Cidades
Uso de bomba destr�i corais e faz v�timas no Litoral Sul
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A pesca com bomba está destruindo o meio ambiente no litoral sul do Estado, principalmente corais e sedimentos do fundo da água. A prática, considerada pesca predatória pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), continua sendo disseminada entre os pescadores alagoanos. Um deles, José Manassés da Silva, 36 anos, perdeu a mão e parte do braço, há cinco anos, quando foi atingido pelo próprio petardo, quando usava bombas caseiras na Barra de São Miguel, ao arremessá-las no mar. Manassés, que tenta conseguir um benefício do INSS, diz que não quer mais saber do uso de explosivos depois do acidente. Mas hoje enfrenta dificuldades para encontrar trabalho por causa da deficiência no braço. Segundo Manassés, a necessidade de sobrevivência leva muitos pescadores a usar bombas e explosivos para conseguir uma quantidade maior de peixes. Mas hoje ele acha que esse risco não vale a pena. ?Isso prejudica a natureza. Se a gente joga a rede e não consegue pegar peixe hoje, pode tentar outro dia?, afirma o pescador. De acordo com Manassés, o impacto da bomba foi tão grande que ele foi arremessado fora da pequena canoa. Isso, de certa forma, contribuiu para que sobrevivesse. A água salgada do mar ajudou a estancar o sangue, antes de ele ser levado para a Unidade de Emergência, onde teve a mão e parte do braço amputados. O presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Alagoas, Benedito Roque, o Bida, vem há anos denunciando os danos da pesca predatória não só com o uso de explosivos, mas com redes de malha fina, os ?candangos?. Leia mais na página E6 ### Pescador denuncia que Barra tem fábrica de bomba caseira Segundo o presidente da Federação dos Pescadores, o Bida, o uso de explosivos na pesca acaba com várias espécies marinhas. Ele disse que em Barra de São Miguel existem várias fábricas de produção de bombas para uso na pesca. Como não há uma fiscalização eficiente por parte dos órgãos ambientais, elas continuam funcionando. Essa prática de pesca predatória é feita principalmente de madrugada. Muitos moradores da Barra já se acostumaram a acordar com o barulho das explosões. Bida diz que o uso de candangos é outra forma de pesca predatória comum nos canais das lagoas, no trecho entre o Trapiche da Barra e Marechal Deodoro. ?Tem época que não há como navegar nesse trecho, por causa de mais de 200 candangos espalhados no canal?, diz. O presidente da federação afirma que os pescadores usam os candangos, e com quatro ou cinco deles chegam a pegar até 500 quilos de peixe, que podem render até R$ 40 mil a R$ 50 mil. Com a degradação ambiental das lagoas, conseguir pescar essa quantidade de peixes é quase impossível. Só que o uso de candangos pode inviabilizar a pesca em pouco tempo. Ela arrasta toda espécie de peixe, muitos em fase de crescimento. ?Numa fiscalização que foi feita na lagoa tiramos 60 quilos de peixes bem pequenos, em apenas dois candangos?, exemplifica Bida. Bida diz que a pesca predatória continua em grande escala por causa da deficiência na fiscalização. ?Fiscalização existe. Mas não é suficiente, até porque a pesca predatória envolve `muita gente grande?. Ele diz que alguns são, inclusive, militares.