loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 01/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Sem-teto de Maragogi v�o receber casa

Ouvir
Compartilhar

| FERNANDO VINÍCIUS Repórter Maragogi - Famílias que ocupam as margens da rodovia AL-101 Norte em Maragogi, município localizado a 121 km de Maceió, serão transferidas para um conjunto habitacional. A notícia foi dada pelo prefeito Marcos Dias Viana, o Marcos Madeira (PTB), em reunião realizada terça-feira, 8, na sede do Ministério Público Estadual (MPE) com a presença de 69 sem-teto. ?A medida vai atender famílias que comprovadamente moram no município há pelo menos cinco anos e são consideradas pobres na forma da lei?, esclareceu a promotora Francisca Paula de Jesus. Para identificar quem realmente se enquadra nos critérios estabelecidos, a prefeitura está atualizando o cadastro dos moradores. Há indícios da presença de pessoas que têm casa para morar e que resolveram se juntar aos sem-teto na esperança de conseguir mais uma residência. Antes da confirmação da construção do conjunto popular, existia o boato sobre a doação de casas, informação que atraiu mais gente de municípios vizinhos e até de Pernambuco. Os próprios invasores entregaram uma relação durante o encontro na sede do MPE com 22 nomes de pessoas que supostamente possuem imóveis ou não se enquadram nos outros pré-requisitos. ?A relação apresentada pelos moradores servirá para fazer cruzamento de dados com o levantamento atualizado da prefeitura?, informou a promotora. Dados referentes a agosto indicaram 91 famílias, sendo 80 de Maragogi e as demais de outras cidades. Contagem feita na sexta-feira, 11, pela reportagem da Gazeta constatou 126 moradias improvisadas, levando em consideração barracos de taipa ou de palha já concluídos e os que estão por terminar. A ocupação irregular dos dois lados da pista começou entre fevereiro e março. Além de ignorar a legislação que determina a distância de 15 metros, contados a partir do meio da rodovia, para construções que coloquem o tráfego em risco - medida desrespeitada inclusive por órgãos públicos e investimentos privados -, a presença de pessoas morando no local aumenta a possibilidade de acidentes, apesar de ausência de registros com os moradores do local. Sem qualquer tipo de infra-estrutura, como energia elétrica e abastecimento d?água, as pessoas têm sempre um motivo para justificar sua presença no local. Sentado em uma espécie de varanda, Severino Veiga do Nascimento mora há 5 meses em uma casa de taipa com a esposa e o filho de 18 anos. Ele diz que era a opção que tinha depois da chuva que deixou sua casa na grota prestes a desabar. Vivendo de biscates, conta com a ajuda dos filhos, ?todos criados no cabo do machado?. Uma placa ao lado da janela de sua morada improvisada indica a venda de farinha, fornecida por um de seus filhos, comércio que tem clientela entre os moradores, garante. Josivaldo Silva mora num barraco menor no outro lado da pista, quase em frente ao de Severino. Diz que precisou sair da casa da mãe porque tinha casado e no local moravam mais sete irmãos. Todos, inclusive a mãe, levantaram barracos porque a antiga moradia, localizada no povoado São Bento, foi destruída pela chuva de inverno. Planejado para comportar 300 casas, construídas por meio de convênio entre a Caixa Econômica Federal e a Prefeitura de Maragogi, o conjunto popular não resolverá de imediato o problema do déficit habitacional do município. Dados extra-oficiais indicam cerca de mil famílias sem moradia digna na cidade.

Relacionadas