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Agress�o �s mulheres cresce em Macei�

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REGINA CARVALHO Repórter Entre 2000 e 2005, mais de 11 mil mulheres que vivem em Maceió superaram o drama e o medo, e denunciaram à polícia que foram vítimas da violência, e apontaram os autores das lesões corporais, ameaças e estupros - as principais ocorrências, de acordo com dados estatísticos da Delegacia de Defesa da Mulher. Os crescentes índices de maus-tratos sofridos pelas cidadãs da capital foram divulgados ontem, durante o lançamento da cartilha ?Mecanismos de enfrentamento da violência contra a mulher em Alagoas?, no Palácio Floriano Peixoto, por entidades feministas e a Secretaria Especializada da Mulher. Pelos números da Delegacia da Mulher, os cônjuges, ex-companheiros e parentes das vítimas foram responsáveis por 7.058 entre as 11.377 ocorrências, sendo que em 1.279 as vítimas não identificaram os agressores. Escolhida como símbolo de combate à violência, Jaqueline Rocha da Silva, 25 anos, foi espancada, estrangulada e queimada em 2000 pelo companheiro, o segurança José Robson Marcelino, julgado em outubro deste ano e que cumpre pena de 18 anos pelo crime no presídio Baldomero Cavalcanti. ?Essa divulgação dos dados tem um lado didático, para que as mulheres comecem a reconhecer a importância da denúncia. Elas não precisam ficar caladas?, contou a promotora de Justiça, Carmem Sílvia Nogueira Sarmento, que acompanhou o caso que envolveu Jaqueline. No dia 15 deste mês, completaram cinco anos desde o ocorrido. ?Ele sempre foi violento e muito ciumento. Ameaçava minha família, por isso eu não me separava, tinha medo de ele fazer alguma coisa contra meu pai. Hoje vivo mais tranqüila porque ele está preso. Meu conselho é que as mulheres denunciem, não fiquem caladas?, relata Jaqueline que perdeu o olho direito e uma orelha em decorrência das queimaduras. Depois das marcas que deformaram seu rosto, o tórax e os seios, Jaqueline não consegue mais arrumar trabalho. ?Já tentei emprego e não consigo. Hoje moro com meu pais, em Quebrangulo?. ### Mulheres tentam consolidar rede de combate à violência Jaqueline passou seis meses internada na Unidade de Emergência, em Maceió, e fez mais de dez cirurgias. Na época sua filha tinha apenas quatro meses e presenciou a violência. ?Hoje, minha filha tem cinco anos e me pergunta o que aconteceu comigo. Eu conto tudo?, acrescenta. Ela lembra que logo depois do atentado, tinha semana em que passava por mais de duas intervenções cirúrgicas. Emocionada, a secretária especializada da Mulher, Vanda Meneses, classificou os homens que praticam violência contra a mulher de marginais. ?A partir de 2006 devemos nos organizar para formar uma rede de combate à violência. Não é fácil mostrar um rosto que não é seu e a dor de uma alma?, disse a secretária referindo-se a Jaqueline. Ela completou que a violência contra a mulher é uma questão de saúde pública. ?Um homem que faz o que ele fez é só achando que a mulher é sua propriedade?, completou. A cartilha divulgada ontem mostra que em 2000 houve registro de 1.552 agressões; em 2004, esse número tinha chegado a 2.310, e até novembro deste ano a Delegacia de Defesa da Mulher contabilizou 2.519 agressões contra mulheres em Maceió. Isso sem falar no sub-registro, sem que a vítima aponte a autoria, e os casos que nem sequer são denunciados pelas vítimas, que ainda têm medo de apontar o autor. Violência As entidades reforçam que os dados divulgados na cartilha compõem apenas os casos denunciados à polícia. Muitas mulheres ainda escondem que são vítimas. A cartilha aponta que o companheiro é o principal autor da violência contra a mulher nos últimos cinco anos (4.017 casos), seguido de agressão provocada por outros parentes, com 2.189 denúncias. |RC ### Casa Abrigo acolhe mulheres sob ameaça A Casa Abrigo Viva a Vida, que acolhe mulheres ameaçadas e que correm risco de morte, recebeu entre setembro de 2000 e novembro deste ano 145 vítimas. Os dados constam na cartilha lançada ontem. A maioria delas, no total de 74.48%, têm entre 20 e 40 anos, são negras em 56,55% dos casos, têm primeiro grau incompleto em 65,51% e o tipo de crime que mais prevalece é o de agressão física em 57,24% dos casos, o que corresponde a 83 vítimas, seguida da ameaça de morte em 17,93%, com 26 mulheres, a maioria delas solteiras em 89,65%. O companheiro é apontado como agressor em 74,48% das denúncias. A Casa Abrigo Viva a Vida, implantada em 2000, também acolheu vítimas de estupro, espancamento, violência psicológica e abuso sexual. Nos levantamentos feitos pelos responsáveis pela entidade, a maioria das mulheres que recebem apoio tem de um a três filhos. Parte delas levam os filhos para a instituição e podem permanecer no local por até três meses. Nas informações divulgadas constam ainda os encaminhamentos. A maior parte das vítimas foi levada para morar com parentes, representando 70 dos 145 casos. Outras mulheres deixam a cidade ou o Estado depois das ameaças, no total são 34 do universo de vítimas acolhidas pela instituição. Justiça A delegada Fabiana Leão, da especializada de Defesa da Mulher, falou sobre o trabalho de apoio feito às vítimas. ?Cada dia encontramos novos obstáculos. A Justiça chega e o mais importante é não abrir mão do nosso espaço. Hoje, as mulheres estão mais organizadas?, comemora a delegada. A promotora Carmem Sílvia Nogueira ressaltou que conheceu Jaqueline no município de Quebrângulo e que ficou sensibilizado com o caso. Ela conta que o acusado José Robson chegou a ficar em liberdade por um ano e meio e fez novas ameaças a ex-companheira. ?As mulheres têm que denunciar nas delegacias especializadas da capital?, ressalta a promotora. Para a vítima, o ex-companheiro é um psicopata. ?Antes de me queimar, ele disse que me amava. Hoje não tenho ódio. Nenhum tipo de sentimento?, declarou Jaqueline. RC

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