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Turistas invadem orla de Macei�
NIVIANE RODRIGUES Repórter Fim de tarde em Maceió. Num dos principais cartões-postais da cidade, a orla marítima, o passeio é disputado. Ônibus lotados de turistas formam fila na chegada aos hotéis, mercados de artesanato, bares e restaurantes, em uma das mais movimentadas altas temporadas na capital alagoana. Os turistas estão por toda parte. Num dos mais visitados mercados de artesanato da cidade, a feirinha da Praia de Pajuçara, o movimento é tanto que circular nos corredores exige uma boa dose de paciência. Eles vieram de vários estados do Brasil e de outros países em busca de sol e de belezas naturais, principalmente de praias. É o caso das amigas canadenses da cidade de Vancouver Kristen Brodie, 18, e Alexandra Edgar, 16, que esta semana circulavam na feirinha de artesanato da Pajuçara, depois de um dia inteiro de praia. Encantadas com o calor de Maceió, elas procuravam presentes para os amigos no Canadá e a família. As estudantes estão no Brasil desde julho de 2005 fazendo intercâmbio cultural no Rio de Janeiro e já falam bem o português. Kristen diz que foi graças aos pais que conheceu Maceió. ?Eles vieram a Maceió e gostaram. Daí decidi conhecer?, conta. As amigas estão fazendo um tour pelo Nordeste, mas garante que, além da Bahia, o Estado que mais gostaram foi Alagoas. ?Aqui tem muito sol e praias lindas. Quero voltar outra vez?, revela Kristen. Quanto ao que mais gostou em Maceió, ela não tem dúvida: ?Das praias? E do que não gostou? ?Das crianças pedindo esmola?. Praias e coqueiros Nos corredores da feirinha da Pajuçara encontramos outro grupo de amigas que vieram a Maceió pela primeira vez: a mexicana Vanessa Mendoza, 16, a alemã Ana Júlia, 17, e a australiana Cathrin Haick, 19. Elas também estão fazendo intercâmbio cultural no Brasil, na cidade de São Paulo e aproveitam as férias nos estudos para conhecer o Nordeste. O sol e as praias de Alagoas também contagiaram as jovens, que não escondem a admiração diante das belezas naturais da capital alagoana. ?As praias daqui são bonitas; o Gunga é lindo?, diz Vanessa, que conheceu as amigas há cinco meses, durante o intercâmbio. Mas e afinal, do que elas mais gostaram em Maceió, além das praias? A australiana Cathrin responde rápido: ?Dos coqueiros?. Se depender da disposição do grupo, elas garantem que voltarão à terra dos marechais. ?Estamos aprendendo português e gostamos muito do Brasil. Queremos mesmo é voltar a Maceió, que é lindo?, diz Cathrin. Elas também elogiaram o artesanato e escolheram presentes para a família e amigos. ### Vendas de artesanato aumentam 70% Não são apenas os estrangeiros a admirar as praias de Maceió. Entre a legião de turistas que circula diariamente na orla da capital, há muitos brasileiros de vários estados. Alguns pela primeira vez visitando a cidade; outros, pela segunda, terceira, décima primeira vez. A brasiliense Alda Crisanto, que trabalha em uma empresa de Administração no Distrito Federal, é um bom exemplo dessa paixão que alguns turistas brasileiros afirmam sentir por Maceió. ?Quando vim pela primeira vez aqui minha filha tinha 10 anos. Hoje ela está com 21 e todos os anos continuo vindo nas férias pra cá. É uma cidade linda, de belas praias, mas a de que mais gosto é Guaxuma?, confessa. Foi um amigo dela e do marido que incentivou o casal a vir a Maceió. ?Estávamos em João Pessoa e ele falou daqui pra gente. Viemos, passamos três dias e nunca mais deixamos de vir?, diz. Nem tudo são elogios em se tratando de turismo em Maceió. A maceioense Regina Célia Rocha, 35, mora em São Paulo há 34 anos. Desde que se mudou, a terra natal passou a ser seu principal destino turístico. Todo ano ela e familiares que moram no Recife (PE) viajam de férias para Maceió, em busca de sol e praias. Regina, que é odontóloga, diz que nos últimos anos tem notado o aumento de pedintes nas ruas, o que para ela é um fator negativo. Com Regina viajam as irmãs Gilce e Gilsa Santos. Gilce é de Maceió, mas mora em São Paulo há 32 anos, e Gilsa em Aracaju há 35. ?Todo ano viajamos em grupo para Maceió e não nos cansamos. Aqui matamos a saudade da terra e curtimos as belezas naturais que a cidade nos proporciona?, diz Gilce. Vendas em alta Enquanto os turistas se deleitam com as belezas