Cidades
Ato p�blico pressiona contra impunidade
| REGINA CARVALHO Repórter Uma mobilização conjunta que envolveu diversos segmentos da sociedade, realizada ontem, pediu o fim da violência e o fim da impunidade, com punição para envolvidos em crimes. A concentração, em frente ao Tribunal de Justiça (TJ), reuniu trabalhadores rurais de quatro movimentos (MST, MTL, MLST e CPT), Central Única dos Trabalhadores (CUT), igreja, sindicatos e estudantes. Os manifestantes saíram em caminhada pela ruas do centro de Maceió, passaram pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Assembléia Legislativa (ALE) e Palácio dos Martírios. Casos de violência que ganharam repercussão foram lembrados pelos manifestantes. O nome do dirigente estadual do MST Jaelson Melquíades dos Santos, assassinado no mês passado em Atalaia, era citado a todo momento pelos trabalhadores rurais, enquanto ao mesmo tempo outros membros de sindicatos gritavam pedindo justiça. Emoção O professor Otávio Cabral, pai do estudante Guilherme Cabral, morto também no mês de novembro, participou do protesto. Visivelmente emocionado, ele analisou casos de violência e a participação de jovens no assassinato de seu filho. ?Os assassinos do meu filho fazem parte de uma geração perdida?, lamenta Cabral. O ápice do ato público foi o momento em que os manifestantes jogaram água na calçada do TJ e colocaram três bandeiras pretas nas grades do portão do tribunal, simbolizando um pedido de fim para a impunidade e luto contra os crimes em Alagoas. Depois da água derramada, gritos pediram justiça a cada citação de nomes de vítimas da violência. Lavagem Os organizadores do protesto levaram dois baldes com água para despejar em cima da calçada. O assassinato do vereador de Coqueiro Seco, Renildo José dos Santos, em março de 1993, foi lembrado, assim como o desaparecimento do músico Andresson da Silveira, em maio de 1993. ?Renildo foi morto por causa de sua opção sexual. A vida perdeu o valor nessa sociedade?, declarou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), Girlene Lázaro. Taxistas e motoristas que morreram enquanto trabalhavam também foram lembrados durante o ato. Justiça O primeiro a derramar água na calçada do TJ foi o professor Otávio Cabral. ?É muito triste ter que ir para a praça pública clamar por justiça, quando isso é um dever do Estado. A morte do meu filho desestruturou minha família. O que me compete é clamar por justiça no campo e na cidade?, lamentou o professor, durante discurso em frente ao tribunal. ### Protesto pacífico não preocupou PMs Poucos policiais militares foram acionados para o local do protesto e permaneceram distantes do grande grupo que se concentrou em frente ao TJ e na Praça Marechal Deodoro. Munidos de faixas, cartazes e bandeiras de alguns partidos políticos, estudantes aderiram ao movimento. Grupos religiosos também marcaram presença no ato público. ?É obrigação da igreja participar desse tipo de manifestação. É o mínimo que se pode fazer?, detalhou o pastor evangélico da igreja Batista do Pinheiro, Wellington Santos, que também participou da manifestação. Ele iniciou seu discurso pedindo que a Justiça demonstre mais rapidez na análise de processos de crimes que envolvem poderosos. Os trabalhadores rurais pediam durante o ato público punição para os acusados de assassinar o dirigente estadual do MST Jaelson Melquíades. ?Essa semana, o delegado (Gilson Rêgo Sousa) não ouviu ninguém e até agora ninguém está preso. Queremos a Polícia Federal nesse caso, porque senão será mais um crime impune. Só não prende porque não quer, todo mundo sabe quem assassinou o companheiro, sabe que tem pelo menos quatro pessoas envolvidas no crime?, declarou o líder o MST José Roberto da Silva, ao falar sobre a morte de Jaelson Melquíades. Terras O professor Luís Gomes declarou que é necessário que a Justiça se posicione sobre a emissão dos títulos de terras, porque senão outros crimes poderão ocorrer no campo. ?Estamos aqui para cobrar justiça. Para protestar contra a violência e o assassinato do companheiro Jaelson?, citou Gomes. Durante a ?lavagem? da calçada do Tribunal de Justiça, a vice-presidente da CUT, Lenilda Lima, citou as vítimas da violência em Alagoas. Trabalhadores se emocionaram e clamavam por justiça. ?A confiança na impunidade aumenta a criminalidade. A violência está em todo lugar e pode fazer qualquer um de nós como vítimas?, completou a vice-presidente. Congestionamento O trânsito começou a ficar lento à medida que chegavam mais trabalhadores rurais em Maceió. Quando os discursos foram encerrados e teve início a caminhada, centenas de pessoas saíram em direção à OAB. Os manifestantes cobraram da Justiça mais agilidade nos trâmites dos processos e mesmo sabendo que não seriam recebidos no Tribunal de Justiça disseram que apenas a realização do ato público já teria valido a pena, para chamar a atenção das autoridades sobre o problema da violência. O trânsito na Rua Barão de Penedo foi desviado e vários trechos do Centro ficaram congestionados. Agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) orientaram os motoristas que passavam pelos locais. |RC