Cidades
Greve n�o afeta trabalho de for�a-tarefa
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A greve deflagrada na última terça-feira pelos policiais civis não atrapalhou o trabalho da força-tarefa criada pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público para combater o crime organizado e a pistolagem no Estado, pelo menos ontem. As investigações sobre a atuação de uma superquadrilha em Rio Largo envolvida em seqüestros, furtos e roubos de veículos e crimes de pistolagem transcorreram normalmente. Ontem, os grevistas fecharam a bomba de combustível ao lado da Delegacia de Roubos e Furtos, no Jacintinho e, apesar da presença de policiais nas delegacias, quem for vítima de assalto ou violência não tem como registrar queixa. Durante a greve, serão atendidos apenas os casos de flagrante, mas não serão registrados Boletins de Ocorrência (BO) nem feitos Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO). A greve dos policiais civis foi decidida em assembléia realizada na tarde de terça-feira, no momento em que uma força-tarefa vem realizando um trabalho de combate ao crime organizado no Estado, que começou com a prisão de 13 pessoas no município de Rio Largo, também na terça-feira. De acordo com o 2º vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), Evandro Aranda, a pauta de reivindicações da categoria, composta de 21 itens, não se resume a questões salariais. Além de cobrar reajuste salarial de quase 40% e o cumprimento da data-base da categoria pelo governo, no mês de agosto, os policiais reclamam o pagamento de adicional noturno e de hora extra. Eles pedem, também, a equiparação salarial entre os chamados policiais especiais e operacionais. Enquanto o salário base de um policial especial é de R$ 1.330,00, o dos chamados operacionais é de R$ 950,00. Por lei são 200 policiais especiais. Mas hoje pelo menos 207 policiais estariam incluídos nessa categoria, já que alguns que perderam essa classificação acabaram entrando na Justiça para garantir direitos. O Sindpol chegou a obter uma liminar na Justiça, determinando a equiparação, mas ela foi derrubada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Estácio Gama. Ainda assim, Evandro nega haver uma guerra interna entre policiais especiais e operacionais. ?Estamos lutando também pelos direitos dos policiais especiais, já que eles também não têm direito a pagamento de horas extras e adicional noturno?. O sindicalista acrescenta que apenas os delegados - cujo teto salarial é de R$ 8 mil - estão recebendo adicional noturno. APOIO POLÍTICO Ontem pela manhã, os policiais civis se reuniram com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL), Marcos Mello, para pedir o apoio político da instituição ao movimento da categoria. O vice-presidente do Sindpol, Evandro Aranda, considera que o movimento grevista serve como reflexão para o momento de crise por que passa a segurança pública no Estado. ?Não adianta apenas investir em equipamentos. É preciso ver que do outro lado existe um ser humano?. Evandro relembra as péssimas condições de trabalho enfrentadas hoje pelos policiais. Segundo ele, a maioria das delegacias do Estado está sucateada e falta alimento para os policiais, que não têm direito sequer a vale-transporte. ?Em muitos municípios quem banca a alimentação dos policiais é a prefeitura?, denuncia. ?Alagoas é o único Estado do País em que não existe uma arma para cada policial. Se quiser ter uma arma própria, o policial tem que comprar?, alerta.