Cidades
Sem-terra resistem e mant�m ocupa��o
REGINA CARVALHO Repórter Pela terceira vez a Polícia Militar suspendeu a operação de retirada de 39 famílias ligadas à Comissão Pastoral da Terra (CPT), para cumprir mandado de reintegração de posse expedido pelo juiz da Comarca de Rio Largo, Ayrton de Luna Tenório. Já com novo prazo estipulado pela Justiça, de cinco dias, para deixar a área, no povoado Baixa Funda, em Messias, a coordenação do movimento promete radicalizar, caso não seja oferecido um novo local pelo Incra. ?Se até terça-feira não for disponibilizada uma nova área, vamos levar os acampamentos para dentro do Incra?, ressaltou Carlos Lima, coordenador da CPT. Há um ano, trabalhadores rurais invadiram área de seis hectares em Messias, que pertence à Usina Utinga Leão, às margens da BR-104. A decisão sobre o adiamento da desocupação saiu depois da reunião de ontem, que durou várias horas, entre o juiz Ayrton de Luna, a ouvidora agrária do Incra, Katiúcia Mendes, e o coordenador da CPT, Carlos Lima. ?O juiz ligou para o oficial de Justiça mandando suspender a operação, que deverá acontecer na terça-feira, até que seja encontrada uma nova área para eles ficarem?, informou o tenente-coronel Adilson Bispo, coordenador do Centro de Gerenciamento de Crises da PM. Ontem foi montada uma megaoperação que envolveu 240 policiais militares, de nove batalhões, dentre eles o de Operações Especiais (Bope), Radiopatrulha, cavalaria e o reforço de 15 cães da PM para fazer cumprir o mandado de reintegração. No início da manhã, por volta das 5 horas, militares ficaram concentrados na Companhia de Polícia Militar (CPM) no centro de Messias. Enquanto isso, a uma distância aproximada de três quilômetros, o Centro de Gerenciamento de Crises da PM negociava com as famílias a desocupação da área. Indefinição Quitéria Maria da Conceição é uma das integrantes da CPT. Ela e o marido ergueram com palhas de palmeira uma casa no povoado Baixa Funda. ?Já tem quatro anos que a gente fica embolando de um lado para o outro. A comida que temos em casa foi doada pelo governo. Nem eu, nem meu marido temos trabalho. A gente não quer guerra, quer paz. Queremos uma definição do Incra e terra para plantar?, lamenta a dona-de-casa. O relações-públicas do Centro de Gerenciamento de Crises, tenente PM Iran Rêgo, declarou que foi oferecida as trabalhadores rurais que ocuparam a terra de propriedade da Usina Utinga Leão, uma área no município de Joaquim Gomes, na Usina Agrisa. Entretanto, eles recusaram. ?Eles não querem e alegam a incompatibilidade com o outro movimento (MST) que já está lá?, lembrou o tenente. A informação foi confirmada pelo coordenador da CPT. ?Nós não vamos para essa área porque ela já é ocupada pelo MST. Se eles não estivessem lá a gente iria?, contou Carlos Lima. Às 12h40, cerca de 30 trabalhadores rurais do acampamento Flor do Bosque, também de Messias, chegaram para reforçar o movimento de resistência à desocupação. ?O problema maior é o Incra. A polícia e a Justiça estão fazendo seu papel pacificamente. Queremos um local para trabalhar?, lembrou Gilberto de Almeida, trabalhador rural. A operação, que envolveu cinco viaturas da Radiopatrulha, duas do Bope, cinco ônibus e um caminhão da cavalaria, atraiu a atenção dos moradores de Messias. Alguns militares denunciaram que o grande número de militares disponibilizado desfalcou o efetivo da capital. Os agricultores contam que quando a área foi invadida viviam nela mais de cem famílias.