Cidades
Grupo Gay: Aids avan�a em Alagoas
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter As estátuas de Marechal Deodoro e de Dom Pedro II, no centro de Maceió, amanheceram ontem envolvidas por laços vermelhos para lembrar o Dia Mundial de Luta contra a Aids. A data foi marcada também por protestos de ONGs que desenvolvem ações de prevenção à doença, por causa da falta de camisinhas nas unidades de saúde. O presidente do Fórum das ONGs/Aids, Daniel Farias, disse que apesar de ser de responsabilidade do governo federal fazer a remessa de camisinhas, o Estado tem obrigação de entrar com contrapartida de 10% para compra de preservativos. Ele disse, ainda, que desde dezembro do ano passado existem à disposição de quatro ONGs no Estado recursos na ordem de R$ 100 mil para projetos de prevenção à doença. Mas até hoje esses recursos não foram liberados. ?Estamos correndo o risco de esses recursos serem devolvidos ao governo federal?. Aids avança em AL Segundo Daniel, o avanço no número de casos de Aids no Estado tem sido reflexo dessa deficiência no trabalho de prevenção, cujo meio principal é o uso de preservativos. ?Existem no Estado hoje 1.708 pessoas com HIV?, observa Daniel. ?Por ano, são registrados entre 140 a 150 novos casos em Alagoas?. Daniel disse que o Dia Mundial de Luta contra Aids teve como tema este ano o racismo, porque a doença atinge principalmente a população mais pobre, que não tem meios de se prevenir. ?Sessenta dos pobres são negros e a pobreza é um dos fatores de vulnerabilidade da doença?. O vice-presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGA), Marcelo Nascimento, disse que a falta de camisinhas não é o único problema na luta contra a Aids em Alagoas. FaltaM medicamentos Segundo ele, existe uma falta crônica de medicamentos nos postos para as doenças oportunistas que afetam os portadores do HIV. Ele denunciou também o tratamento que vem sendo dado aos portadores da doença no Hospital de Doenças Tropicais Hélvio Auto (HDT), que estão sendo internados ao lado de pacientes com turbeculose. ?No presídio São Leonardo também existe um preso no local em que há doentes com tuberculose?. De acordo com o Ministério da Saúde, a Aids no Brasil está perdendo força em três grupos: jovens, usuários de drogas injetáveis e crianças abaixo de cinco anos. De 1980 a junho de 2005, foram registrados 371.827 casos de Aids. A distância entre os casos da doença em mulheres e homens caiu para 1,5. No início da epidemia era de 16 casos em homem para cada mulher diagnosticada.