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Mercado imobili�rio redescobre o Farol

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NIVIANE RODRIGUES Repórter Antigo reduto da burguesia alagoana, o bairro do Farol volta a atrair os investidores do mercado imobiliário. As construções estão por toda parte. São prédios e condomínios muitos dos quais com alto padrão, para conquistar a exigente clientela que vê no Farol uma opção em relação à orla marítima de Maceió. Quem decidiu apostar no lugar como nicho de expansão imobiliária garante não ter se arrependido. É o caso do empresário e engenheiro Mário Marroquim, que há cinco anos está no ramo da construção civil. Com dois prédios em fase de construção no bairro, um na Rua Aristeu de Andrade e outro no Mirante de São Gonçalo, ele diz que não decidiu investir no bairro à toa. ?Vinha estudando a região e há três anos decidi apostar neste novo nicho imobiliário. O retorno, sem dúvida, tem sido o melhor possível. A região bucólica do Farol tem clientela fiel, que nasceu e viveu no bairro, o primeiro a concentrar a classe nobre da capital. São pessoas de alto poder aquisitivo que não querem sair daqui para morar na orla e que não vêem nenhum impedimento no trânsito da Fernandes Lima?, afirma. Antes, segundo o empresário, ?havia a clientela, mas não existia o produto. Agora, há clientela e produto à venda?. Paisagem rara Ponto turístico da capital alagoana, de onde se tem uma paisagem de beleza rara, o mirante de São Gonçalo foi um dos lugares escolhidos pelo empresário para construir. No local, um edifício de 13 andares foi totalmente vendido antes mesmo de ser concluído. São apartamentos com 250m², com quatro suítes, quatro vagas na garagem, área de lazer, quadra de tênis e outros atrativos. ### Casas antigas dão lugar a espigões com até 18 andares O empresário Mário Marroquim não fala em preços, mas garante que um apartamento no edifício que está sendo construído no Mirante São Gonçalo terá preço entre 30% a 40% menor do que um no mesmo padrão na orla. ?Aqui as pessoas terão a qualidade de vida de uma casa e a segurança de um prédio. É como estar à beira-mar, pagando-se bem menos?, ressalta. Os apartamentos devem ser entregues em fevereiro de 2007. O empresário também está investindo em um edifício na Rua Aristeu de Andrade, que terá 18 pavimentos. São dois apartamentos por andar, com 175m², cada um. A entrega está prevista para 30 meses. prédios em vez de casas Mais adiante, na Rua Comendador Palmeira, duas casas antigas, que durante anos abrigaram famílias tradicionais, começam a ser demolidas para dar lugar a edifícios. Portas, janelas e outros itens de acabamento estão sendo retirados para acelerar o ritmo da obra, que começará em janeiro de 2006. O sócio-gerente da empresa responsável pela construção, Gustavo Calheiros, diz que o grupo está há 30 anos no mercado e há três decidiu apostar no Farol e não se arrependeu. ?Se antes a Ponta Verde era o nicho imobiliário de Maceió, hoje o Farol surge como área promissora?. O prédio terá 10 andares, com apartamentos de 130m². ?São apartamentos maiores, com segurança e toda a estrutura de um condomínio, ventilação e sem o problema de falta de água, justamente o que as pessoas que fazem a opção pelo Farol procuram?, diz Gustavo Calheiros, que concluiu outro empreendimento residencial na Praça Centenário, ?onde estamos com 95% dos imóveis vendidos?, diz. As duas casas vizinhas, também construções antigas, tiveram a área demarcada e serão demolidas. No lugar, será construído um prédio com 14 andares, três apartamentos (com 135m²) por andar. O empresário Araújo Barros diz que o lançamento será no início de 2006 e a entrega em três anos. ?Temos uma lista de pessoas procurando para fazer reserva?, afirma. A opção pelo Farol, diz, tem explicação no preço. ?Terreno na orla é mais caro, o que onera o custo final da obra?. NR ### Fernandes Lima dificulta crescimento O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Alagoas (Ademi), Felipe Cavalcante, reconhece que o Farol é uma alternativa que volta a ser explorada pelas construtoras, mas considera que o trânsito da Avenida Fernandes Lima ainda emperra a expansão imobiliária do bairro. ?No dia em que os problemas do trânsito da região forem equacionados, certamente haverá melhorias para o mercado imobiliário?, diz. Na opinião dele, ?o Farol tem potencial para atender a classe média, principalmente pelo preço dos imóveis, ?em geral 30% menores do que na orla, com o mesmo padrão. Além disso, na região não há limitação no número de pavimentos, que chegam a até 20 andares, enquanto na orla não podem passar de nove?. A questão, segundo Felipe Cavalcante, é tema de um dos capítulos do Plano Diretor de Maceió, que tramita na Câmara de Vereadores. Com a votação do Plano, os empresários apostam em soluções para a Fernandes Lima. Enquanto essas saídas não são encontradas, o presidente da Ademi diz que