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Tr�nsito e usu�rios de �nibus sofrem com falta de baias
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Dirigir pelas ruas de Maceió está se tornando um verdadeiro teste de paciência para os motoristas. Ruas estreitas, excesso de semáforos e, principalmente, ausências de faixas exclusivas para ônibus tornam o trânsito da cidade cada dia mais caótico. De acordo com o Detran de Alagoas, dos mais de 300 mil carros registrados no órgão, mais da metade está em Maceió, hoje em torno de 160 mil. Some-se a isso uma frota de 786 ônibus, fora motos e bicicletas. Trânsito pára Um das situações que mais emperram o trânsito é a falta de recuos, as chamadas baias, para a parada de ônibus e também faixas exclusivas para o transporte coletivo. Em algumas regiões da cidade, quando um ônibus estaciona para que passageiros desçam ou subam, o trânsito também pára. Não é difícil encontrar situações como essa na cidade. É assim na Avenida Muniz Falcão, no Barro Duro; na Avenida Gustavo Paiva, em frente ao Shopping Iguatemi; na Rua Augusta, no Centro e tantas outras. Na Rua General Hermes, no bairro do Bom Parto, por exemplo, não é preciso ser horário de pico para serem registrados congestionamentos nos trechos onde há pontos de ônibus. O mesmo acontece na Praça Centenário, no sentido Farol/Centro. O motorista que opta por seguir pela faixa à direita, corre o risco de ficar preso entre os ônibus ou se arrisca a fazer uma manobra que pode acabar numa colisão. Situações como essa se repetem na Rua 16 de Setembro, onde os congestionamentos são freqüentes por causa da parada de ônibus em frente ao antigo Cine Ideal. A situação fica ainda pior por causa da parada irregular de táxis-lotação. Manobras arriscadas Na Rua Barão de Atalaia, os motoristas que andam pela faixa direita se defrontam com os ônibus, na parada em frente ao Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet). Alguns motoristas mais impacientes se arriscam a fazer manobras arriscadas, que algumas vezes acabam em colisões. Na Avenida Penedo, no Feitosa, além da falta de recuos para os ônibus, há ainda as lombadas para atravancar o trânsito. A pista é estreita, tem um intenso fluxo de veículos. Em alguns momentos, a rua fica completamente bloqueada porque há ônibus parados dos dois lados da pista. Em toda a cidade, a Avenida da Paz é a única a dispor de recuos para as paradas de ônibus. Há ainda um na Praça dos Martírios, no Centro. ### SMTT diz que falta espaço para recuos O superintendente municipal de Transportes e Trânsito, Ivã Vilela, disse que uma das dificuldades para implantar as faixas exclusivas para ônibus ou recuos é a falta de espaço nas vias da cidade para isso. Recentemente, com a implantação do sistema de contorno de quadra nas proximidades do Centro de Ensino e Pesquisas Aplicadas (Cepa), a SMTT instalou uma nova parada de ônibus em frente à subida da passarela. Com a criação dessa parada, a faixa de ônibus ganhou uma sinalização especial. Ivã disse, no entanto, que a implantação do sistema de contorno de quadra já melhorou bastante o fluxo de veículos na Avenida Fernandes. Além dos três que já foram implantados (nas imediações da Casa da Indústria, acesso à Avenida Rotary e no Cepa), ainda este mês a SMTT dá início ao quarto, no acesso da Gruta de Lourdes. Um quinto será instalado nas imediações do retorno do Parque das Flores. Em média, o investimento nesses contornos tem sido de R$ 350 mil. Motoristas O diretor do Sindicato dos Rodoviários, Natanael Pereira, disse que os motoristas de ônibus são tão vítimas dessas situações como os motoristas de carros de passeio. ?Infelizmente, a gente paga por essa situação?, lamenta. ?Os motoristas de ônibus são penalizados tanto quanto os outros motoristas?. Na avaliação de Natanael, mesmo que fossem implantadas faixas exclusivas para ônibus, esses problemas só deixariam de existir se houvesse um processo de educação dos motoristas. ?Muitos motoristas não respeitam as faixas exclusivas para ônibus?, observa. Ele disse que a situação melhorou muito na Avenida Fernandes Lima depois da implantação do sistema de retorno de quadra. Para Natanael, no entanto, o maior problema de trânsito em Maceió é a falta de vias alternativas. Ele cita como exemplo as avenidas Fernandes Lima e General Hermes, em Bebedouro. ?Quando há qualquer problema nessas ruas, os motoristas não têm alternativa para desviar o percurso?. Natanael conta que quando era motorista da linha de ônibus Cidade Universitária/Ponta Verde levou cinco horas para fazer esse percurso, durante o Maceió Fest, por falta de vias alternativas para escoamento do trânsito. Ele aponta entre as áreas mais críticas da cidade as ruas Cabo Reis e General Hermes e a Avenida Siqueira Campos. ?Na Siqueira Campos o problema é o grande número de lojas de autopeças, onde muitos carros ficam estacionados no meio da rua?. Essa é a mesma situação da Rua Cabo Reis, onde é grande o número de oficinas mecânicas e ferros-velhos. As ruas do Comércio e Augusta, no Centro, são outros corredores de ônibus que também se encontram saturados, de acordo com Natanael. ### Prioridade é a colocação de novos abrigos nos pontos O superintendente da SMTT informou que também está em estudo a possibilidade de criar uma faixa de ciclovia nos canteiros da Avenida Fernandes Lima. Ivã Vilela disse que a circulação de grande número de bicicletas é um das situações que mais atrapalham o trânsito e são causas de acidentes. O superintendente da SMTT, Ivã Vilela, disse que a prioridade no momento tem sido recuperar os corredores de ônibus. Em 60 dias, deverão ficar prontos os corredores do Village Campestre e do Santos Dumont, antigas reivindicações das comunidades. Outra preocupação da SMTT é melhorar as condições dos abrigos de ônibus. Serão 59 novos abrigos, feitos de metal e acrílico, que vão substituir os antigos de concreto. ?Os antigos abrigos de concreto, que são mais resistentes, serão transferidos para os bairros da periferia?, explica Ivã. Passarelas A SMTT também projeta a instalação de mais duas passarelas para passagem de pedestres. Uma nas imediações do Hospital do Açúcar e outra na região do Shopping Cidade. Com essas passarelas, serão retirados os semáforos desses trechos, o que deixa o fluxo de veículos mais livre. As duas passarelas que já existem nas avenidas Fernandes Lima (em frente ao Cepa) e na Durval de Góes Monteiro (na entrada do bairro do Canaã) também receberão melhorias. A do Cepa vai receber uma cobertura para proteger os pedestres do sol e da chuva. Já a do Canãa, que já é coberta, vai ser recuperada e receberá a mesma sinalização colocada na do Cepa. O presidente da Associação dos Moradores do Canaã, Gilvan Oliveira, disse que desde a instalação da passarela o número de acidentes diminuiu. ?Antes da passarela aconteciam quatro a cinco atropelamentos por dia?, observa. Trabalho educativo Ele disse, no entanto, que é preciso investir num trabalho educativo, porque muitos pedestres insistem em fazer a travessia pela pista. O superintendente da SMTT informou que as mesmas grades que foram instaladas nos canteiros em frente ao Cepa serão colocadas nas imediações do acesso ao Canaã.