Cidades
Governo culpa burocracia um ano depois
CARLA SERQUEIRA Repórter Construída no início do ano passado, a Escola Estadual Gilvânia Ataíde, no bairro Santa Lúcia, só ganhou carteiras este mês. Sem aulas por não terem onde sentar, 466 alunos dos 686 que se matricularam na unidade em 2005 perderam o ano. Os demais conseguiram vagas em outras escolas. A demora na aquisição de carteiras escolares foi denunciada pela Gazeta em maio do ano passado e ontem, na edição do Jornal da Globo, da TV Globo, o problema foi exposto em cadeia nacional. De acordo com o secretário estadual de Educação, José Márcio Lessa, a escola não teve o ano letivo de 2005 iniciado por causa da burocracia. ?Eu não diria que houve um culpado. A culpa foi do sistema como um todo?, disse ele, se referindo ao processo de licitação, trâmite obrigatório em compras feitas por órgãos públicos para garantir a competição entre empresas. Na época, quando a escola ficou sem funcionar por falta de mobília, o secretário estadual de Educação era Maurício Quintella, filho de José Márcio Lessa, o atual secretário. Em dezembro, 35 mil carteiras foram adquiridas. ?A saída emergencial foi realizar um pregão?, explicou José Márcio. Boa parte da nova mobília está depositada na Escola Estadual Fernandes Lima, no Sítio São Jorge, e deve ser distribuída até fevereiro. A diretora-adjunta da escola, Sandra da Silva Lima, teme que os equipamentos para os laboratórios de informática e ciências, assim como as estantes para a biblioteca, mesas e eletrodomésticos para a cozinha só cheguem em 2007. ?Estamos esperando. O desejo da comunidade é ver a escola funcionando?. Na tentativa de recuperar o tempo perdido dos alunos, um calendário especial está sendo montado pela Secretaria de Educação. ?Deveremos usar os finais de semana?, adiantou o coordenador estadual de Educação, Neyton Nunes. Com rampas e elevador para deficientes físicos, a escola é um sonho antigo da vizinhança. ?Ano passado, não consegui vaga. Agora só saio daqui depois de me matricular e concluir o ensino médio. Quero ser enfermeira?, disse a manicure Givaneide Alves, 32 anos, mãe de um garoto de 16 e de uma menina de 11. ?Ele se matriculou aqui e perdeu o ano. Ela, eu consegui salvar, arrumei vaga em outra escola?. Os 22 funcionários, entre vigilantes, merendeiras e coordenadores, que foram nomeados para trabalhar na escola ano passado, cumpriram expediente na Escola Rosalvo Viana, também na Santa Lúcia. As aulas estão previstas para começar no dia 13 de fevereiro. Ginásio para aula de Educação Física lotado de carteiras novas em escola do Sítio São Jorge ... ... enquanto sala de aula da Escola Estadual Gilvânia Ataíde passou um ano sem as cadeiras