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Fogo n�o foi causado por curto-circuito

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| CARLA SERQUEIRA Repórter A causa do incêndio que destruiu as 230 lojas do Cheiro da Terra, há exatamente um mês, não é mais mistério para os peritos do Corpo de Bombeiros. ?Temos noção exata do que aconteceu?, afirmou o tenente-coronel Luís Antônio, um dos especialistas que desde a manhã do dia 27 de dezembro acumula provas do ocorrido. Uma destas provas foi produzida por engenheiros da Companhia Energética de Alagoas (Ceal). Os peritos queriam saber se o incêndio foi provocado por uma sobrecarga elétrica nas dependências do Cheiro da Terra. ?Temos certeza absoluta de que não houve nenhum curto-circuito na rede elétrica da Ceal. Não foi registrada nenhuma anormalidade no dia do incêndio naquela região?, garantiu o engenheiro José Claudino da Silva, gerente da Distribuição de Energia Elétrica e responsável pelo estudo. As conclusões do laudo pericial do Corpo de Bombeiros ainda não foram divulgadas. O prazo venceria hoje - 30 dias após o incêndio -, mas os peritos solicitaram prorrogação por mais dez dias. ?Algumas informações serão ajustadas. Ouvimos muitas pessoas, estamos terminando de digitar os depoimentos. Até o dia 10 de fevereiro divulgaremos o resultado?, revelou o perito Luís Antônio. Enquanto isso, a Polícia Civil, segundo o delegado Valdir Silva de Carvalho, não pode avançar nas investigações. ?Precisamos do laudo do Corpo de Bombeiros para indicar a linha de investigação. Se ficar provado que o incêndio foi criminoso, vamos levar em consideração os problemas que existem entre locador e locatários do Cheiro da Terra?, adiantou o delegado. Valdir Silva de Carvalho estará substituindo o delegado Antônio Monteiro até o dia 31 de janeiro, no 2º Distrito Policial, na Jatiúca, onde foi instalado o inquérito. ?Acredito que quando o titular voltar será pedida a prorrogação do prazo para as investigações policiais, já que o laudo dos bombeiros ainda não ficou pronto?, observou. O prazo para conclusão do inquérito policial é também de 30 dias, contando a partir da data do incêndio. Os donos da área onde funcionava o Cheiro da Terra haviam entrado na Justiça para reclamar a posse do terreno. Segundo eles, o empresário Eduardo Jorge Costa, conhecido como Robot, há dois anos acumula débito superior a R$ 100 mil de aluguel. Graças a um recurso judicial, os lojistas não foram despejados no último mês de setembro. ?Esse incêndio favorece o Robot e o proprietário, que teve o terreno desocupado. Somente a gente sai perdendo?, afirmou, na época, o artesão Luciano Carvalho. Em sua defesa, o empresário Robot disse, em entrevista exclusiva à Gazeta, acreditar que o incêndio teria sido criminoso. ?Mas não fui eu que provocou. Não tinha condições de fazer isso, pois eu e mais 150 famílias sobrevivíamos do Cheiro da Terra?, disse ele. Enquanto os reais motivos do incêndio não são revelados, os antigos artesãos do Cheiro da Terra estão instalados numa área alugada pela prefeitura, na Ponta Verde. Mas a estada gratuita tem prazo: 3 meses. Depois disso, eles devem ser despejados.

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