Cidades
Governo interfere e PM vai apoiar Samu
BLEINE OLIVEIRA Repórter Ainda esta semana, os coordenadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) vão se reunir com os comandantes de Policiamento da Capital (CPC), e do Copom, para discutir soluções capazes de evitar a suspensão do serviço nas grotas e favelas de Maceió. A reunião foi proposta pelo próprio comandante-geral da Polícia Militar, coronel Edmilson Cavalcante, depois de receber ofício em que os coordenadores do Samu reclamam da falta de segurança para atuar nessas áreas. Por meio de seu porta-voz, tenente-coronel Luciano Silva, chefe da assessoria de comunicação, o comandante-geral disse que a posição do comando é de diálogo, já que considera o Samu um serviço essencial e de grande valia para a sociedade, principalmente nos segmentos mais carentes. ?Vamos marcar o dia da reunião e nela o comandante vai saber o que está ocorrendo e quais as formas de solucionar os problemas. O Samu é um parceiro da PM?, afirmou o tenente-coronel Luciano. A reunião proposta pelo Comando da PM é uma das primeiras providências adotadas depois da reportagem publicada pela Gazeta, em sua edição de ontem, em que a coordenação médica do Samu admitiu suspender o atendimento a vítimas de violência (tiros, faca ou espancamento), nas áreas onde enfrentam risco de morte ou de agressão. Comunicação Diante da reportagem, a própria secretária de Estado da Saúde, Kátia Born, entrou em contato com o governador Luis Abílio de Sousa, pedindo a interferência dele no Comando da PM. Em resposta, o comandante de Policiamento da Capital, coronel Marcos Brito, telefonou para a coordenação da Samu, orientando sobre como devem proceder para requisitar agentes do Copom. O coronel negou que haja dificuldades na PM para atender aos chamados feitos pelo Samu. ?Não temos registro de solicitação sem atendimento. Talvez o problema seja de comunicação?, disse o coronel Brito, negando a informação do coordenador-médico João Medeiros, de que inúmeras vezes as equipes foram ameaçadas e enfrentaram risco em localidades reconhecidamente violentas, pela ausência da PM. Integrante da equipe de socorristas do Samu, o médico Carlos Eugênio Rocha confirma as informações da coordenação e vai mais longe ao relatar episódios em que somente a perícia dos condutores das ambulâncias evitou que a equipe de atendimento fosse agredida. ?São vários os exemplos que enfrentamos desde que o serviço funciona?, assegura Carlos Eugênio. Num dos episódios, registrado na localidade Grota do Rafael, a equipe do Samu prestou atendimento protegida por vizinhos e familiares da vítima que havia sido baleada por marginais. Ele defende uma integração do Samu com a PM e o Corpo de Bombeiros para evitar os riscos que atualmente as equipes estão enfrentando. A proposta de policiais em motocicletas feita pelo coordenação do Samu é, para ele, uma solução positiva e de efeito imediato. ?Agressões, sejam por bala, faca ou espancamento, são ocorrências policiais. Ao tempo em que garantem a segurança do atendimento, eles cumprem sua função?, acrescentou o médico. ### Equipe leva ferido e escapa por um triz Domingo, 8 de janeiro, Sítio São Jorge, Barro Duro. Após intenso tiroteio entre traficantes, Jackson Santos, 21, é ferido à bala. A equipe comandada pelos paramédicos Lídia Costa e Paulo Alencar é chamada e chega rapidamente ao local. O cenário é de uma favela do Rio de Janeiro. Mesmo diante do risco de serem atingidos pelos disparos, feitos pelo grupo que tentava matar o paciente que estava sendo resgatado, a viatura do Samu bate em retirada sob fogo cruzado dos tiros e depois, nos calcanhares, com o grupo esmurrando a ambulância e tentando a abrir a porta da UTI onde se encontrava Jackson. Foi por um triz. ?A tragédia só não aconteceu porque a porta da ambulância fora travada. Sem essa providência o rapaz teria sido assassinado e talvez os nossos funcionários?, reclama o coordenador médico João Medeiros.|BL