naturais da cidade e aproveitam para comprar e levar o artesanato da terra como lembrança da viagem, os artesãos, ambulantes e comerciantes instalados em pontos turísticos comemoram as vendas. Na feirinha de artesanato da Pajuçara as vendas, segundo os artesãos, cresceram 80% desde o início da alta temporada. Quem investiu na produção de peças artesanais não se arrepende. ?Trabalhamos muito para produzir e vender agora e valeu a pena. As vendas estão ótimas?, revela Salomé das Chagas Barbosa, 49 anos, 25 dos quais dedicados ao artesanato. Ela faz parte do Projeto Cidadão, da Prefeitura de Maceió e, juntamente com cinco colegas, mantém uma barraca de bonecas de tecido e roupas em filé, renascença e crochê. São os turistas estrangeiros, segundo ela, ?quem mais compram e valorizam nosso artesanato?. O funcionário público aposentado José Wellington Bezerra, 61, também decidiu apostar no artesanato como fonte de renda. A arte ele aprendeu com a esposa e hoje comemora os bons momentos que o setor atravessa. ?De dezembro até agora as vendas aumentaram 70%, com tendência de crescer até o fim da alta temporada, em fevereiro. Os turistas, tanto estrangeiros quanto brasileiros, estão comprando muito?, afirma. Como não se preparou para a alta temporada, ele diz que acabou perdendo de fazer ?um excelente negócio? com um grupo de Portugal porque não tinha catálogo expondo os produtos que produz. ?Eles queriam levar o catálogo para apresentar em Portugal, mas eu não tinha e perdi um bom negócio. Agora vou me preparar melhor?, diz José Wellington, que trabalha com produtos de decoração, bolsas e bonecas. NR ### Hotéis atingem 90% de taxa de ocupação O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) em Alagoas e do Maceió Convention & Visitors Bureau, Glênio Cedrim, diz que Alagoas deve receber, de janeiro a fevereiro, período da alta temporada, de 100 a 120 mil turistas, um aumento porcentual de 15% a 20% em relação ao mesmo período de 2005. A capacidade da rede hoteleira do Estado, segundo ele, é de 15 mil turistas por dia, além das pousadas e condomínios. Desse total, segundo Cedrim, 9 mil leitos estão concentrados em Maceió, nos hotéis de três a cinco estrelas e 6 mil no interior do Estado, principalmente no Litoral Norte. A ocupação hoteleira na capital neste período de alta estação é de 90%, sendo que 80% são turistas nacionais e 20% internacionais. ?Alagoas entrou novamente na moda. Este é, sem dúvida, um motivo para comemorar, mas principalmente de muita responsabilidade. É preciso receber bem o turista para que ele volte a nossa terra?, alerta Cedrim. Para ele, é preciso estar atento não apenas no período da alta temporada, mas no de baixa estação, quando o fluxo de turistas costuma cair. O segredo para o crescimento do turismo este ano ele explica: ?Temos um verão maravilhoso, com seis meses de muito sol. Além disso, temos o conforto de nosso aeroporto internacional e cuidados maiores com a limpeza urbana e a infra-estrutura da cidade. O resultado não poderia ser outro. Mas é preciso que haja conscientização, desde aqueles que trabalham em hotéis, até os ambulantes, taxistas, para que recebam bem o turista?. |NR ### Maceió reconquista ranking no Nordeste Maceió está retomando a posição de um dos destinos mais procurados pelo turista no Nordeste. É nisso que acreditam os que se dedicam ao setor, tendo como base os números do início da alta estação e uma pesquisa realizada há dois meses pelo Ministério do Turismo junto à Fundação Getúlio Vargas, que aponta o crescimento do destino Maceió entre turistas do sul e sudeste do País. ?Durante cerca de três anos, ficamos aquém das capitais nordestinas em termos de turismo. No entanto, com investimentos realizados pelo município e pelo Estado, estamos despontando novamente no cenário nacional?, avalia a diretora de Desenvolvimento da Secretaria Municipal de Turismo (Seturma), Cláudia Paiva. Segundo ela, a partir da construção de novos hotéis e da reforma dos já existentes, na próxima estação, em 2007, Maceió vai ganhar 3 mil novos leitos. ?Há muitos grupos nacionais e internacionais querendo se estabelecer em Maceió?, diz. Destino Maceió Tudo isso, de acordo com a diretora, é resultado de investimentos feitos pela Seturma e Estado na divulgação do destino Maceió em feiras internacionais e