Cidades
Beb�s morrem queimados em inc�ndio
| FERNANDO VINÍCIUS Repórter Maragogi - Duas crianças morreram vítimas de um incêndio no barraco onde moravam no acampamento Mundo Novo, localizado na zona rural de Maragogi, litoral norte de Alagoas. A tragédia aconteceu por volta das 19h do sábado, 10, quando o casal de pequenos agricultores Edvan Alves de Assis, 22, e Josineide dos Santos, 25, deixou os filhos em casa para ir tomar banho no riacho que fica próximo ao acampamento. Durante a saída, os pais deixaram Graciele dos Santos, 2 anos, e Tiago Alves de Assis, um bebê com apenas 3 meses, dormindo. Para iluminar a casa de taipa coberta com palhas secas de coqueiro, apenas um candeeiro alimentado por querosene. Segundo os pais, a pequena Graciele era ?muito danada? e provavelmente deve ter acordado e pegado o candeeiro aceso. Ela pode ter derrubado o objeto ou ateado fogo às roupas que estavam espalhadas na casa, de um único cômodo, o que facilitou a propagação das chamas. A irmã de Edvan, Marilene Alves de Assis, foi a primeira pessoa a perceber o incêndio. Aos gritos, chamou os pais das crianças. Mas, apesar de atenderam aos chamados desesperados da tia das crianças, Edvan e Josineide não chegaram a tempo de evitar a morte dos filhos. O incêndio já tinha tomado conta do barraco e nem mesmo a ação dos moradores do local teria conseguido salvar as crianças. Técnicos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Medicina Legal (IML) recolheram os corpos carbonizados na manhã de domingo. O depoimento dos pais das crianças ao delegado de Maragogi Valter do Nascimento Rocha acontece amanhã. O casal deverá responder criminalmente por negligência e, dependendo do resultado das investigações, poderá ser também indiciado por homicídio culposo. O coordenador estadual do Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) Gildo Graciano reclama da demora em relação ao processo de regularização do acampamento Mundo Novo pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ?Se as famílias estivessem devidamente assentadas, cada uma já teria sua casa própria construída dentro dos padrões de moradia digna e acidentes como esse não ocorreriam mais?, comentou. Enquanto aguardam o resultado da negociação, os acampados ocupam lotes como se já fossem demarcados pelo Incra, distantes um dos outros.