 15. Os gêmeos são os primeiros filhos do casal Vanine Melo Monteiro, 28, e Carlos Maurício, 30. O bancário e a esposa casaram há quatro anos e planejavam ter um filho logo no primeiro ano de casamento. Mas o que era um sonho, acabou virando uma triste realidade. Depois de várias idas e vindas ao médico, eles descobriram que Vanine tem as trompas obstruídas. Passado o susto, o casal resolveu procurar ajuda de um especialista. ?Fiquei muito abalada; o mundo parecia que tinha desabado na minha cabeça, afinal o que para a maioria dos casais é um processo natural, para nós era algo difícil. Procurei me informar e acabei indo a Aracaju [na época não havia o tratamento em Alagoas] onde me consultei com o dr. Marco e decidi fazer a fertilização in vitro?. A primeira tentativa de engravidar ocorreu em janeiro de 2003, mas não deu certo. Em março do mesmo ano Vanine fez nova inseminação e desta vez deu certo. Ela teve ameaça de aborto e aos sete meses de grávida deu à luz a João Gabriel e George Henrique. |NR