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Estudantes s�o barrados por guardas

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| MARCOS RODRIGUES Repórter Os estudantes secundaristas e universitários voltaram ontem às ruas de Maceió para protestar contra o aumento da passagem no transporte coletivo. O confronto anunciado com a Guarda Municipal, previsto por ambos os lados, não aconteceu. Desta vez, o número de estudantes envolvidos na manifestação era menor e eles não contaram com o apoio dos trabalhadores sem-terra. Na semana passada, juntos, eles promoveram um quebra-quebra na Prefeitura Municipal danificando o prédio. Ontem, a situação era outra. O superintendente da Guarda Municipal, delegado João Mendes, montou um esquema de segurança com 125 homens, que cercaram o prédio. ?Eles podem protestar, mas não vamos permitir que depredem o prédio?, avisava Mendes. A presença dos guardas, numa espécie de cinturão humano, deu certo. Os estudantes chegaram a pedir passagem e prometeram não agredir ninguém. ?Se acontecer algo a responsabilidade é do responsável pela Guarda?, anunciavam os estudantes por meio de um carro de som. A prefeitura também utilizou um veículo da Superintendência Municipal de Iluminação Pública (Sima) para servir de barreira, caso os estudantes decidissem invadir a sede do Executivo municipal. Na avaliação dos estudantes, o aumento da passagem compromete o deslocamento para as escolas. ?Os mais penalizados são os filhos dos trabalhadores?, diz a estudante de Relações Públicas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Lara Papety. Além de protestar contra o aumento da passagem de ônibus, os gritos dos estudantes, que misturavam ataques ao prefeito Cícero Almeida, anunciavam uma outra reinvindicação: o passe livre. A proposta não é nova, mas é o principal ponto de mobilização das entidades estudantis e das correntes partidárias que atuam no movimento estudantil. Nem todos sabem qual será o mecanismo que proporcionará a instituição do passe livre, que permitiria a estudantes fardados andar nos coletivos sem pagar passagem. O tema sequer chegou a ser discutido com o Executivo, tampouco com o Legislativo. O detalhe é que as correntes estudantis, todas ligadas a partidos políticos, não acreditam que a negociação possa avançar. ?Somente a mobilização poderá pressioná-los a se posicionar sobre o assunto?, acredita Lara Papety, que diz também ter participado das manifestações realizadas no Recife, Pernambuco, contra o reajuste da passagem de ônibus. No ano passado os militantes dessas tendências participaram do Encontro Nacional do Passe Livre, em Florianópolis, Santa Catarina. Lá foi tirado um abaixo-assinado dirigido ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, para que que ele reconheça o direito à gratuidade. Frustração Ontem, durante a manifestação, algumas lideranças estudantis acreditavam que o prefeito pudesse vir à rua negociar diretamente com a categoria. Mas, segundo a assessoria do prefeito, nenhuma reunião fora agendada. Sem diálogo com o Executivo, eles agora querem que a Câmara Municipal assuma o projeto. Mas, também, não encaminharam nenhuma proposta, nem falaram com nenhum vereador sobre o passe livre. ### Protestos pioram trânsito mais ainda FÁTIMA ALMEIDA Repórter As pessoas que tiveram de trafegar pelo Farol e regiões que ficam no entorno do centro de Maceió, ontem pela manhã, enfrentaram, mais uma vez, o caos no trânsito, provocado pelas manifestações de estudantes e de sem-terra. O trânsito na Avenida Fernandes Lima ficou parado por quase duas horas. Estudantes saíram em passeata, do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa) até a Praça dos Martírios, ocupando completamente a faixa de descida da avenida. Muitos motoristas tentaram desviar por ruas paralelas, mas não obtiveram êxito. Os reflexos do congestionamento se espalharam por todos os lados, do Centro até o Farol. ?Ninguém consegue mais andar em Maceió. Todo dia tem um protesto que bloqueia o trânsito, e os nossos compromissos são prejudicados?, reclamava o engenheiro Marcelo Viana, que tentava chegar à escola dos filhos. Ele tentou avançar, saindo da Fernandes Lima e passando por trás do Cepa para pegar a Rua Virgílio de Campos, mas lá também o trânsito ficou praticamente parado, enquanto a passeata caminhava lentamente pela Fernandes Lima. Para tentar manter os transportes urbanos em funcionamento, desta vez a polícia de trânsito mudou a estratégia. O tráfego foi totalmente bloqueado antes da Praça do Centenário (na entrada da Rua Iris Alagoense). De lá, os ônibus tentavam chegar mais perto do Centro descendo pela Leste-Oeste, ou desenhando um novo percurso pelo Mirante de Santa Terezinha para chegar à Embratel. Em manifestações anteriores, os ônibus chegavam até a Praça do Centenário, e os usuários completavam o percurso até o Centro a pé. Agravante A passeata dos estudantes começou por volta das 10 horas e só terminou no início da tarde, mas antes, uma manifestação dos sem-terra na Praça dos Martírios começou a interferir no trânsito, desencadeando a série de congestinamentos que durou toda a manhã de ontem.

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