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Pescadores se unem por acesso ao trabalho

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| Fátima Almeida Repórter Há 23 anos, quando se iniciou na atividade de pesca, no município do Pilar, o pescador Gerson Joventino Gomes, 55, voltava da pescaria com a canoa cheia. Chegava a trazer 40 quilos da camurim, pescados com tarrafa. Foi das águas da Lagoa Manguaba e do Rio Paraíba que ele tirou o sustento da família e garantiu a formação dos três filhos, todos com graduação universitária. Como se antevisse o futuro, ele não quis limitar os filhos a seguir a sua profissão. Hoje, com os altos índices de poluição e o nível de assoreamento dos rios, o máximo que Gerson tira numa boa pescaria fica entre 12 e 15 quilos de peixe. ?Não daria mais para sustentar os filhos e garantir a eles o estudo, se morassem todos comigo. Está cada dia mais difícil?, lamenta. As causas, segundo Gerson, são diversas, a começar pela ocupação das margens dos rios pelas plantações de cana-de-açúcar, até a grande quantidade de dragas que retiram areia das margens, alargando os rios e reduzindo a sua profundidade a quase nada. ?O porto do Pilar, no Pernambuco Novo, está praticamente acabado?, diz ele. Ontem, Gerson se uniu a vários colegas de profissão, atendendo ao chamado da Federação dos Pescadores, para discutir esses e outros problemas que afetam a categoria, e cobrar soluções das autoridades. No Dique Estrada, eles reuniram entidades do Estado, representantes do governo, da Igreja e dos movimentos sociais. ?Infelizmente, poucos estão aqui. Não gostam de receber cobrança?, reclamou o presidente da federação, Benedito Roque, antes de começar as atividades alusivas ao Dia Nacional de Luta dos Pescadores. Entre as ausências mais notadas, os lugares do IMA, do Ibama, da Polícia Ambiental e da Secretaria de Agricultura permaneceram vazios na mesa de abertura. O tema escolhido para a mobilização, este ano, foi a defesa da água, e da permanência e acesso dos pescadores ao seu local de trabalho. ?Precisamos de terra para moradia, mas precisamos também do acesso à água, que está sendo tirado do pescador, pela especulação imobiliária?, denuncia Benedito Roque, citando o exemplo de Ipioca, onde o acesso dos pescadores à praia foi cercado pelos proprietários de terrenos, próximo a um hotel. Outro exemplo citado por ele é Jaraguá. ?Ali é uma área de pescadores, ocupada há mais de 70 anos. Agora a prefeitura quer tirá-los de lá. Levar para onde? Para o Tabuleiro, longe da água?? O movimento se manifestou contra a transposição do Rio São Francisco e por mais investimentos para a pesca artesanal.

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