loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

F�rum debate causas da viol�ncia em AL

Ouvir
Compartilhar

| BLEINE OLIVEIRA Repórter Entidades de trabalhadores rurais e urbanos se uniram e realizaram ontem, no auditório da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/Alagoas), no centro de Maceió, um debate sobre a violência em Alagoas. A palestrante foi a socióloga Ruth Vasconcelos, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que provocou reações com suas declarações. A professora defende a tese de que a pobreza não é a principal causa da violência. ?O desemprego e a miséria são desencadeadores. A falta de educação afetiva é que gera agressividade?, disse ela. Ruth Vasconcelos sugeriu que as entidades da sociedade civil devem lutar para que as polícias resgatem sua credibilidade. ?A polícia é um braço importante da democracia?, afirmou. Segundo ela, os policiais têm baixa auto-estima e enfrentam péssimas condições de trabalho e salários, mas estão aprendendo a respeitar o cidadão. ?Cursos de direitos humanos na Polícia Militar evitaram mortes, especialmente no campo?, completou a professora. Um dos palestrantes do evento seria o líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédille, mas, segundo lideranças do movimento em Alagoas, ele não pôde comparecer. Dirigentes estaduais do movimento disseram que Stédille não conseguiu vaga nos vôos para Maceió, que estavam lotados. Um dos coordenadores do MST, José Roberto Silva, admitiu que a ausência do líder nacional frustrou os organizadores e a audiência, pois ele falaria sobre os assassinatos de trabalhadores sem-terra. ?Mas fizemos o debate e isso garantiu alcançarmos o objetivo?, reagiu José Roberto. Familiares de vítimas da violência, como os professores Otávio Cabral, pai do estudante Guilherme, assassinado há um mês por assaltantes, em Maceió, e Cilene Bandeira, esposa de Paulo Bandeira, professor assassinado em Satuba em junho de 2003, após denunciar desvio de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), acompanharam a única palestra do evento. Na fase do debate entre a professora Ruth Vasconcelos e os presentes, inclusive membros da mesa, surgiram manifestações contrárias à afirmação dela quanto ao papel da polícia e sobre a relação entre pobreza e violência. O primeiro a discordar foi o teatrólogo e professor universitário Otávio Cabral, que apontou a exclusão social como causa do assassinato de seu filho. Para ele, sem políticas públicas voltadas para a educação, a saúde, a geração de emprego e renda a sociedade continuará sendo vítima de jovens marginais como os que mataram o estudante Guilherme Cabral. O coordenador do MST, José Roberto Silva, lembrou que em 12 anos 40 trabalhadores rurais foram assassinados em Alagoas. Em vários desses crimes há suspeitas de envolvimento de policiais. Por isso, o MST nacional cobra do Ministério da Justiça que a Polícia Federal investigue alguns dos recentes assassinatos. ?Vamos pedir à Ouvidoria Agrária Nacional que acompanhe o caso?, acrescentou.

Relacionadas