Cidades
Testemunha diz que pessoas estranhas invadiram pavilh�o
REGINA CARVALHO GILVAN FERREIRA Repórteres O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros( CB) Luiz Antônio Honorato ouviu, ontem, os primeiros depoimentos de funcionários do Cheiro da Terra. A Gazeta teve acesso aos depoimentos dos funcionários Kleberton Henrique do Nascimento, que deu o alerta ao Corpo de Bombeiros sobre o incêndio; Gedilson Mendonça, res- ponsável pela manutenção da rede elétrica do Cheiro da Terra, e Marcelo Cavalcante, vigia noturno, reforçaram a tese de que o incêndio foi criminoso. O vigia Marcelo Cavalcante afirmou que, na noite anterior ao incêndio, uma pessoa desco-nhecida invadiu o Cheiro da Terra, e teria acionado a empresa de vigilância Suporte, que deslocou uma equipe, mas não conseguiu encontrar ou identificar o suposto invasor. Já o eletricista Gedilson Mendonça garantiu que o disjuntor central do Cheiro da Terra estava desligado; segundo ele, uma orientação do proprietário do Cheiro da Terra. ?No momento do incêndio, o disjuntor central estava desligado. O senhor Robot dava essa orientação. A rede de energia só era ligada por volta das 9h30 e 10h30 da manhã, por isso, no momento do incêndio não tinha energia elétrica ligada?, garantiu o funcionário. BARULHO ESTRANHO O depoimento considerado mais importante foi o do vigilante Kleberton do Nascimento. Ele reve- lou ao tenente-coronel Luiz Antônio um fato que chamou atenção e foi considerado importante para as investigações do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, que deve atuar no caso. ?Antes do incêndio eu ouvi um barulho estranho, um baque como se fosse uma pedra jogada para dentro do pavilhão. Quando fui observar o que tinha acontecido já vi o fogo, que atingiu rapidamente as lojas da parte de trás do pavilhão?, disse. O funcionário também teria utilizado um dos extintores de incêndio, mas não conseguiu controlar as chamas. O tenente-coronel Luiz Antônio evitou comentar os depoimentos dos funcionários do Cheiro da Terra. Segundo ele, só deve se pronunciar no final da perícia realizada pela equipe do Corpo de Bombeiros. Artesãos inconformados Ainda inconformados com as conseqüências do incêndio no Cheiro da Terra, na manhã da última terça-feira - que destruiu o pavilhão principal e deixou prejuízos ainda incalculáveis - grande parte dos 230 artesãos permaneceu de plantão ontem para acompanhar a perícia, fei-ta por técnicos do Corpo de Bombeiros (CB). ÁREA ISOLADA A área, cercada por policiais militares, deverá ficar isolada até a conclusão da perícia, que deve acontecer no prazo máximo de 30 dias. Alguns artesãos tentaram recolher materiais que ficaram nos escombros, mas o CB não autorizou, por causa do riscos de desabamento e para não atrapalhar as investigações. Os proprietários das lojas são quase unânimes em afirmar que o incêndio foi criminoso. Já o Corpo de Bombeiros prefere não polemizar e informa que ainda é cedo para emitir qualquer tipo de avaliação. Para reforçar a denúncia, eles contaram aos peritos que na última segunda-feira o empresário Eduardo Jorge Costa, o Robot, administrador do Cheiro da Terra, retirou o computador e o ar-condicionado, equipamentos de sua propriedade. ?O pessoal viu quando ele ti-rou os objetos da administração. Todos daqui sabem disso?, informou Silvana Barros, que era dona de um ponto de comercialização de acessórios para a praia, há aproximadamente um mês. Ela perdeu tudo no incêndio. Um prejuízo estimado de R$ 15 mil, apenas com mercadorias. O empresário Eduardo Costa, o Robot, esteve ontem na redação da Gazeta e negou as denúncias dos artesãos, inclusive de que teria envolvimento com o incêndio no Cheiro da Terra, que, na sua opinião, foi mesmo criminoso. ### Robot nega acusação e denuncia ameaça GILVAN FERREIRA Repórter ?Eu acredito que o incêndio foi criminoso, mas não fui eu que provocou. Não tinha condições de fazer isso, pois eu e mais 150 famílias sobrevivíamos do Cheiro da Terra. Vou exigir que as investigações cheguem até o fim, quero isso tudo esclarecido e estou pronto para tirar todas as dúvidas e ajudar o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil no caso?. A declaração foi dada ontem à Gazeta pelo empresário Eduardo Jorge Costa, o Robot, proprietário do Cheiro da Terra, destruído por um incêndio suspeito na última terça-feira. Mostrando-se abalado, Robot, que chegou a chorar durante a entrevista, negou a denúncia de um grupo de concessionários que teria interesse em ?acabar? com o estabelecimento e revelou que tinha sido ameaçado de morte por um dos artesãos. ?O proprietário de um dos estandes chegou a ameaçar um dos meus funcionários, eu e minha esposa, inclusive chegou a riscar a lataria do meu veículo. Ele disse que ia atirar na cabeça do meu funcionário, depois na minha cabeça e na cabeça da minha esposa. Essa pessoa tem um débito de cerca de R$ 30 mil e se negava a pagar?, contou Robot. O empresário também negou que, antes do incêndio, tivesse retirado um computador e um ar-condiconado do seu escritório. ?Isso não é verdade. Tive um prejuízo de cerca de R$ 500 mil. O fogo destruiu tudo, inclusive cheques, dinheiro; documentos e equipamentos. O Cheiro da Terra não tinha seguro e eu estava vivendo lá, pois tinha arrendado a minha outra empresa. No dia do incêndio ainda cheguei a me deslocar para o local, mas tive uma crise de hipertensão e fui atendido por uma equipe do hospital Arthur Ramos, que me proibiu de ver televisão, receber ligações e de ir até lá?, rebateu Robot. Robot disse que pediu ajuda ao prefeito Cícero Almeida e à vice-prefeita Lourdinha Lyra para tentar encontrar uma solução para os concessionários do Cheiro da Terra. ?Espero encontrar ajuda para essas pessoas, que precisam de um novo espaço para tentar sobreviver?.