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Nº 5712
Cidades

Avan�os m�dicos asseguram o prazer de ser m�e

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Por | Edição do dia 12/05/2002 - Matéria atualizada em 12/05/2002 às 00h00

Com oito filhos, sendo cinco naturais e três enteadas que ela criou; 15 netos e dois bisnetos, a doméstica Maria Francisca da Silva, residente na Rua Tavares Bastos, 59, no Farol, completou 100 anos na última quinta-feira, ainda lúcida, sustentando a tese de que “ser mãe é o sonho e a vocação de toda mulher. Minha alegria é ver a casa cheia e saber que tudo saiu de mim”. Natural de São Bento do Una, Pernambuco, ela casou com João Pereira da Silva bastante jovem e o filho mais velho está com 64 anos de idade. Viúva há cinco anos, dona Francisca mora com uma filha solteira, Clemilda. Quanto à saúde, revela que “o que incomoda é a vista. Só enxergo vultos, mesmo usando óculos com grau forte. Sou uma pessoa de fé em Deus e vivo feliz vendo meus filhos encaminhados na vida, com a família que constituíram”. Amor à vida José Carlos Pereira, Edméia, Clóvis e Climério, entre outros, não escondem o orgulho com a mãe. “É uma mulher corajosa, tem amor pela vida e sempre foi trabalhadora”, disse, lembrando que ela era do tipo de acordar cedo e dar conta dos afazeres da casa, dos filhos e do marido com o maior capricho. Nossa mãe é uma lição de dignidade para todos”, destacaram. Mas se antigamente a maternidade acontecia cedo, a situação atual praticamente inverteu a tradição. E o melhor: com o avanço da genética, ser mãe após os 40 anos não implica nos riscos de antigamente, para a saúde da mulher e do bebê. “A idade isolada não classifica risco. Uma mulher aos 40 pode desenvolver uma gravidez da mesma forma que uma mais jovem, graças ao avanço da medicina fetal. Com a assistência adequada, até a probabilidade de o embrião apresentar deficiência cromossômica fica praticamente eliminada”, diz o ginecologista e obstetra Marcos Cintra, especialista em medicina fetal. Segundo o médico, a gravidez de risco se dá para a mãe, quando é associada a patologias como hipertensão, problemas cardíacos ou outra doença que possa se agravar durante a gestação. “A idade aumenta o risco de um distúrbio na fecundação, ou seja, o feto em formação pode apresentar Síndrome de Down ou qualquer outra deficiência, dependendo do cromossomo afetado, mas a medicina dispõe, hoje, de exames modernos e técnicas avançadas de diagnóstico e tratamento precoce”, esclarece o profissional, lembrando que os filhos herdam dos pais a estrutura dos genes. Por isso, a chance de uma doença hereditária existe em qualquer gravidez, sendo imprescindível um acompanhamento médico bem completo. Alguns exames podem ser feitos para avaliar a saúde fetal, como a amniocentese genética e biópsia de urocorial, podendo detectar alguma anomalia e, a partir daí, se possível, realizar um tratamento de forma direta no feto. Na maioria dos casos, a natureza se encarrega de expulsar o embrião defeituoso antes que a gestação se firme. Se uma mulher aos 40 apresentar estrutura semelhante à de uma jovem aos 20 para desenvolver uma gravidez, o mesmo não acontece no quadro psicológico. Às vezes, a gravidez inesperada na adolescência, aliada à imaturidade, pode fazer com que a mãe jogue na criança um sentimento de culpa por ter perdido uma época de muitas descobertas, como observa o médico. Segurança “A mulher madura está psicologicamente mais preparada para uma gravidez. Ela já se encontra estruturada e pode passar mais segurança para a criança, sem culpá-la por ter perdido alguma etapa da vida. Mas é importante também que esta gravidez não chegue tão tarde, para evitar choque de gerações”, argumenta Marcos Cintra. Ele acrescenta que se hoje é comum vermos gestantes em idade madura, nem sempre foi assim. Basta olhar para trás e perceber que as mulheres do início do século até a década de 50 casavam muito cedo, comparando-se o padrão atual, e tinham filhos entre 16 e 25 anos. Além da cultura, imperava na época a idéia de risco de vida, para mãe e bebê, em gravidez acima de 35 anos, risco que não existe com os avanços atuais da medicina nesse setor.

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