Cidades
Dono de fazenda e MST disputam terras
| REGINA CARVALHO Repórter Atalaia - A fazenda São Macário, distante três quilômetros do centro de Atalaia, virou alvo de disputa entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o proprietário das terras, Pedro Camelo, dono da construtora Camelo. O caso foi parar na delegacia do município. Em 2002 foi firmado contrato de comodato com o antigo dono da fazenda que beneficiou mais de 70 famílias com 76 tarefas de terra, cerca de 22 hectares, dos 430 hectares do total de área, onde hoje está sendo cultivada cana-de-açúcar. Inconformados, os sem-terra resolveram invadir mais e hoje ocupam grande parte da fazenda. No fim do ano passado começaram as divergências entre integrantes do MST e o proprietário. Os trabalhadores arrancaram aproximadamente 3 quilômetros de cerca de arame que dividia o espaço onde estavam as tarefas ?doadas? e avançaram sobre o plantio da cana-de-açúcar. ?Eles estão colhendo e vendendo as canas que são minhas, que pertencem a minha propriedade?, contou Pedro Camelo. Ele informou que vai processar o governo do Estado e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) porque não tomaram providências para coibir a invasão das suas terras. ?Minha fazenda tem escritura, está devidamente registrada e é produtiva?, lamenta Camelo. O clima ficou ainda mais tenso nos últimos dias, porque um funcionário da fazenda São Macário, conhecido como ?Capoeira?, foi expulso das terras do patrão. ?A situação lá está muito complicada. Quem não tem medo de ficar??, conta o funcionário da fazenda, que tem evitado aparecer no local de trabalho. A Gazeta esteve na fazenda e obteve a confirmação de que os trabalhadores rurais estão colhendo a cana-de-açúcar nas terras do proprietário Pedro Camelo e vendendo para a Usina João de Deus, no município de Capela. Apontada como pessoa que ajuda nessa negociação, João Isídio, que se identificou como administrador da usina, confirmou que os sem-terra estão comercializando a cana-de-açúcar. ?Quem compra essa cana-de-açúcar dos sem-terra é o José Maurício e nós compramos dele. Ele vende para a Usina João de Deus?, informou João Isídio. José Maurício, segundo os trabalhadores, é o atravessador e já pertenceu ao movimento dos sem-terra. Pedro Camelo denunciou o corte da cana de suas terras na delegacia de Atalaia, no último sábado. Um dos trabalhadores ligados ao MST, que preferiu não se identificar, confirma que invadiu a área e ameaça dizendo que novas invasões deverão acontecer. Entretanto, ele nega que tenha havido conflito. ?Estamos acampados aqui há seis anos. Nós retiramos sim a cerca porque estava cercando tudo. Agora podemos invadir mais. Vendemos a cana para a usina de Capela?, relatou o trabalhador rural.