Cidades
Motorista vive drama para ter acesso a tratamento pelo SUS
| MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - O agricultor e motorista Edvaldo Araújo da Silva (47) enfrenta verdadeira via-crúcis desde o dia três de julho deste ano, quando sofreu acidente automobilístico que lhe ?rendeu? rachaduras numa das vértebras da coluna cervical. Quatro meses depois de muita dor e sofrimento - embora receba medicamentos e assistência básica da Prefeitura de Arapiraca - o paciente agoniza sem qualquer perspectiva de quando será submetido à cirurgia para colocação de órtese e prótese indispensáveis ao fim de seu sofrimento. A reportagem da Gazeta visitou a residência do agricultor no povoado Xexéu, zona rural de Arapiraca, terça-feira pela manhã. ?Abandonei a roça e não tenho como dirigir. Dependo de quatro medicamentos [fornecidos pela prefeitura] para conviver com uma dor que me inferniza 24 horas por dia. Vivo deitado ou sentado. Não sei mais o que fazer. Eu agora imploro por uma solução. Já pensei inclusive em fazer besteira. Não agüento mais?, desabafou o agricultor, que é pai de oito filhos e depende da ajuda de amigos para sustentá-los. SEM COBERTURA Depois do acidente, o paciente ficou 20 dias internado na Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca. Transferido em seguida para o Hospital Universitário (HU), em Maceió, onde seria operado, Edvaldo regressou ao Agreste dois dias depois porque o fornecedor das prótese e órtese necessárias ao ?remendo? da coluna dele não fornece as peças a pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). ?Infelizmente, o SUS não cobre despesas com esse tipo de material?, justificou Noélia Barbosa, secretária de Saúde de Arapiraca. Com fortes dores nas costas, Edvaldo Araújo utiliza um colete ortopédico doado por um amigo e continua ?internado? em sua própria residência. DIREITO À SAÚDE O médico Alberto Laranjeiras, do posto de Saúde da Vila São José e que presta assistência domiciliar ao paciente, denunciou o caso ao Ministério Público (MP) no dia 23 de setembro deste ano. ?O caso continua sem solução e o promotor não se pronunciou oficialmente nem cobrou providências da prefeitura?, queixa-se o médico. Baseado no princípio constitucional de que ?saúde é direito de todos e dever do Estado?, o promotor Saulo Ventura informou à Gazeta, ontem, que já cobrou providências da Secretaria de Saúde de Arapiraca. ?A secretária [Noélia Barbosa] me informou, por meio de ofício, que está providenciando o procedimento neurocirúrgico do paciente?, explicou o promotor. Informado pela Gazeta de que o caso continua sem solução, prometeu cobrar prazo para a realização da cirurgia. ?Se não houver solução, ajuizarei ação civil pública obrigando o município a solucionar o problema do paciente?, prometeu Ventura. ?Vamos resolver? A secretária Noélia Barbosa justificou que o atraso na realização da cirurgia se deve à tabela do SUS, que não cobre as despesas de cirurgia e colocação de prótese e de órtese. ?O SUS está estrangulado. Não há recursos suficientes para cirurgias de alta complexidade. O cidadão é de Arapiraca. Vamos então utilizar recursos públicos para resolver o problema?, prometeu Noélia. Ela também informou que aguarda para hoje à tarde relatório do neurocirugião Fabrício Avelino contendo informações sobre o procedimento e os custos da cirurgia. ?A operação deverá ser feita em Maceió?, garantiu a secretária, que deve ter hoje uma previsão de quando o agricultor Edvaldo Araújo será submetido à cirurgia para ?remendo? da coluna.