Cidades
Fernandes Lima sem sa�da para o futuro
FÁTIMA ALMEIDA Repórter Os projetos de contorno de quadras da Avenida Fernandes Lima, concebidos como paliativos para minimizar o saturamento da principal via de trânsito de Maceió, acabaram se transformando na principal solução prevista para os próximos anos. A situação é essa, por inviabilidade técnica ou financeira, já não se fala mais em duplicação da avenida, nem na ampliação da capacidade da Via Expressa, criada para dividir o fluxo de trânsito com a Fernandes Lima. Outros projetos que chegaram a ser cogitados, como a construção de um viaduto saindo da Avenida Rotary, também foram temporariamente arquivados. Mas, pelo menos por enquanto, o eixo viário do Vale do Reginaldo, propalado em campanha pelo prefeito Cícero Almeida (PTB), persiste como o projeto de saída para o futuro. Só que esse futuro é a longo prazo. A própria Secretaria de Infra-estrutura reconhece que, pelo volume de recursos, não dá para pensar em começar sem garantia de recursos da União. ### Superpista do Reginaldo será por etapas A própria prefeitura reconhece que o projeto de abrir o vão do Reginaldo para abrigar uma superpista de acesso, para aliviar a Fernandes Lima, é quase uma missão impossível. ?É um projeto para quatro anos ou mais, porque engloba o desenvolvimento dos vales de maneira mais complexa, incluindo a questão da habitação. Precisa de captação de recursos externos e deve ser feito em etapas?, diz o secretário municipal de Infra-Estrutura, Roberto Fernandes. ?É uma obra cara, porque mexe com uma enorme infra-estrutura que envolve a desapropriação, contenção de encostas e possivelmente a relocação de cerca de dois mil moradores. Precisaria de financiamento internacional?, reforça o engenheiro Roosevelt Patriota, ex-coordenador-geral do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Trânsito (Denit) em Alagoas. Mesmo assim, o secretário Roberto Fernandes assegura que o projeto continua em pauta, está em fase de diagnóstico e sendo detalhado. A idéia é fazer a ligação do Centro com a região do Tabuleiro, subindo pelo vale do riacho Reginaldo, sem passar pela Fernandes Lima. Faria conexão com a Via Expressa, complementando, de forma indireta, a meta inicial daquela via, que era ligar o Tabuleiro à região do Porto de Maceió, desviando a rota da Avenida Fernandes Lima. Contorno de quadras A Prefeitura de Maceió promete entregar, dentro de 15 dias, a conclusão de mais uma obra de contorno de quadras da Avenida Fernandes Lima, no trecho entre o Centro de Ensino e Pesquisa de Alagoas (Cepa) e o quartel do Exército, onde fica um dos principais gargalos do fluxo do trânsito. É, segundo a secretaria municipal de infra-estrutura, o mais complexo e o mais caro dos três contornos construídos até agora. FAL ### Avenida terá 4 contornos de quadra A primeira intervenção no modelo de sistema de quadra foi feita no final da gestão da prefeita Kátia Born, nas imediações da Casa da Indústria, e contribuiu, reconhecidamente, para ?desafogar? a entrada da avenida, para quem vem da parte baixa da cidade. Quando entram para as ruas paralelas, devidamente adaptadas para a nova missão, os veículos que precisam retornar deixam de ocupar a Fernandes Lima, melhorando consideravelmente o fluxo para quem segue em frente. O segundo contorno, concretizado já na gestão Cícero Almeida, reduziu os transtornos na saída e no retorno da Avenida Rotary. ?Melhorou bastante. Acho que quando fizerem os outros, vai ficar bem mais fácil circular pela Fernandes Lima?, reconhece o motorista Rômulo Medeiros. Novos contornos Segundo o secretário de Infra-estrutura, a terceira obra de contorno, nas imediações da saída da Gruta de Lourdes, será iniciada imediatamente após a inauguração do contorno do Cepa, e deve ser inaugurada ainda este ano. Aldebaran E em seguida, a quarta e última intervenção e a colocação de mais um contorno de quadra serão nas imediações da entrada do Aldebaran, já na Avenida Durval de Goes Monteiro. ?Nessa obra da área do Cepa já estamos trabalhando dentro de uma proposta de preparar a Fernandes Lima para o futuro, com o reforço do piso e uma arborização mais adequada e definitiva do canteiro?, explica Roberto Fernandes. Segundo ele, os recursos para as obras de contorno foram da própria prefeitura, cerca de R$ 700 mil. Mas para viabilizar totalmente o projeto de melhoria do piso, o município terá que buscar parcerias com o governo federal, ou verbas internacionais do Banco Mundial. ### Prefeitura assume ônus e bônus da Fernandes Lima A Avenida Fernandes Lima é o nome urbano do trecho da BR- 104, que liga o Centro de Maceió à principal saída da cidade, pelo lado Norte. Há cerca de sete anos, ainda na primeira administração da prefeita Kátia Born, o município bancou a proposta de assumir a operacionalização do trecho da rodovia federal. Desde então, tem arcado com o ônus da sua manutenção e arrecadado os bônus das multas geradas por infrações cometidas