Cidades
Franc�s traz � tona tesouros submersos
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A Praia do Francês, em Marechal Deodoro, tem esse nome graças aos franceses que por ali passaram na época da colonização do Brasil, principalmente com o interesse de contrabandear pau-brasil para a França. Parte desta história pode estar submersa nas águas límpidas do Francês. O instrutor uruguaio de mergulho Alejandro Vogelsang já encontrou vestígios de dois navios afundados a cerca de seis metros da costa do Francês, perto da área dos arrecifes de corais, que formam uma barreira natural na praia. ?Pelas âncoras encontradas há fortes indícios de dois navios afundados, um se encontra na direção sul e outro ao norte?. O mergulhador avalia que uma das embarcações levava uma carga de pau-brasil e seria de origem francesa. A embarcação teria 25 metros de comprimento e o motivo do naufrágio pode ter sido, segundo o mergulhador, um choque com os arrecifes, em virtude das ondas. Alejandro disse que encontrou restos de madeira de pau-brasil praticamente intactos. ?Algumas ainda apresentam uma cor vermelha intensa, quando quebradas ao meio?. Pelo estilo da âncora do navio, ele acredita que seja dos séculos 15 e 16. A outra embarcação, provavelmente de origem portuguesa, seria do século 18 e carregava telhas e utensílios como panelas, cuias e jarras de uso doméstico, que aparentavam ser de origem americana. ?Isso demonstrava o tipo de comércio que era feito pelos portugueses com os índios e os habitantes locais?. Depois das descobertas, Alejandro procurou levantar dados históricos junto a algumas pessoas da região e descendentes de franceses que moram em Alagoas, como o biólogo Gabriel Le Campion e seu irmão Ives Le Campion. ?Pessoas que conhecem a história daqui deram várias orientações e informaram sobre aspectos das atividades dos franceses na época desses naufrágios?. O mergulhador afirma, no entanto, que precisa de apoio para fazer um trabalho de pesquisa mais profundo sobre os vestígios dos navios naufragados na costa do Francês. Ele chegou a recolher algumas peças encontradas no fundo do mar, como vasilhas feitas de argila, mas precisa de uma estrutura para remover a areia que encobre alguns objetos e fazer um estudo para identificar a época e a origem exata deles. Alejandro fez um mapeamento na maior parte do litoral alagoano dos locais de naufrágios de navio, mas necessita de apoio para fazer um trabalho científico. ?Temos aqui um patrimônio do período da colonização do Brasil e sobre como funcionava o comércio feito entre os portugueses e os índios caétes?, diz. ### Límpida e morna, praia atrai novos adeptos do mergulho Foi no dia-a-dia das aulas de mergulho que Alejandro Vogelsang descobriu as relíquias dos navios afundados no mar do Francês. E é essa atividade que cresce a cada dia numa das praias mais bonitas do litoral brasileiro. Alejandro viu no Francês um lugar ideal para montar uma escola de mergulho, que vem despertando o interesse não apenas dos nativos, mas de turistas que visitam o local, muitos estrangeiros. Ele diz que no verão a procura por aulas de mergulho aumenta ainda mais por causa das boas condições do tempo, além do fato de muitas pessoas estarem em férias e da grande incidência de turistas na praia. ?De uns dois anos para cá, houve um incremento muito grande de pessoas interessadas na prática de mergulho?. O curso de mergulho tem custo de R$ 650,00, com aulas práticas e teóricas, mais R$ 100 por saída. O curso pode durar de quatro dias até um mês, dependendo do desempenho e da possibilidade de tempo do aluno. Todos os equipamentos para o mergulho são fornecidos pela escola. Alejandro também aluga os equipamentos para mergulho, já que o custo para aquisição deles é elevado. O equipamento básico para mergulho é formado por máscara, nadadeira e snorke. Há também o equipamento scuba - cilindro, mergulhador e colete. Se a pessoa quiser adquirir por conta própria uma scuba terá de desembolsar no mínimo R$ 2.500. Somente uma roupa para mergulho pode custar entre R$ 250,00 e R$ 300,00. Por isso, a saída é realmente o aluguel desses equipamentos. Sem restrições Segundo Alejandro, desde que a pessoa esteja em boas condições físicas, não há restrição para a prática de mergulhador. Ele disse que também não seria um pré-requisito saber nadar, mas deve-se ter pelo menos noções de técnicas de nado crown e de peito. As aulas práticas são realizadas, inicialmente, dentro do Canal do Francês. Mas há também mergulhos feito em alto-mar, e para para isso os praticantes terão de ir de barco. As estudantes Nicole Le Campion e Helena Cossich aproveitaram as férias no Francês para fazer o curso de mergulho e se mostram fascinadas pela experiência. Nicole nasceu em Alagoas, mas desde pequena mora no Rio de Janeiro, cidade da amiga Helena. Nicole disse que sempre mergulhou com equipamentos básicos, mas queria aprender mais do que isso no curso de mergulho. Ela afirma que no Rio de Janeiro não há tanta facilidade de praticar o mergulho. Lá, uma das praias consideradas ideais para essa prática é a de Angra dos Reis, que fica distante pelo menos duas horas do Rio de Janeiro. ?A gente só consegue mergulhar lá indo de barco para algumas das ilhas?. No Francês é diferente. Nicole destaca as águas, que são mornas e límpidas, e a proximidade da praia com a capital alagoana. |FAS