Cidades
Falta de recursos acentua crise no HU
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter A crise acentuada pelo corte de recursos por parte do município, e pela perda de receita em decorrência da greve dos servidores, pode levar o Hospital Universitário de Alagoas (HU) a suspender alguns serviços de atendimento e demitir 30% dos servidores contratados pela instituição, já no próximo mês. A informação é do diretor Sebastião Praxedes, que alega que a greve reduziu drasticamente o número de procedimentos e cirurgias realizados no hospital e, conseqüentemente, a receita. ?Estamos no nosso limite. E se a greve não terminar, só dá para sustentar até o fim de novembro. Teremos de adotar medidas drásticas?, diz o diretor. Segundo ele, a direção do hospital já colocou em prática algumas medidas, entre elas a suspensão da compra de equipamentos e de insumo, como luvas, seringas e outros instrumentos de primeira necessidade. ?Daqui para a frente, ou mexe na arrecadação, ou na despesa fixa, o que significa corte na folha de pagamento?. Segundo Praxedes, o hospital gasta 30% do que arrecada com pessoal. Atualmente existem 200 pessoas contratadas pela instituição. Um corte de 30% significaria a demissão de 60 pessoas, além da inviabilização de alguns serviços por falta de recursos humanos. O diretor informou que o HU vem acumulando perdas consideráveis de recursos nos últimos meses. Em agosto e setembro, o déficit chegou a cerca de R$ 100 mil/mês, no teto de Autorização para Internamentos Hospitalares (AIHs), pago pelo gestor municipal, que ficava na média de R$ 420 mil. Nos últimos meses, segundo Praxedes, o prejuízo vem aumentando e está em cerca de R$ 150 mil. ?Nosso teto de arrecadação é R$ 800 mil, mas recebemos cerca de R$ 700 mil. Este mês só chegou a R$ 600 mil e a perspectiva para o próximo mês é de apenas R$ 550 mil?, diz. Além disso, segundo ele, a Secretaria Municipal de Saúde não tem pago os procedimentos realizados extra-teto. ?Como hospital público, não podemos deixar de atender quando o limite é ultrapassado. Mas o gestor municipal não reconhece isso como débito?, diz ele. Conforme Praxedes, o HU já tem acumulado mais de R$ 700 mil em atendimentos extra-teto. Alívio Praxedes reconhece que o fim da greve não acabaria com as dificuldades financeiras, mas pelo menos levaria o hospital a retomar o seu índice normal de atendimento, o que significaria recuperar parte da arrecadação. Para dar uma idéia do prejuízo, o médico diz que a média de procedimentos cirúrgicos, que era de 12 a 14 por dia, baixou para quatro com a paralisação dos servidores. A prioridade é para os casos de alta complexidade como as cirurgias oncológicas, as neurocirurgias e os casos de urgência. As perdas também foram significativas na área ambulatorial. O banco de sangue perdeu 50% do seu teto e o laboratório reduziu o número de exames. Ontem pela manhã, os servidores da Universidade Federal de Alagoas, a qual o HU é vinculado, realizaram assembléia e decidiram manter a greve.