Cidades
Fam�lias denunciam abandono e viol�ncia
BLEINE OLIVEIRA Repórter Mais que frustradas, as famílias transferidas para o conjunto Carminha, nas proximidades do conjunto Benedito Bentes II, estão desesperadas com a falta de estrutura naquele residencial. São cerca de 5 mil pessoas, segundo levantamento feito pela associação comunitária do bairro, que se consideram completamente abandonadas pelo poder público. O conjunto Carminha foi construído para abrigar as famílias tiradas das favelas às margens da Lagoa Mundaú. A elas foi prometida uma moradia digna, com toda infra-estrutura habitacional, e apoio para desenvolverem projetos de geração de emprego e renda. Passados mais de cinco anos, o sonho de uma vida melhor transformou-se em pesadelo. ?A gente aqui vive abandonado. Sem emprego, sem assistência médica, morrendo de fome?, reclama Maria Liege Santos, desempregada, 33 anos, sete filhos. Ontem, ela passou a tarde ajudando uma prima a ?arrumar? os poucos móveis que tem para deixar o conjunto. A prima, que não quis dar entrevista, disse não suportar as dificuldades e a falta de segurança no conjunto Carminha. Como é aposentada pelo INSS, preferiu morar de aluguel ?a correr o risco de ser assaltada?. Sem polícia Os assaltos freqüentes são outro grave problema daquela localidade. ?Não tem um dia aqui sem assalto. Agora estão roubando as caixas d?água de cima das casas?, disse Maria Cícera dos Santos, que sobrevive da venda de churrasquinho na orla lagunar. A ambulante diz que sempre morou próximo à lagoa, mas foi convencida pela Prefeitura a se mudar para o conjunto Carminha. ?Não me arrependo, mas os problemas aqui são muitos. O abandono é total?, afirma Cícera. Elas diz, ainda, que a falta de segurança e de oportunidades de emprego é o que leva as famílias a venderem as casas e até trocá-las por objetos como geladeira e aparelho de TV. Sem renda Para o presidente da Associação Comunitária, Cícero Severo da Silva, os moradores do conjunto Carminha sofrem, como milhares de famílias alagoanas, a ausência dos governos (União, Estado e município). Ele diz ter feito um levantamento e verificou que 85% das famílias não têm qualquer tipo de renda, 10% vive com um salário mínimo e 5% de ?bicos?. Isso significa, afirma Severo, que a comunidade precisa do apoio que a prefeitura assegurou para convencê-la a deixar as margens da lagoa. ?Lá pelo menos podiam pescar, vender ou catar sururu, estavam mais próximos do mercado, do Centro, onde as chances de conseguir sobreviver são maiores?, argumenta Severo, funcionário público municipal. O presidente da associação, que é guarda municipal, é um dos poucos moradores a ter renda para sustentar a família. A comunidade, diz ele, precisa, entre outras coisas, de assistência médica e segurança pública.