nacionais e em outros eventos. ?O turismo é formado pelos setores público e privado. Cabe ao público a operacionalização da atividade, ou seja, garantir infra-estrutura urbana para que empreendimentos turísticos se estabeleçam. E isso vem sendo feito, com investimentos em iluminação pública, limpeza urbana e divulgação da cidade?, diz ela. Já ao setor privado, considera Cláudia Paiva, cabe garantir a assistência em termos de atendimento ao turista, que vai desde a empresa hoteleira às transportadoras turísticas, donos de bares e restaurantes?. O resultado desse trabalho, diz a diretora, são os números. ?Em dezembro de 2005, segundo dados do Porto de Maceió, três navios atracaram na capital, com cerca de 5.700 europeus e brasileiros. Para janeiro estão sendo esperados cinco navios, que trarão cerca de 15.700 turistas a Maceió?. Quanto aos vôos chaters da Itália, Finlândia, Portugal, Espanha Argentina e Chile, ela revela que no segundo semestre deste ano deverão se tornar regulares. Outra ação para reforçar o turismo na cidade está sendo adotada em conjunto entre as capitais nordestinas João Pessoa, Maceió, Recife e Natal, que firmaram um acordo denominado ?Capitais do Sol?, para desenvolver o turismo integrado, que inclui divulgação conjunta do destino Nordeste e investimentos em infra-estrutura. ?Apesar de estarmos na mesma região, temos diferenças culturais e a partir desse acordo vamos poder mostrar isso ao turista?, diz Cláudia Paiva. NR ### Turistas também lotam Praia do Francês FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A Praia do Francês, em Marechal Deodoro, foi literalmente invadida neste verão por turistas de várias partes do Brasil e até de países distantes como a Finlândia. No estacionamento das barracas à beira-mar é possível ter um panorama da origem dos visitantes. São carros com placas de estados vizinhos, como Pernambuco, ou distantes milhares de quilômetros, como Tocatins. Em alguns momentos fica até difícil circular pelas principais ruas do Francês, por causa dos congestionamentos formados pelo grande número de carros e ônibus de turismo. Nesta época fica difícil encontrar vaga nos hotéis e pousadas da praia. Ainda é possível encontrar, no entanto, algumas casas e apartamentos com placas de aluguel por temporada. Quem comemora esse ?boom? turístico são os donos de barracas e ambulantes, que faturam alto nessa época do ano. Os ambulantes vendem de tudo, desde óculos escuros até coquetéis feitos à base de frutas. Há 20 anos Valdinez Ferreira vende saídas de praia em filé na Praia do Francês. Apesar de saber a arte do filé, Valdinez disse que não é a criadora das peças que vende. ?Não daria para fazer e vender ao mesmo tempo?, explica. Nesta época do ano, o lucro dela aumenta, principalmente por causa dos turistas estrangeiros, que ficam encantados com a arte típica dos artesãos alagoanos. ?Oitenta por cento dos turistas compram alguma coisa?, afirma Valdinez. Alguns mais entusiasmados chegam a comprar até cinco peças de uma só vez. Italiano e espanhol Já adaptada à presença dos turistas estrangeiros, Valdinez disse que sabe falar italiano e espanhol. Ela revela que sempre dá um jeitinho de vender, mesmo quando não entende o que eles estão falando. ?Eu escrevo o preço da peça até na areia da praia?. Nas lojinhas de artesanato e artigos de praia a movimentação também é grande. A professora Maria Inês Pereira é de Goiás e visita pela primeira vez Alagoas. Foi conhecer a Praia do Francês depois de ouvir os elogios de amigos que estiveram no lugar no ano passado. ?É mais bonito do que eu pensava?. Ela veio de carro, fazendo um percurso de mais de mil quilômetros de distância, mas não se arrepende da decisão. ?Pretendo voltar?. Diversão também não falta para quem optou em passar as férias no Francês. Além da beleza do mar, existem opções de lazer como passeios de lancha ou de ultraleve. As estudantes cariocas Nicole Le Campion e Helena Cossic aproveitaram as férias no Francês para ter aulas de mergulho com o uruguaio Alejandro Vogelsang. O professor disse que esta época do ano é ideal para aulas de mergulho, atividade que atrai o interesse dos turistas que visitam o Francês. O grande fluxo de turistas para as praias do Litoral Sul é percebido pela grande movimentação de veículos na AL-101, mesmo nos dias de semana.