Cidades
Grupo corta jornada e mant�m sal�rios
MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - As Indústrias Reunidas Coringa, maiores empregadoras de Alagoas depois da indústria canavieira, firmaram acordo de trabalho, considerado inédito pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT), no interior de Alagoas. O grupo arapiraquense reduziu a jornada de trabalho dos operários envolvidos na produção de derivados de milho voltados à exportação. Em vez das oito horas divididas em dois turnos, eles agora trabalham em turno único de seis horas diárias sem qualquer prejuízo de salário. Com a iniciativa, o grupo fundado há 36 anos pelo industrial José Alexandre criou a quarta turma de trabalho e gerou outros 90 empregos diretos. ?Vamos inclusive aumentar a produção dos derivados?, diz Sérgio Murilo, gerente de Marketing do grupo. Bem-estar Segundo explica o representante da Delegacia Regional do Trabalho em Arapiraca, Luís Francisco Ferreira, a redução da jornada de trabalho - oficializada no gabinete do delegado do Trabalho em Alagoas, Ricardo Coelho - surgiu da necessidade de o grupo empresarial manter o bem-estar dos operários sem necessidade de utilizá-los em horário extra. ?A indústria precisava ampliar sua produção, mas não lhe convinha utilizar os operários em horário extra. Isso porque eles já se submetiam tempo suficiente ao barulho das máquinas utilizadas no processamento dos derivados de milho?, diz Luís Francisco Ferreira. Criou-se então a quarta turma, com redução da jornada de trabalho de 8 para 6 horas diárias. ### Indústria importa milho e fatura R$ 72 milhões ao ano Juranilson Pereira, gerente de Recursos Humanos da empresa, diz que a jornada semanal de 44 horas de trabalho caiu para 36 horas. ?Não podíamos parar. Também não podíamos explorar a mão-de-obra por questões de saúde. Quem ganhou com o acordo, que é inédito no interior, foram os trabalhadores, que terão mais tempo livre para cuidar de suas famílias?, observa Juranilson. O Grupo Coringa tinha 652 funcionários - até a semana passada - e deve ampliar seu quadro funcional nos próximos dias para 702 trabalhadores. A redução da jornada de trabalho atinge, de início, os operários envolvidos na produção dos derivados de milho [flocos de milho e cuscuz], café, farinha de arroz e coloríficos [temperos em geral]. Depois do anúncio do acordo coletivo de trabalho - acertado entre a Delegacia do Trabalho e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria -, a gerência da indústria teve um ?doce problema?: ?São muitos os operários que pedem para ser incluídos na jornada de trabalho de seis horas. A iniciativa foi muito bem aceita pelos operários?, completou Juranilson Pereira. História O grupo Coringa começou na década de 60, na feira livre de Arapiraca, quando o empreendedor José Alexandre dos Santos vendia fumo numa banca de madeira. Ele percebeu que havia demanda pelo fumo embalado. Criou a marca extra-forte e passou a comercializar o produto picotado (triturado). O objetivo era facilitar o ritual de lamber a seda e enrolar o fumo, formando o tradicional cigarro de palha. Mais de quatro décadas depois de sua fundação, o Grupo Coringa já não mais depende do fumo para faturar R$ 72 milhões ao ano. O carro-chefe da produção industrial são os derivados de milho (60%), seguidos de café (22%), embalagens plásticas (20%) e fumo, que responde por apenas 7% do faturamento da empresa. ?A mudança dos costumes e hábitos fez com que mudássemos o foco de nossa produção?, observa Sérgio Murilo Pinheiro, gerente de Marketing do grupo. A decisão de manter viva a industrialização de fumo tem razões afetivas. Embora o faturamento seja pequeno, o grupo não leva prejuízo e espalha o fumo extra-forte por todo o Nordeste. Outra curiosidade do grupo é que o grosso de sua produção se baseia no milho, que é importado porque a produção alagoana é insuficiente para mais de 25 dias de trabalho da indústria. Resultado: além de absorver a produção local, a empresa importa milho de MG, BA e GO. |MM ### Arapiraca diversifica produção industrial Arapiraca, cuja economia girava em torno da produção fumageira, vive nova realidade. O município ocupa agora lugar de destaque no cenário econômico regional. Suas principais indústrias geram milhares de empregos e conseguem exportar produtos de qualidade como derivados de milho, revestimentos em PVC, peixe e café beneficiados. Encravada no coração do Agreste, a cidade também fomenta a indústria logística, que ?fatura alto? através de centros de distribuição de produtos nacionais e importados. O Grupo ASA Branca - distribuidor de produtos alimentícios - é exemplo de empresa que explora o potencial logístico de Arapiraca. A Associação Empresarial e Industrial de Arapiraca (Adedia) concentra 23 indústrias. Desse total, 12 estão no Distrito Industrial e outras 11 espalhadas pelo município arapiraquense. Em sua maioria, indústrias são arapiraquenses e geram mais de 2.500 empregos diretos. O município também exporta revestimentos em PVC utilizados na construção civil. Os mais de 280 funcionários da Araforros são responsáveis pela fabricação e exportação, para diversos estados do Brasil, de portas sanfonadas e revestimentos para teto de prédios. A distribuidora Asa Branca, genuinamente arapiraquense, cresce em torno de 15% ao ano com a exportação de peixe importado do Chile e Argentina e beneficiado para satisfazer as exigências dos consumidores alagoanos, sergipanos e pernambucanos. ?Exportamos 30 toneladas de peixe por mês?, disse o empresário Álvaro da Costa, em recente entrevista à Gazeta. O grupo Asa Branca é ainda o operador logístico da Procter e Gamble, multinacional norte-americana que montou no Distrito Industrial de Arapiraca um centro de distribuição de fraldas descartáveis e produtos de higiene para recém-nascidos, além de absorventes higiênicos. Além dos investimentos no setor privado, a aposta do setor público é a Unidade Beneficiadora de Fécula de Mandioca (Fecularia do Agreste). Inaugurada no último fim de semana pela Prefeitura de Arapiraca, a agroindústria faz parte de consórcio entre 13 municípios e tem capacidade de processar até 50 toneladas de mandioca por dia. Objetivo é exportar fécula (amido) da mandioca para diversos estados do País. MM