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Cinema para o povo em noite enluarada

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| FERNANDO VINÍCIUS Repórter O início da letra ?no escurinho do cinema? cantada por Rita Lee perde o sentido ao ser confrontada com a proposta do cineasta Hermano Figueiredo, um pernambucano radicado há 6 anos em Alagoas, que já projetou filmes em redes de dormir e corpos humanos. A intenção de levar a Sétima Arte para os que não têm acesso às escassas salas de cinema ganha um novo suporte com o projeto Acenda Uma Vela. Passando por comunidades que vivem às margens de lagoas e praias, a exibição ganha um novo formato, a vela de uma jangada. A experiência é promovida com apoio da organização não-governamental alagoana Ideário Comunicação e Cultura e começou por Maceió, projetando filmes na Vila dos Pescadores do bairro Jaraguá em dezembro do ano passado. A equipe se deslocou até Massagueira no dia 5 de janeiro, seguindo para o Litoral Norte. Fez três exibições em Maragogi nos povoados São Bento e Barra Grande, duas em Porto de Pedras, retornando novamente para São Bento. A receptividade que o projeto teve nesta comunidade fez com que o cineasta produzisse um pequeno vídeo - menos de 10 minutos - sobre os costumes locais. ?Eles praticamente já tinham um roteiro preparado para a gente filmar?, disse Hermano Figueiredo. As sugestões foram acatadas no pequeno documentário que mostra ?seu? Dílson com uma sanfona contando um pouco da história do povoado, as marisqueiras que diariamente catam maçunim nas praias e o ritmo frenético da singular contagem de coco dos trabalhadores do ?seu? Jura. Editado na empresa Retratos do Nordeste, do fotógrafo e cinegrafista Durval Júnior, o vídeo foi exibido no povoado. Quem foi à Praça dos Idosos na noite de quinta-feira, 18, em Maragogi teve a oportunidade de ver o resultado do trabalho feito em São Bento, o último a ser exibido da série de 7 curtas e médias metragens de diretores brasileiros do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Amaro Albuquerque estava lá e riu à vontade quando viu o amigo Dílson na tela, ou melhor, na vela. A reação de identidade entre o que é projetado e a platéia acontece em todos os lugares onde o vídeo Mirante-Mercado, do próprio Hermano, é mostrado. Nome de uma linha de ônibus que circula em Maceió, a história mostra situações e depoimentos de pessoas comuns, ?trabalhadores sem carteira assinada?, que batalham cada qual ao seu modo - honesto - para sobreviver. José Vieira da Silva Neto conseguiu chegar a tempo de ver todo o filme e ficou emocionado. ?Animador e recreador de festas?, como se definiu quando está maquiado e encarna o personagem do palhaço Chapuleta, disse ter ?ficado impressionado com o sofrimento do povo que ainda demonstra alegria no que faz?. O projeto termina em fevereiro com duas apresentações em Marechal Deodoro (1 e 8) e duas em Maceió, Garça Torta (3) e a última no Posto 7, no dia 11.

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