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Nº 5736
Cidades

Fogo destr�i pavilh�o e d� preju�zo para 230 artes�os

BLEINE OLIVEIRA EDNELSON FEITOSA FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórteres Um incêndio destruiu por completo, no início da manhã de ontem, o maior centro de artesanato de Maceió, o Cheiro da Terra, em Jatiúca, onde funcionavam 230 lojas. Os bombeiros, que volt

Por | Edição do dia 28/12/2005 - Matéria atualizada em 28/12/2005 às 00h00

BLEINE OLIVEIRA EDNELSON FEITOSA FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórteres Um incêndio destruiu por completo, no início da manhã de ontem, o maior centro de artesanato de Maceió, o Cheiro da Terra, em Jatiúca, onde funcionavam 230 lojas. Os bombeiros, que voltaram a enfrentar problemas de falta de estrutura para controlar o incêndio, levaram quase uma hora para conter as chamas (leia matéria abaixo). Eram sete horas da manhã, quando pessoas que faziam caminhada na Praia da Jatiúca perceberam uma cortina de fumaça preta saindo pelo teto do pavilhão que abriga o Cheiro da Terra. A primeira viatura do Corpo de Bombeiros chegou ao local somente 22 minutos depois, quando o fogo já tomava conta de mais da metade das lojas. “Fiquei desesperada com o que assisti, pois não tinha ninguém para impedir que o fogo destruisse tudo. Consegui pegar minhas mercadorias. Perdi o ponto, mas estou com os produtos”, afirmou Nadja Carlos da Silva, que tinha uma loja de óculos e roupas de banho. Ela afirmou que a maioria dos artesãos não estava no local. “Nós costumamos chegar às 9h30 para abrir às 10 horas”, completou. A notícia do incêndio se espalhou tão rápido quanto o fogo. Muitos comerciantes correram para o Cheiro da Terra e, quem não tinha mais condições de salvar seus produtos, passava a ajudar os amigos. Foi um final de ano trágico para os artesãos do Cheiro da Terra. Muitos haviam recebido um reforço no estoque há poucos dias, já prevendo a alta temporada de turismo. A artesã Maria Helena Lins disse que vendia souvenirs há nove anos no Cheiro da Terra. Depois do fogo, não lhe restou nada. Segundo Helena, os artesãos tinham prazo até fevereiro para desocupar a área. Para a maioria dos artesãos, não há dúvidas de que o incêndio teria sido criminoso. Eles responsabilizavam o administrador do Cheiro da Terra, o empresário Eduardo Robot, de ter provocado o incêndio. E a maioria não aceitava ser transferida para o Alagoinha, como queria Robot (leia matéria nesta página). O diretor de Polícia Civil, Robervaldo Davino, informou que o delegado do 2° Distrito Policial, Antônio Monteiro, vai abrir inquérito para apurar as causas do incêndio. Davino e o comandante do Policiamento da Capital, coronel Marcos Brito, acompanharam toda a operação para controlar o incêndio. ### Caminhão de água quebrado faz bombeiros pedirem apoio Os quatro mil litros de água que o caminhão dos bombeiros levou para o local acabaram logo, não demorou mais de 10 minutos, sendo preciso que uma empresa particular trouxesse a água que evitou que o fogo se alastrasse para os pouco mais de 10 por cento de lojas que restaram e passasse para outros prédios. Ninguém parecia se importar com o perigo de uma explosão no restaurante ao lado ou mesmo na lanchonete, onde havia botijões de gás. Nem mesmo quando parte do teto desabou. Foi preciso que os bombeiros solicitassem o apoio de policiais militares para afastar as pessoas. O primeiro obstáculo enfrentado pelos Bombeiros foi a falta do carro Auto Tanque de Bombas (ATB), com capacidade para 10 mil litros de água, que está quebrado. Para completar, não havia pressão suficiente no hidrante para reabastecer o único carro de combate a incêndio disponível, com capacidade de 6 mil litros, que teve de buscar água no Shopping Iguatemi. O desastre só não foi pior graças ao apoio de dois carros de abastecimento de água da empresa Igal. O incêndio começou por volta das 7h, e nem mesmo o segurança