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Pr�dios hist�ricos revelam tesouro pouco valorizado
| NIVIANE RODRIGUES Repórter O sol se põe e as primeiras luzes do início de noite revelam verdadeiros tesouros guardados em prédios históricos de Maceió: os lustres. Peças utilizadas há séculos para iluminar ambientes ou simplesmente como símbolo de elegância, os lustres são atração à parte no cenário que compõe a arquitetura e o acervo histórico e cultural de casarios, igrejas, residências e do Palácio do Governo. Charme e beleza De bronze, vidros coloridos ou do tradicional cristal, eles mantêm até hoje o charme dos ambientes mais requintados, no entanto nem sempre são notados por quem freqüenta esses lugares. ?Além de iluminar, um lustre, mesmo não sendo de época, compõe e é um atrativo em um ambiente, por sua beleza e estilo?, avalia o arquiteto Paulo Góes, diretor-presidente de Teatro do Estado de Alagoas (Diteal). ### Alagoas apaga os registros históricos sobre peças raras Apesar do valor, são poucos os registros históricos em Alagoas sobre os lustres. Há, inclusive, quem diga que a maioria já não é mais original, que teriam sido substituídos por peças em estilo de época semelhantes às originais. A Gazeta de Alagoas percorreu alguns pontos da cidade para mostrar a beleza e a importância dessas peças. A equipe de reportagem esteve acompanhada dos arquitetos Kika Costa Chroniars e Gustavo Ramalho, formados pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e proprietários de uma loja especializada na venda de lustres. Nossa primeira parada é na Associação Comercial de Maceió, localizada no bairro de Jaraguá. No suntuoso prédio, de estilo neoclássico com fachada greco-romana, inaugurado em 1928 com a presença da alta corte alagoana, os lustres chamam atenção logo na entrada. Mas é no salão nobre onde está uma das peças mais imponentes: um lustre todo em cristal italiano murano que data, segundo o assessor especial da Diretoria de Teatro de Alagoas, Romeu Loureiro, do século 20. Na sala ao lado, onde funciona o salão de despachos, outro lustre chama atenção dos visitantes pela riqueza e beleza de detalhes, além do brilho reluzente do cristal. Estilo império Da Associação, seguimos para o Palácio do Governo, no Centro, onde os lustres embelezam todas as salas. Da Praça Floriano Peixoto avistam-se as luzes das luminárias que são um ?convite? a um passeio pelo histórico prédio do Palácio, cujo início de construção data de 1893, no governo de Gabino Besouro, mas somente inaugurado no dia 16 de setembro de 1902. Na escadaria de acesso, duas luminárias em bronze e vidros coloridos, no estilo império, misturam-se ao estilo neoclássico do prédio. Luminárias também adornam o salão de despachos e o acesso à residência oficial do governo de Alagoas, onde uma peça em bronze e cristal, com 18 lâmpadas, mostra a influência art-nuveau na decoração do Palácio, que guarda ainda em seu acervo relíquias como quadros, móveis e várias outras peças históricas. Todos os lustres do Palácio, segundo Romeu Loureiro, são originais, à exceção da peça que pende no teto do gabinete do governador. Em frente ao Palácio, a Igreja do Bom Jesus dos Martírios, com fachada de azulejos portugueses, é outro atrativo. Nela, oito lustres, todos em cristal, iluminam o prédio. Segundo o arquiteto Gustavo Ramalho, datam do século 18 e são mais antigos do que a própria igreja. São peças em cristal francês baccarat, o mais famoso do mundo, fabricado desde 1764 na cidade de mesmo nome. Saindo da Praça Floriano Peixoto, seguimos para outra praça no Centro, a Deodoro, que abriga imponentes prédios, como a Academia Alagoana de Letras e o Teatro Deodoro, considerado entre os mais bonitos do País. Na Academia, um belo lustre ?convida? os visitantes a entrar. NR ### Primeiros lustres eram iluminados a óleo Mas é no Teatro Deodoro onde podem ser vistos alguns dos mais belos lustres da cidade. São ao todo cinco peças, entre as quais a do salão de espetáculos, que apesar de não ser a original, encanta pela imponência. O diretor-presidente de Teatro de Alagoas, Paulo Góes, conta que o lustre era uma espécie ?de dívida que tínhamos com o teatro?. Isso porque, segundo ele, a peça original foi retirada para limpeza e nunca mais foi recolocada no lugar. ?Quando inaugurado, em 1910, o Deodoro ganhou um belo lustre em seu salão de espetáculos. Acredito que tenha sido comprado por Luiz Lucariny, arquiteto responsável pelo projeto do teatro?, revela. Em 1998, quando da reabertura do teatro, após algum tempo fechado para reforma, um outro lustre foi colocado, no entanto não possuía a mesma imponência do original. ?Graças à Cooperativa Pindorama, de Coruripe, foi possível montar uma peça semelhante à original, no estilo império, e que hoje virou atrativo para alagoanos e turistas que visitam o Deodoro?, diz. O lustre doado é todo em cristal italiano, tem 54 lâmpadas, 2 metros de altura e 1,4 metro de diâmetro. Os outros quatro são originais e datam da inauguração do prédio. HISTÓRIA Estudar a história dos lustres é passear pela história do próprio homem. Apesar dos poucos relatos escritos, o arquiteto Gustavo Ramalho revela que desde que o homem descobriu o fogo e pôde, por meio dele, cozinhar os alimentos, percebeu que dali poderia gerar luz para o ambiente em que vivia. Com a evolução da humanidade, diz ele, surgiram as primeiras lanternas, chamadas lucernas, onde era colocada gordura (óleo) animal para acender um pavio. Eram transportadas na mão, feitas em bronze, metal ou madeira. Esses instrumentos também evoluíram e o homem logo percebeu que colocando-os no alto proporcionaria maior luminosidade. Da gordura animal passou-se a utilizar o carbureto para acender os lampiões. Com a descoberta da vela, logo o carbureto foi substituído e as lucernas deram origem aos primeiros chandeliers, pendentes com vários ?braços? onde eram distribuídas velas. Nessa processo de evolução, o homem percebeu que se colocasse elementos que refratassem a luz teria luminosidade melhor distribuída. ?Passou-se a utilizar vidro e quartzo, que não potencializavam a luz?, diz o arquiteto. Somente no século 18, um vidreiro alemão fez uma lapidação que imitava as pedras e dava refração muito boa à luz. Ele utilizou cristal, que passou a ser usado em larga escala, não apenas pela luminosidade que proporcionava, mas pela beleza. |NR