a orla marítima continua na preferência da classe média. ?Lá não tem trânsito caótico, existe ampla área de lazer e há concentração de serviços?, acrescenta. A Ademi possui 55 associados em Alagoas. Desses, segundo o presidente da entidade, cerca de 10 fizeram opção pelo Farol como investimento imobiliário. Bairro esquecido A opinião do presidente da Ademi é compartilhada pelo empresário Márcio Rapôso, que desde 1988 comanda uma das maiores empresas do mercado imobiliário do Estado. ?Durante dez anos houve um esquecimento em relação ao Farol, justificado pela preferência do alagoano pelo mar. Por causa desse hiato, a demanda de prédios construídos ficou menor do que a procura. Para atender essa clientela, o mercado está aguçado, no entanto, nada que se compare aos investimentos feitos na orla?, diz. Para comprovar a afirmativa, ele faz um comparativo: ?Para cada dez apartamentos vendidos na orla, vende-se 1,5 no Farol. Para cada 100 prédios construídos em dez anos na orla, construiu-se dois no Farol?. Quem compra no Farol, diz Márcio Rapôso, ?são moradores fiéis, que não deixam o bairro, mas este mercado não tende a crescer?. O empresário está comercializando um prédio em fase de construção na Rua Saldanha da Gama. O edifício tem oito pavimentos, três apartamentos por andar, está com 40% das unidades vendidas e será entregue em junho de 2007. NR ### Construções atraem novos investidores O bairro do Farol também foi descoberto por uma empresa de Aracaju, considerada a maior do Estado de Sergipe no ramo da construção civil e há 47 anos no mercado. Antes de investir no lugar, a empresa realizou uma ampla pesquisa e descorbiu que a região escolhida, apesar de ainda pouco disputada pelo segmento, tem potencial para atrair a clientela: hospitais próximos, comércio, vias de acesso e, principalmente, tranqüilidade. Um condomínio com seis edifícios de nove andares, cada um, seis apartamentos por andar (com 65m² em média) começará a ser construído, devendo o primeir prédio ser entregue em novembro de 2006. Um mês e meio após o início da comercialização, 50 apartamentos já foram vendidos, segundo o gerente da filial em Alagoas, Wesley Nascimento. A diretora de Marketing do grupo, Caroline Teixeira, diz que o principal diferencial em relação a outros empreendimentos é a área de lazer, de três mil metros quadrados. ?Os moradores não vão precisar sair do condomínio para ter lazer?, diz. Outro importante diferencial do condomínio para os demais imóveis de classe média será a possibilidade de financiamento, por meio da Caixa Econômica Federal, para famílias com renda mensal de R$ 3 mil. Bons ventos Os bons ventos também sopram para os corretores imobiliários, que aproveitam o momento vivido pelo setor no bairro do Farol para fechar negócios. Arleide Buarque está na profissão desde 1985. Em 1997 montou a própria imobiliária e nos últimos anos resolveu apostar na região. ?Estou muito satisfeita com os resultados?, afirma. Para ela, nem mesmo os problemas do trânsito da Fernandes Lima têm desmotivado os investidores. ?Talvez por causa dos preços dos imóveis, bem melhores do que na orla, a procura tem sido boa. No Farol ainda é possível encontrar, dependendo da localização, apartamentos em prédios menores por R$ 60 mil, R$ 70 mil, quando na orla isso é muito difícil?, diz. Sonho realizado Morador do Farol há 30 anos, o empresário Macdouvel Rocha Brito, 30, nem pensa em deixar o bairro. Recém-casado, ele mora num apartamento alugado, mas o sacrifício de pagar todo mês por um imóvel que não é seu está prestes a acabar. Recentemente, ele decidiu financiar um apartamento num condomínio que será construído na Gruta. Juntou dinheiro, pagou uma parte à vista e o restante foi parcelado. ?Ter meu próprio imóvel era um sonho de consumo que nutria há anos. Agora, finalmente, consegui realizar?, conta o empresário, que aguarda com ansiedade a chave do apartamento no condomínio que será construído pela mesma empresa sergipana que decidiu investir em Maceió. Nem mesmo o caos no trânsito da Avenida Fernandes Lima é capaz de desestimular o empresário. ?Em todo lugar tem congestionamento?, justifica. ?Vai valeR a pena? A médica Vólia Brandão, 28, também não pretende deixar o Farol, o bairro onde sempre viveu. Com casamento marcado para o próximo ano, ela dividiu com o noivo o financiamento de um apartamento no mesmo condomínio do empresário Macdouvel Rocha, na Gruta. ?Dei R$ 6 mil de entrada e parcelei o restante em nove anos, mas vai valer a pena, o Farol é um bairro muito bom de morar. ?Moro de aluguel próximo do condomínio e o que me chamou atenção foi a estrutura do empreendimento?, afirma. Ela também não considera o trânsito da Fernandes Lima um empecilho. ?Trabalho no interior e para mim os congestionamentos não atrapalham em nada, porque meu trajeto é o Tabuleiro, ou seja, não pego engarrafamento nenhum?, diz. |NR

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