pelos motoristas na sua extensão. Aparentemente, um bom negócio para o governo federal, que aproveitou a deixa e parou de investir no trecho da rodovia. ?Tem recursos que foram anunciados por deputados, mas nunca foram liberados?, diz o secretário municipal Roberto Fernandes. Na avaliação do engenheiro Roosevelt Patriota, o governo federal pode e deve continuar investindo na Fernandes Lima. De acordo com o engenheiro de tráfego do Denit, Márcio Lanzuerksy, o contrato com o município não anula a responsabilidade federal sobre a avenida. ?Qualquer intervenção tem que ser autorizada?. ?O contorno de quadras, por exemplo, mexe com vias laterais que são da competência do município. O Denit, como órgão federal, não poderia fazer?, explica Márcio, acrescentando que o paliativo tem apresentado bons resultados. Na mesma linha, Roosevelt Patriota destaca que as análises de serventia mostram que o índice de tráfego da avenida está num grau altíssimo, por isso considera as obras de contorno de quadra como soluções, ?que têm disciplinado o trânsito e reduzido os problemas de fluxo na Fernandes Lima?. Via expressa Desde que foi concebida, na década de 70, a chamada Via Expressa nunca conseguiu cumprir seu papel de ?desafogar? a Avenida Fernandes Lima da sobrecarga de trânsito. E ao longo dos anos, essa meta tornou-se cada vez mais distante. Segundo Márcio Lanzuerksy, a rodovia foi concebida por um projeto federal, executado pelo Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), e seria administrada pelo município, mas ficou por algum tempo sem uma administração definida. O projeto, segundo ele, reservou uma margem de domínio de 80 metros laterais para futuro alargamento das faixas; espaço para a construção de vias laterais e viadutos; e previa a ligação do Tabuleiro ao Porto de Maceió, sem passar pela Fernandes Lima. Mas não houve continuidade. ?A ocupação habitacional avançou sobre a faixa de domínio, de tal modo que nem os 15 metros previstos em lei foram respeitados. O município deveria ter sido mais vigilante e impedido essa invasão?, lamenta o engenheiro. Reverter essa situação, agora, é praticamente impossível, devido ao altíssimo custo que representaria. FAL ### Projetos são muitos, mas inviáveis Mas, quais seriam as saídas definitivas para a Fernandes Lima? Na avaliação do engenheiro do Denit, o ideal seria a construção de viadutos ligando as rodovias ao interior da cidade ou evitando os cruzamentos nas avenidas de grande movimento. Uma passagem superior saindo da Avenida Rotary e passando sobre a Fernandes Lima chegou a ser cogitada, mas esbarrou no custo elevado e na resistência de comerciantes locais. Rede subterrânea Outra alternativa que entrou na lista das inviabilidades foi a duplicação da artéria principal. ?Não há espaço nas laterais. Teria que fazer uma redução drástica no canteiro central, mas há muita resistência a essa idéia?, diz Lanzuerksy. ?Tem uma verdadeira rede de serviços subterrâneos, como telefonia, fibra ótica, drenagem. Não dá para mexer muito no canteiro?, lembra Roosevelt Patriota. Além disso tem o aspecto ambiental, já que muitas árvores teriam que ser cortadas nos canteiros. O melhor mesmo, na opinião de Lanzuerksy, seria investir no melhor aproveitamento das vias paralelas. Nesse aspecto, outras barreiras não foram superadas no campo das discussões. Para dar continuidade ao trajeto das vias paralelas, teria que haver cortes por dentro do Cepa, de um lado, e pelos fundos da área do quartel do 59º Batalhão de Infantaria Motorizada, por outro. A idéia está temporariamente arquivada. Roosevelt Patriota apostaria, ainda, num melhor aproveitamento da região da lagoa, com uma via que passasse por Bebedouro e fizesse conexão com a Leste-Oeste. Seria um outro caminho. Caro, porém! Enquanto isso, os paliativos vão virando soluções. Além das obras de contorno de quadras, a prefeitura trabalha com outras intervenções visando à redução dos pontos de estrangulamento na Avenida Fernandes Lima. Alça na Iris Alagoense O investimento numa ?alça? existente em frente à entrada do Jardim Horto, passando por trás do Hiper Bompreço do Farol, é uma das alternativas. Outra, saindo da Iris Alagoense para entrar na Avenida Leste-Oeste, sem os transtornos hoje existentes, já está em andamento. Segundo a Secretaria da Infra-estrutura, já foram, inclusive, desapropriadas duas casas por trás da Igreja Nossa Senhora do Amparo, na Praça do Centenário, para viabilizar a obra. Afunilamento O afunilamento do trânsito naquela área continua sendo um dos principais gargalos apontados pelos especialistas, e para o qual ainda não existe muita alternativa de intervenção programada. Todos os caminhos, na avaliação de Patriota, passam, necessariamente, pela mobilização dos governos estadual e municipal, e da bancada federal, em busca de recursos federais e financiamentos internacionais para obras que criem alternativas definitivas ao tráfego pela Avenida Fernandes Lima. |FAL