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Nº 5728
Cidades

Jovens cultivam esperan�a no Agreste

| MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - A falta de perspectiva de jovens filhos de agricultores de três comunidades rurais de Arapiraca está dando lugar a uma nova realidade na terra do fumo. “Acredito que não será necessário deixar o campo, de onde poder

Por | Edição do dia 25/12/2005 - Matéria atualizada em 25/12/2005 às 00h00

| MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - A falta de perspectiva de jovens filhos de agricultores de três comunidades rurais de Arapiraca está dando lugar a uma nova realidade na terra do fumo. “Acredito que não será necessário deixar o campo, de onde poderei tirar meu sustento futuro por meio do plantio de hortaliças”, diz José Marcelo da Silva (25), filho de agricultores que sobrevivem do cultivo de mandioca e do fumo na região. Marcelo é um dos 90 estudantes que freqüentam o Projeto Amanhã, inaugurado em Arapiraca há quatro anos. Além de capacitar os filhos dos agricultores, o projeto tem como objetivo viabilizar a geração de emprego e renda no campo, combatendo, dessa forma, o êxodo rural na região de Arapiraca. Para garantir uma vaga no projeto, os jovens se submeteram a uma prova de redação na qual deveriam demonstrar não apenas capacidade de escrita, mas também convencer a comissão julgadora dos porquês do desejo de aprender técnicas agrícolas. Os 90 jovens com idades entre 14 e 26 anos “que não queriam meter a mão na terra” foram então à sala de aula equipada com TV, DVD, biblioteca e cinco computadores de última geração. Durante 80 horas de aula, eles recebem instrução sobre horticultura básica, cuidados com o solo e controle de pragas. Recebem ainda noções de empreendedorismo para agregar valor aos produtos cultivados no projeto. Depois da teoria, os jovens agricultores começaram a cultivar alface, coentro, cebolinha, berinjela, pimentão, couve-flor, tomate, brócolis e quiabo. Com base nas noções de agronegócio, eles já atuam na comercialização dos produtos. “A gente divide 70% do lucro com a venda das hortaliças”, diz Ana Tavares (14), da comunidade Batingas. Leia mais na E 17. ### Processo agrega valor e aumenta lucro Arapiraca - Embora tenha sido financiado com verba pública, o Projeto Amanhã é auto-suficiente quando se discute o pagamento de pequenas despesas - água e luz, por exemplo - e ainda gera “pequenos lucros” aos seus alunos, que dividem 70% do que é arrecadado com a venda das hortaliças. Os outros 30% ficam no caixa do projeto. “Há aluno que fatura alto com a venda de tomates”, lembra a professora Edinalva Pinheiro Bispo, responsável pela gestão do projeto. Os alunos integrantes freqüentam o projeto em dois turnos. Depois das noções teóricas, eles formam equipes que atuam em três linhas: hortaliças, flores tropicais e galinhas caipiras. Cada equipe de cinco integrantes cuida de um determinado produto, que é plantado de acordo com a demanda do mercado consumidor. “Até agora o tomate é o produto mais rentável”, observa o aluno José Marcelo da Silva, que caminha três quilômetros todos os dias para cuidar de sua horta. De setembro até dezembro, de acordo com os relatórios da diretoria do projeto, os alunos obtiveram lucro com a venda das hortaliças. “Em setembro, por exemplo, o lucro foi de 873 reais”, festeja a diretora Edinalva Bispo. Um dos alunos que cultivaram horta de tomates embolsou pouco mais de R$ 300 com a venda do produto no mês de outubro. “Eles participam de todo o processo: plantio, colheita, venda e divisão do lucro”, reforça a professora. Atravessadores Os alunos trabalham agora com objetivo de agregar valor aos seus produtos. Se tudo der certo, eles vão inaugurar em 2006 uma pequena estrutura para comercializar os produtos do Projeto Amanhã no centro de Arapiraca. O objetivo é se proteger dos atravessadores que “estão de olho” no projeto. “Eles terão maior lucratividade com a venda dos produtos”, explica o professor e engenheiro agrônomo José Távaro Rodrigues, que também sobrevive do cultivo de hortaliças em Arapiraca. Outro detalhe importante do projeto é o fato de que todos os estudantes “trabalham” com equipamentos de proteção contra os malefícios dos agrotóxicos que, quando necessário, são utilizados na lavoura. Três funcionários com experiência no plantio de hortaliças também trabalham no projeto em horário comercial. MM ### Município supera gargalos e vira exportador de folhosas Arapiraca - Dados da Secretaria Municipal de Agricultura indicam que Arapiraca produz mais de 4 milhões de pés de alface por mês. A produção mensal de coentro, cebolinha e couve-flor também supera a marca dos três milhões molhos por mês. Os produtos são cultivados principalmente na comunidade de Batingas, zona rural do município. As hortaliças oriundas de comunidades que fazem parte do Projeto Cinturão Verde, em parceria com a Codevasf, são a alternativa econômica aos produtores que dependiam da produção fumageira para o sustento de suas famílias. Conhecida como “terra do fumo”, a cidade de Arapiraca perdeu o posto com a decadência da cultura fumageira, no final da década de 1980. Uma década depois, o município começava a consolidar sua vertente exportadora de hortaliças. Hoje, o município é auto-suficiente na produção de cebolinha, coentro, alface, couve-flor, berinjela, pimentão e tomate. De acordo com a Secretaria de Agricultura, a alface lidera a produção. São colhidos a cada mês quatro milhões de pés. A produção gera emprego e renda para as famílias dos 220 agricultores inseridos no projeto Cinturão Verde. O município também inverteu a balança comercial. As importações deram lugar às exportações. Arapiraca exporta folhosas para Pernambuco e Sergipe. |MM

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