Cidades
Atraso no aluguel fecha Posto de Sa�de
| BLEINE OLIVEIRA Repórter Depois de esperar quatro meses pelo pagamento do aluguel, a proprietária do imóvel onde funciona o Posto Saúde da Família São Francisco de Paula, na Vila Emater - uma das áreas mais pobres da capital, que abriga as famílias sobreviventes do lixão, no bairro de Jacarecica - decidiu fechar as portas do imóvel. Com a medida, está suspenso o atendimento feito pela única médica que atua naquela unidade, o que deixa centenas de pessoas sem assistência. ?Não tenho outro jeito. Toda semana vou à Secretaria (Municipal de Saúde) e volto sem saber quando vou receber os atrasados?, disse Luzimar Firmino, que há mais de três anos alugou o imóvel para ser usado pela SMS como unidade de saúde. Além do atendimento médico, o local é ponto de distribuição do leite do programa estadual para famílias carentes. A responsável pela distribuição, Luciana Félix, disse que não sabe o que fará hoje, quando o caminhão faz a entrega de 640 litros. ?Vai estar todo mundo aqui na porta, mas não sei se vai dar para entregar?, afirma Luciana, que pensa em devolver o leite já que não terá condições de manter o produto acondicionado de forma correta. Os moradores da Vila Emater dizem compreender a decisão da proprietária do imóvel onde funciona o posto, mas temem ser prejudicados. ?A assistência aqui já é precária. Se faltar de vez vamos sofrer ainda mais?, diz a dona de casa Eliana Mendonça, 38, mãe de seis filhos menores. Para Eliane, a atitude de Luzimar dever servir como um alerta para a prefeitura, pois são várias as deficiências na área de Saúde naquela comunidade. Apesar de ser apresentado como unidade do Programa de Saúde da Família (PSF), o posto não oferece atendimento odontológico, o espaço é reduzido e a oferta de medicamentos é insuficiente. Solução O secretário municipal de Saúde, médico João Macário, admitiu que a situação é realmente difícil naquela comunidade, mas que a prefeitura já está buscando soluções. ?Ali não há condições de funcionar como unidade do PSF?, declarou ele. Sobre os quatro meses de aluguel devidos, o secretário disse que a quitação depende da regularização do imóvel. ?Pagamos para não deixar a comunidade sem assistência, mas fomos proibidos pela Procuradoria do Município?, afirmou, explicando que a legalização do imóvel é uma exigência do Ministério da Saúde. No caso da Vila Emater, como se trata de invasão, o imóvel não tem documentos. Mas, além de garantir que a comunidade não ficará sem atendimento, Macário disse que o débito será quitado logo que as pendências sejam regularizadas.