Cidades
Falta d'�gua revolta moradores de Piau
| MAIKEL MARQUES Repórter Piranhas - Centenas de sertanejos bloquearam, ontem, por mais de seis horas, trecho da AL-220 - rodovia que liga o Agreste ao Sertão - para protestar contra a constante falta d?água no povoado Piau, zona rural de Piranhas. Os manifestantes se dizem ?revoltados? com a precariedade do sistema de captação e distribuição de água para mais de 943 residências. ?Há mais de dois meses não pinga uma gota d?água sequer da Casal na torneira de minha residência?, protestava a agricultora Maria Ferreira Rodrigues (57), que empunhava cartaz de protesto contra o governo do Estado e se dizia ?revoltada? pelo fato de receber o ?talão de água? para pagar por algo que raramente sua família consome. As famílias montaram barreira com paus, pedras e atearam fogo em pneus velhos para impedir a passagem de veículos com direção ao Agreste ou Sertão. O motorista de uma carreta furou o bloqueio, mas teve os vidros do pára-brisas quebrados pelos manifestantes. ?Não passa ninguém até que o governo apresente uma solução?, avisava João Raimundo (62), um dos articuladores do protesto. Sem água nas torneiras, restaram à população do vilarejo duas alternativas: pagar pelo líquido ou então escavar o chão do riacho da Ribeira [rio temporário que cruza a região] em busca de água suja e salgada. Os que têm dinheiro disponível alimentam uma indústria crescente: o comércio de água ?quase? potável. ?Se não comprarmos água, a gente morre de sede?, diz Maria Rodrigues. Alguns dos moradores pagam R$ 0,25 pela lata de 18 litros de água. O tonel com 200 litros não sai por menos de R$ 3,00, valor considerado elevado para o padrão financeiro da comunidade. Considerado uma exceção, o vereador Antônio Monteiro paga R$ 80 por semana para ter água em casa. Os manifestantes só concordaram em interromper o protesto mediante reunião com representantes da Casal. O representante da empresa para o Sertão, João Neto, chegou ao povoado Piau, mas não conseguiu negociar com os manifestantes, que tentaram agredi-lo com baldes vazios e água suja. Ele precisou de ajuda do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes) do 9º Batalhão da PM de Delmiro para deixar o local. André de Souza, chefe da unidade da Casal em Piranhas, assumiu as negociações e se reuniu com uma comissão de manifestantes na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Ele convenceu os manifestantes a liberarem a rodovia mediante promessa de que a companhia concluiria o abastecimento do povoado em oito dias. ?Se não resolver, a gente fecha de novo?, avisou um agricultor. À Gazeta, André Souza explicou que um dos entraves para o fornecimento é a reduzida potência das bombas do sistema de captação de água no Rio São Francisco. São duas as bombas [cada uma delas tem 40 cavalos de potência] utilizadas para levar água às caixas-d?água em Olho d?Água do Casado, de onde é enviada ao povoado Piau. ?A empresa já adquiriu nova bomba para aumentar a potência do sistema de captação?, avisou André Souza, que sugeriu aos manifestantes cobrarem melhorias no sistema à direção da empresa, em Maceió. Outra dificuldade enfrentada pela empresa para abastecer o povoado são as ligações clandestinas e o desvio [roubo] de água na zona rural. ?São constantes os furos na adutora para desviar água. Quando isso ocorre, precisamos parar o sistema para consertar a tubulação?, alegou o representante da Casal.