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Cidades

Mortandade de til�pias atinge pescador

MAIKEL MARQUES Repórter Jaramataia - Grupo de 25 pescadores que dependem do açude público de Jaramataia - o de maior volume de Alagoas - para o sustento de suas famílias em pleno calor do Sertão assistiu, ontem de madrugada, ao que considera cena de

Por | Edição do dia 10/12/2005 - Matéria atualizada em 10/12/2005 às 00h00

MAIKEL MARQUES Repórter Jaramataia - Grupo de 25 pescadores que dependem do açude público de Jaramataia - o de maior volume de Alagoas - para o sustento de suas famílias em pleno calor do Sertão assistiu, ontem de madrugada, ao que considera cena de terror. Eles acordaram assustados para presenciar a agonia e morte de 15 toneladas de tilápias, que podem ter morrido em conseqüência da falta de oxigênio na água do açude. O prejuízo dos produtores, que dependiam da venda do pescado para honrar financiamentos bancários, gira em torno dos R$ 70 mil. Um dos agricultores acordou assustado com o barulho dos peixes dentro dos tanques em plena madrugada, o que não seria cena comum. Ao observar o que ocorria, constatou a disputa por oxigênio entre centenas de peixes dentro das gaiolas. Os demais criadores também interromperam o sono, mas nada puderam fazer senão observar, com tristeza, a agonia das tilápias. “Eu nunca vi coisa igual. É horrível presenciar a morte do que serviria para sustentar minha família”, lamentou um pescador. A presidência da associação dos pescadores acionou a defensora pública da comarca, Ana Karine Brito, que solicitou investigação pela Delegacia Regional de Batalha. “Acho muito estranho o que aconteceu, uma vez que a temperatura e o nível de oxigênio da água estavam normais”, explicou a defensora pública Ana Karine Brito. Desolados, os pescadores corriam contra o tempo, ontem pela manhã, para comprar gelo e armazenar o maior número possível de peixes, que serão destinados à revenda neste fim de semana. Peritos do Instituto de Criminalística (IC) vieram de Maceió recolher amostras da água e de peixes para análise laboratorial. O objetivo é descobrir se houve falta de oxigênio ou se a mortandade dos peixes é fruto de ação criminosa. “Não podemos descartar nenhuma das hipóteses”, afirmou o veterinário Marcelo Mota, secretário municipal de Agricultura. Ele também acionou o Instituto do Meio Ambiente (IMA). A mortandade de peixes em Jaramataia trouxe à tona outro assunto polêmico, que é a divisão dos produtores em dois grupos de 25 integrantes. Até um mês atrás, os 50 produtores criavam peixes em regime de associativismo com apoio de um investidor árabe, que compra peixe para revenda aos frigoríficos que atuam na exportação do produto já beneficiado. Em virtude de uma suposta má administração, os produtores denunciaram o investidor árabe, que seria natural do Kuait. Questionada sobre o assunto, a defensora pública Ana Karine Brito alegou “segredo judicial” para não falar abertamente sobre o assunto. “O que posso dizer é que a questão está sendo decidida na Justiça”, comentou. Com a perda da produção, os pescadores estão preocupados agora com o vencimento do prazo para pagamento da primeira parcela do financiamento contraído no Banco do Nordeste (BNB). “Sem produção, não temos como pagar”, avisou um dos pescadores.

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