Cidades
Cheiro da Terra: empres�rio e artes�os voltam a trocar farpas
| CARLA SERQUEIRA Repórter Passado um mês do incêndio que destruiu o centro de artesanato Cheiro da Terra, a relação entre administrador e artesãos continua acirrada. Não só cinzas restaram do local, mas também muitas cobranças, inclusive na Justiça, de débitos entre eles. As partes só não divergem em um ponto: que o incêndio foi criminoso. O empresário Eduardo Jorge Alves Costa, o Robot, ex-administrador do Cheiro da Terra, disse que a inadimplência girava em torno de 40%. ?Tenho nas mãos deles R$ 300 mil para receber. Muitos, quando ocorreu o fato, insinuaram o meu envolvimento no incêndio, mas como eu iria queimar a mercadoria deles se as mesmas poderiam ser penhoradas a meu favor? Desde o começo eu digo que o incêndio foi criminoso, mas não fui eu quem provocou?, rebate. Ele diz que há cerca de dois anos tem problemas com um grupo de 18 inadimplentes. ?São os mesmos que fundaram, ano passado, uma associação entre os lojistas?, diz Eduardo Jorge. ?Um deles, na véspera do incêndio, deu entrada em um pedido na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) para que eu provasse que ele estava me devendo. Talvez imaginasse que eu não teria documentos guardados?, comentou o empresário. O artesão que deu entrada no CDL foi Carlos Alberto Gerônimo dos Santos. ?Pedi provas. Eu nunca devi nada a ele [Eduardo Jorge]. Ele colocou meu nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC] e consegui tirar?, disse, acrescentando que boa parte dos artesãos não estava satisfeita com a administração de Eduardo Jorge. ?Tive muitos problemas com ele?, alerta. ?Só na Justiça me envolvi com três processos?, detalhou o feirante. No novo local onde estão instalados os feirantes do antigo Cheiro da Terra, na Ponta Verde, o presidente da Associação dos Artesãos Guerreiros de Maceió, criada há sete meses, José Nivaldo da Silva, diz: ?Ninguém deve nada ao Eduardo?. Enquanto os artesãos se reuniam para dividir tarefas administrativas do atual espaço, José Nilvado afirmava que os débitos foram criados pelo empresário. ?Essa inadimplência que ele fala nunca existiu. O contrato que tínhamos com ele era mensal. Se tivesse inadimplência, não haveria renovação dos contratos?, defende, afirmando não ter dúvidas quanto ao incêndio: ?Não foi um acidente? A feirante Zuleide Tragino, uma das associadas, afirmou que o vínculo entre Eduardo Jorge e os feirantes que estão no novo espaço foi cortado. ?Não havia diálogo há muito tempo. Agora está tudo melhor. Antes era como uma ditadura; agora temos liberdade de administrar por meio da nossa associação?. Segundo o empresário Eduardo Jorge, estão tramitando na Justiça dezenas de processos contra os supostos inadimplentes. ?Somente entre janeiro e fevereiro deste ano, tenho 40 audiências marcadas. Preciso receber o dinheiro que me devem. Depois do incêndio tive de vender meu carro para pagar os direitos trabalhistas dos 15 funcionários do Cheiro da Terra?, relatou. A polícia instaurou inquérito, mas ainda não ouviu ninguém. Tudo depende do parecer do Corpo de Bombeiros. Segunda-feira, os peritos vão avaliar o documento, antes de divulgá-lo.