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Povo paga por �gua contaminada

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| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Moradores de várias comunidades em Maceió, abastecidas por sistemas clandestinos, correm o risco de estar tomando água contaminada. O alerta é dado pelo consultor da Secretaria Executiva de Recursos Hídricos, Abel Tenório, que constatou num trabalho de monitoramento da qualidade da água de Maceió a presença de nitrato, uma substância altamente cancerígena, em redes de abastecimento que não são operadas pela Companhia de Saneamento e Abastecimento d?Água de Alagoas (Casal). Na Rua Nascente do Sol, no Clima Bom 2, os moradores pagam taxa de R$ 17 para receber água fornecida por caixas d?águas instaladas pelo proprietário de um loteamento na área, conhecido como Medeiros. Eles não reclamam da situação e até agradecem por ter água em casa, já que não existe rede de abastecimento da Casal na rua onde moram. Na Grota do Rafael, no bairro de Cruz das Almas, os moradores tiveram ligada a rede de abastecimento d?água da Casal há aproximadamente menos de um ano. Antes, eles também precisavam utilizar redes de abastecimento de particulares para ter água em casa. BENESSES POLÍTICAS Abel Tenório afirma que a falta de recursos para que a Casal expanda sua rede de abastecimento é um dos fatores para a proliferação de poços, que servem para abastecer muitas comunidades, principalmente da periferia. Muitos desses sistemas clandestinos são oferecidos como benesses por vereadores e deputados, que tiram proveito político da situação. Porém, não há nenhum controle em relação à qualidade da água que está sendo servida à população. Segundo Abel Tenório, a água fornecida pela Casal tem sua qualidade controlada. Mas o mesmo não acontece em relação aos sistemas clandestinos. Ele ressalta que o abastecimento de água é uma questão de saúde pública. E como a Secretaria de Recursos Hídricos não tem poder de polícia para fiscalizar esses sistemas clandestinos, cabe à Vigilância Sanitária fazer a verificação da qualidade da água fornecida à população. Hoje, estima-se que existem mais de 400 poços em operação em Maceió. Essa exploração desordenada ameaça salinizar o lençol freático da cidade. Para fazer a perfuração de um poço, o interessado precisa obter uma licença do Instituto do Meio Ambiente e da Secretaria de Recursos Hídricos, que libera a outorga para o uso da água. Abel explica que a concessão para exploração de serviços de água é dada às prefeituras. ?Como a prefeitura não tem estrutura para prestar esse serviço, transfere essa concessão para a Casal. Mas alguns municípios possuem sistema autônomo, como São Miguel dos Campos e Penedo?.

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