Cidades
Les�o corporal � maior amea�a � mulher
| REGINA CARVALHO Repórter O Conselho Municipal da Condição Feminina recebe uma média diária de nove mulheres, vítimas de violência em Maceió. Na Delegacia de Defesa da Mulher, do começo do ano até o dia 15 de novembro foram registrados mais de três mil e 300 casos, a maioria de ameaças e lesão corporal. No Centro de Atendimento e Referência às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica Terezinha Ramires foram atendidas mais de 800 mulheres este ano. Já na Casa do Abrigo, em cinco anos de existência foram atendidas 638 mulheres. No Conselho Municipal da Condição Feminina, 638 mulheres e crianças foram atendidas na Casa Abrigo durante os cinco anos de existência da entidade. A divulgação dos dados marcou o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Abrigo A presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina e coordenadora da Casa Abrigo, Socorro Gomes, informou que o órgão presta atendimento a mulheres vítimas de violência e encaminha os casos para serem apurados por autoridades policiais. ?Além de atender mulheres, nós somos procurados para dar apoio a aproximadamente 20 entidades que desenvolvem trabalho nas comunidades?, ressaltou Socorro Gomes. As mulheres que procuram ajuda no Conselho são vítimas de violência física e psicológica. ?A gente sente o crescimento da violência. Nos anos passados elas tinham mais medo de denunciar. Hoje ainda têm, mas já diminuiu?, comemora a presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, que funciona em prédio anexo à Secretaria Municipal de Assistência Social. ### Companheiros são os algozes das vítimas A Casa Abrigo tem capacidade para atender por mês 20 mulheres, cada uma com dois ou três filhos, mas atualmente estão sendo atendidas cinco delas e três crianças. ?Essas que ficam na instituição correm risco de morte e podem permanecer no abrigo até três meses, já que não têm para onde ir. Temos de garantir a integridade delas?, completou Socorro Gomes. De acordo com Socorro Gomes, quase todos os casos de violência envolvem os companheiros das mulheres. ?Quase que na totalidade dos casos que recebemos, as mulheres são agredidas pelos próprios companheiros?, detalhou. O levantamento aponta que a violência contra a mulher atinge todas as classes sociais. ?Chegam aqui desde universitárias a mulheres com mais recursos financeiros. Mas a incidência maior de agressões ocorre com as mais pobres e semi- analfabetas?, ressaltou. Há dois anos à frente do Conselho Municipal da Condição Feminina, implantado há 10 anos, Socorro Gomes conta que alguns casos de violência ficaram marcados entre os funcionários que trabalham na Casa Abrigo. ?Teve um caso que eu nunca esqueci. Inclusive, ela foi a primeira usuária da Casa Abrigo. Uma moça foi estuprada e teve os dois olhos arrancados. Foi terrível, muito triste?, lembrou. Num esforço conjunto dos que atuam na entidade, a vítima conseguiu a cirurgia, aposentadoria e casa. ?Foi uma situação muito angustiante para todo mundo. Até hoje ela faz exames médicos?, ressaltou a coordenadora da Casa Abrigo, Socorro Gomes.