que faz a vigilância do local estava na hora em que o fogo começou. O desespero tomou conta dos artesãos que iam chegando ao local e tentavam de toda forma salvar o que ainda era possível. Alguns tiveram de ser contidos por policiais militares e os bombeiros, já que havia risco de explosão. A área da Avenida Álvaro Otacílio entre o Hotel Meliá e o cruzamento da Avenida Álvaro Calheiros foi fechada pela Polícia Militar. Mesmo com o isolamento da área por mais de 30 policiais militares, muitos curiosos queriam se aproximar do local. Dezessete bombeiros das guarnições de plantão e outra dezena de voluntários foram mobilizados para combater o incêndio. Quando os bombeiros chegaram ao galpão, o fogo já consumia a maior parte do prédio, já que dentro havia muito material inflamável como madeira, produtos de borracha, plástico e gás, de algumas lanchonetes instaladas no prédio. O diretor do Departamento de Serviços Técnicos do Corpo de Bombeiros (DST), tenente-coronel CB Edvaldo, não descarta a possibilidade de que o incêndio possa ter sido criminoso. Ele disse, no entanto, que somente o laudo da perícia, que deve sair dentro de 20 a 30 dias, pode apontar a verdadeira causa do incêndio. Outra hipótese para o incêndio é que ele tenha sido provocado por um curto-circuito, uma vez que, de acordo com os próprios artesãos, havia muitas ‘gambiarras’ e ligações elétricas clandestinas. ### Prefeitura de Maceió oferece estacionamento de Jaraguá A Prefeitura de Maceió ofereceu uma área no estacionamento de Jaraguá para que os lojistas e artesãos do Cheiro da Terra reiniciem suas atividades. O anúncio foi feito pela vice-prefeita Lourdinha Lyra, que esteve no local pela manhã, e confirmado pelo prefeito Cícero Almeida (PTB), mas ele descartou a possibilidade de o município viabilizar recursos financeiros para financiar os lojistas. Embora ainda atônitos com o lastimável incêndio que provocou perda total para a maioria, os comerciantes se agarram a essa oferta como uma chance real de reconstruírem seus negócios. Mas há entre eles quem considere Jaraguá uma área difícil para trabalhar, diante da imagem de desgaste do bairro. Muitos temem que o movimento de consumidores, especialmente turistas, neste período de alta temporada, seja insuficiente para que possam recuperar as perdas causadas pelo incêndio. “Tem gente aqui que perdeu quase R$ 400 mil”, afirma Luciano Carvalho, artesão que está no Cheiro da Terra desde a inauguração daquele centro de artesanato. Ele próprio teve um prejuízo pequeno, cerca de R$ 25 mil, mas considera como maior perda o fato de não poder reconstruir seu negócio no mesmo local. Com o incêndio, que acreditam ter sido criminoso, tornou-se mais concreta a possibilidade de terem que deixar aquele espaço, alvo de disputa judicial. Verdadeiros donos O verdadeiro proprietário da área onde está o Cheiro da Terra é Alfredo Leahy Nogueira. Sua família recorreu à Justiça para retomar a posse do terreno, alegando que o empresário Eduardo Jorge Costa, o Robot, há dois anos não paga o aluguel acertado, acumulando débito superior a R$ 100 mil. Os lojistas recursaram com ação de embargo para evitar o despejo, que deveria ter ocorrido no dia 29 de setembro último. “Esse incêndio favorece Robot e o proprietário, que vai ter o terreno desocupado. Somente a gente perde”, afirma o artesão Luciano Carvalho. A reportagem procurou o empresário na sede da empresa Robot Produções, na Rua Barão de Atalaia. Uma funcionária informou que ele estaria com problemas de pressão arterial e não deveria aparecer no dia de ontem. Pelo telefone, a mãe do empresário, dona Dinalva, confirmou que o filho estava hospitalizado com problemas de pressão no olho. Segundo ela, Robot pretende falar sobre as acusações feitas pelos artesãos. “É um absurdo acusarem meu filho. Estamos em estado de choque, sem condições de falar nesse momento”, reagiu a mãe.

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