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Cultivo de pimenta ganha impulso com f�brica artesanal

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O Fundo de Microcrédito do Governo do Estado (Funcred) firmou convênio com o Instituto Eco-Engenho de Tecnologia Aplicada ao Desenvolvimento Sustentável, para instalação de uma unidade de beneficiamento artesanal de pimenta no povoado de Baixas, em São José da Tapera, uma das comunidades de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País. O objetivo é melhorar a renda familiar dos pequenos produtores de pimenta daquela localidade, por meio da agregação de valor. Segundo a secretária gestora do Funcred, Genilda Leão, o convênio também prevê o treinamento e capacitação de aproximadamente 100 produtores sobre as técnicas de beneficiamento; capacitação dos produtores para acesso aos mercados, com noções básicas de empreendedorismo, marketing, além de capacitá-los para o acesso e gestão de crédito e microcrédito. Situada na zona rural de São José da Tapera, a comunidade de Baixas tem 36 subabitações, num total de 164 moradores, distando cerca de 30 km do centro urbano. As comunidades mais próximas estão num raio de 10km. Conforme o diretor-presidente do Eco-Engenho, José Roberto da Fonseca e Silva, é grande a falta de água na região e, conseqüentemente, a escassez de alimentos, levando a população a uma condição de extrema pobreza. Há pouco mais de um ano e meio, o Instituto Eco-Engenho, com apoio financeiro da Fundação americana Fiorello La Guardia e do Programa de Energia produtiva da Usaid-Brasil, resolveu investir na comunidade, com a intenção de transformá-la num centro demonstrativo do uso de tecnologias adequadas ao desenvolvimento sustentável de comunidades remotas do semi-árido do Nordeste do Brasil. ?Essa comunidade foi alvo de reportagem da revista Veja no primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, como sendo um dos três locais de menor IDH do Brasil?, relata José Roberto. Quase uma década depois, ele afirma que além do poço artesiano com água salgada, que não funcionava até um ano atrás, muito pouco foi feito em termos de infra-estrutura e de ações sociais para mudar esse desastroso quadro. A comunidade continua sem energia elétrica, sem escola, sem infra-estrutura pública de água e, praticamente, sem acesso, face às péssimas condições de caminhos carroçáveis, onde mal passam carros de boi e veículos 4x4. Por iniciativa do Eco-Engenho, foi recuperado o poço artesiano com energia fotovoltaica, instalada uma pequena adutora que capta água de uma nascente localizada 1.200 metros acima de uma serra, que fica ao lado da comunidade. Aliás, antes da chegada da ONG era nessa nascente que diariamente os moradores iam buscar água para consumo. Foi construído um dessalinizador solar térmico para a água salgada do poço artesiano e implementado um micro-sistema de irrigação (hidropônica), como módulo familiar de produção agrícola sustentável para regiões de grande escassez de água. Também foram instaladas estufas e secador solar para a secagem de frutas, legumes, pimenta e grãos, como forma de agregar valor aos produtos e renda para a comunidade. Diante do quadro de extrema necessidade alimentar, a ONG decidiu desenvolver um projeto piloto que pudesse gerar renda para as famílias, surgindo a idéia de cultivar pimenta para fins comerciais. ?A proposta não foi voltada para a agricultura de subsistência, mas sim para geração de renda por meio do cultivo intensivo de produtos com alto valor agregado?, explica José Roberto. A pimenta é cultivada em canteiro hidropônico construído em madeira com aproveitamento de garrafas Pet recicladas, com a circulação de água por uma bomba de 12v cc acionada por energia fotovoltaica. A cultura escolhida foi um mix de três espécies de pimenta de boa aceitação no mercado. O sucesso do projeto foi de tal ordem que 90 dias após a instalação a família contemplada estava colhendo cerca de 30 kg de pimenta por semana, garantindo uma renda bruta mensal superior a um salário mínimo com a venda do produto in natura. O beneficiamento artesanal da pimenta, transformando em vinagrete (molho de pimenta), envasando o produto em um processo simples e dentro das normas de higiene e qualidade sanitária, além de agregar valor vai contribuir para a sustentabilidade do sistema produtivo, evitar perdas por amadurecimento precoce e apodrecimento dos frutos antes da colheita, além de garantir acesso ao mercado consumidor.

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