Cidades
Sem-terra garantem fazendas em Bras�lia
BLEINE OLIVEIRA Repórter As lideranças de trabalhadores sem-terra voltam hoje a Maceió, após reunião em Brasília com a direção nacional do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Na bagagem vitórias significativas, como a decisão do Instituto de comprar as fazendas Lagoa da Cachoeira, em Piranhas, Santa Maria e Gordo, em União dos Palmares, e mais nove áreas. A decisão foi anunciada pelo próprio presidente do Incra, Rolf Hackbart, que recebeu oito dirigentes dos movimentos sem-terra que atuam em Alagoas, juntamente com os dirigentes estaduais do Instituto. O superintendente estadual, Gino César Menezes, disse que a reunião foi positiva para o avanço da reforma agrária. Gino e alguns técnicos do Incra continuam em Brasília, resolvendo pendências relacionadas aos processos já em andamento. Os dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento pela Libertação dos Sem Terra (MLST) e Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) levaram para a reunião em Brasília pautas com questões nacionais e locais. No tocante a reivindicações nacionais a vitória foi relativa. Eles pediram a revisão do Índice de produtividade (critério do Incra para decidir desapropriações), o perdão das dívidas do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e a desburocratização do acesso a créditos agrícolas. As respostas do Instituto não foram aquelas esperadas pelos sem-terra. Sobre a revisão do Índice, eles foram informados que desde abril o Incra encaminhou um projeto à Presidência da República para que a reivindicação seja enviada ao Congresso Nacional. O perdão das dívidas é uma questão que exige análise técnica. ?Ficou acertado que técnicos virão a Alagoas fazer um levantamento dessas dívidas e uma análise do perfil de cada devedor?, disse Gino César, por intermédio de sua assessoria de comunicação. Má notícia Mas a alegria das lideranças com as conquistas obtidas na reunião, entre elas o decreto que declara de interesse social as terras do chamado complexo Agrisa e a garantia de cestas básicas para os acampamentos, foi contida pela notícia do assassinato de Jaelson Melquíades, 24 anos, um dos dirigentes do MST estadual. A expectativa é de que aumente o clima de tensão em Atalaia, onde aconteceu o assassinato, já considerada área de conflito. O presidente nacional do Incra pode vir a Alagoas entre os dias 12 e 16 de dezembro.